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Jornadas do Patrimônio Europeu: Jaildo Marinho evoca memórias do sertão e traz leveza ao mármore

Acontecem neste sábado (19) e domingo (20) as Jornadas Europeias do Patrimônio. O evento abre ao público milhares de lugares, muitos deles normalmente inacessíveis, propondo visitas, exposições, encontros e outras atividades voltadas à descoberta e à preservação do patrimônio histórico do continente. O brasileiro Jaildo Marinho expõe esculturas em mármore evocando lavadeiras de sua infância no sertão pernambucano.

19 set 2026 - 11h30
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Resumo
Durante as Jornadas do Patrimônio Europeu na França, a Orangerie de Meudon recebe a exposição "Étendre le marbre", do escultor pernambucano Jaildo Marinho. A mostra conecta a história da cidade francesa às lembranças da infância do artista no sertão, onde sua avó era lavadeira. Com obras monumentais que desafiam a rigidez e o peso do mármore ao simularem tecidos coloridos suspensos no varal, o evento gratuito fica aberto entre os dias 3 e 27 de setembro de 2026, oferecendo visitas guiadas.

Na França, a 43ª edição do evento traz como temas "Patrimônio da fotografia" e "Patrimônio em perigo: reavivar, resistir, reinventar", em um ano que coincide com as celebrações dos 200 anos da fotografia. Em todo o país, a programação reúne habitualmente mais de 25.000 animações e eventos em cerca de 16.000 locais e monumentos históricos.

Entre os espaços de destaque abertos à visitação está a Orangerie do Domaine National de Meudon, um edifício histórico, antiga propriedade real, onde acontece a exposição Étendre le marbre ("Estender o mármore"), do artista pernambucano Jaildo Marinho.

Jaildo Marinho apresenta "Estender o Mármore", em Meudon, em setembro de 2026.
Jaildo Marinho apresenta "Estender o Mármore", em Meudon, em setembro de 2026.
Foto: RFI

A mostra estabelece uma ponte poética entre a criação artística contemporânea e a memória social da cidade. Nos séculos XIX e início do XX, Meudon destacou-se como um importante centro de lavanderia da região parisiense, onde gerações de lavadeiras lavavam e secavam as roupas destinadas à capital.

Inspirando-se na história dos antigos barcos de lavagem de roupas de Meudon e em suas próprias memórias de infância, Jaildo recorda a origem afetiva do projeto:

"Tudo surgiu a partir da minha memória em relação à minha avó que lavava roupa para outras pessoas lá no sertão de Pernambuco. Ficou na minha memória aqueles lençóis grandes, brancos, estendidos no varal."

Peças de mármore esculpidas por Jaildo Marinho, expostas em Meudon, em setembro de 2026.
Peças de mármore esculpidas por Jaildo Marinho, expostas em Meudon, em setembro de 2026.
Foto: RFI

Para transformar essa lembrança em arte e desconstruir a rigidez do material, o escultor criou peças em mármore atravessadas por dobras monumentais. "Aí me veio a ideia a partir dessa memória da leveza do mármore, que a gente vê o mármore sempre como uma coisa pesada. Eu transformei o que é pesado em leve e suspendi o mármore como um tecido e ficar sempre naquela expectativa: ele vai cair ou não vai cair, o vento balança ou não balança."

Detalhe do mármore simulando uma dobra de tecido, autoria de Jaildo Marinho, em exposição em Meudon, em setembro de 2026.
Detalhe do mármore simulando uma dobra de tecido, autoria de Jaildo Marinho, em exposição em Meudon, em setembro de 2026.
Foto: RFI

"Eu adicionei a tinta acrílica porque a cor vem representar a vida, que é um tempo determinado, limitado. Eu jogo com isso, com o peso, com a leveza, com o tempo e com a vida", complementa.

Natural de Santa Maria da Boa Vista, ele conta que sempre gostou de fazer escultura, desde criança. "Comecei com manuseio do barro, depois fiz estudo técnico sobre gemologia e lapidação de pedras preciosas e semipreciosas que existiam na região", relembra.

Após estudar escultura na Universidade Federal de Pernambuco, estabeleceu-se na capital francesa aos 22 anos.

Obra de Jaildo Marinho, em Meudon, setembro de 2026.
Obra de Jaildo Marinho, em Meudon, setembro de 2026.
Foto: RFI

A exposição Étendre le marbre pode ser visitada de 3 a 27 de setembro de 2026, de quinta-feira a domingo, das 14h às 19h, com entrada gratuita na Orangerie do Domaine national de Meudon, contando também com a presença do artista para visitas guiadas durante a programação.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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