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Johnny Massaro vira guia do coração em peça: 'Quando relação começa a nublar, o mais comum é fugir'

O ator aposta na importância do palco em nome do refinamento profissional e se desafia em "A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão", versão do livro da psicanalista Ana Suy

27 set 2026 - 12h06
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Resumo
Inspirado pelo livro de Ana Suy, Johnny Massaro estreia o monólogo "A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão", no Sesc Pinheiros, em São Paulo. Com direção de Helena Varvaki e texto de Júlia Portes, a peça aborda o autoconhecimento e as relações afetivas. Em fase prolífica, o ator enfrenta a vulnerabilidade do palco enquanto celebra projetos no audiovisual, como a série indicada ao Emmy "Máscaras de Oxigênio...", a produção "Delegado" e o papel de Paulo Coelho no filme "Diário de um Mago".

Foi nas areias de Mororé, no litoral baiano, que o ator carioca Johnny Massaro, de 34 anos, começou a leitura do livro A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão, da psicanalista e professora paranaense Ana Suy. Ele passava férias com um ex-namorado, e o clima tranquilo e ensolarado da praia contrastava com as nuvens carregadas que rondavam o casal naqueles dias, há três anos.

As teorias de Ana Suy serviram de alerta para Massaro. Com a flexibilidade de conectar citações do psicanalista Sigmund Freud (1856-1939), do filósofo Friedrich Nietzsche (1844-1900) e da cantora e compositora Marília Mendonça (1995-2021), a autora desenvolve teorias sobre a solidão que permeia a existência humana e precisa ser aceita como elemento construtivo de uma vida plena.

Johnny Massaro estrela o monólogo ''A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão'', baseado no livro homônimo de Ana Suy
Johnny Massaro estrela o monólogo ''A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão'', baseado no livro homônimo de Ana Suy
Foto: Hudson Rennan/Divulgação / Estadão

O ator andava incomodado por depositar nos outros a responsabilidade por problemas que eram seus. Era comum insistir em relacionamentos inspirados por ideais românticos que, na prática, resultavam em experiências bem diferentes. "Nas sessões de análise, a gente expõe as próprias questões através do outro e chega uma hora em que esse abismo fica angustiante", reconhece. "Com o livro, percebi que precisava entender o assunto para aplicar na minha vida e o melhor caminho seria levá-lo ao teatro."

Sob a direção de Helena Varvaki, o monólogo A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão estreia nesta quinta, 24, no Auditório do Sesc Pinheiros, com ingressos esgotados. A montagem, que chega ao Rio em 8 de janeiro, propõe reflexões sobre a importância de uma autonomia e o valor de um autoconhecimento que dispense a aprovação ou o contínuo espelhamento no outro.

Na dramaturgia criada por Júlia Portes, Massaro interpreta um guia turístico que convida o público a um passeio pelo coração humano e, durante a visitação, reforça a máxima de que, mesmo que a dor seja inevitável, amar só se aprende amando. Para o artista, não existe uma relação saudável se as partes não estiverem abertas para a individualidade e se mostrarem resistentes ao diálogo.

"Quando a relação começa a nublar, o mais comum é fugirmos de qualquer conversa por absoluto medo e desistir aparece como a opção mais fácil", diz. "Até porque há um imenso cardápio nesse mundo digital que nos ilude que é simples contornar a solidão e todo mundo vai ser mais feliz se não insistir em algo que parece desgastado."

Falando em medo, Massaro assume que se sente vulnerável no teatro e, por vezes, foge da exposição como autodefesa. Em sua carreira diversificada, ele contracenou com os veteranos atores Edwin Luisi e Elias Andreato, respectivamente nas comédias Tango, Bolero e Cha, Cha, Cha (2011) e Visitando o Sr. Green (2025), e com a atriz Deborah Evelyn no drama Estranhos.com (2017). Foi dirigido ainda por Monique Gardenberg no épico Os Sete Afluentes do Rio Ota (2019), ao lado de um elenco estelar que contava com Marjorie Estiano, Caco Ciocler, Giulia Gam e Helena Ignez, entre outros.

Apesar das constantes tentativas, o ator confessa que até agora não se sente confortável diante de uma plateia. Assim como no amor, a ideia da insistência é que mais o estimula, justamente por acreditar que só se livrará da insegurança através da prática. "O teatro me assusta porque não tenho o recurso do corte, como no audiovisual", afirma. "Mas sei o quanto é necessário para refinar a minha interpretação, para que eu possa cair e saber levantar um pouco mais rápido."

Johnny Massaro recentemente estrelou no streaming as séries 'Emergência Radioativa' (foto) e 'Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente'
Johnny Massaro recentemente estrelou no streaming as séries 'Emergência Radioativa' (foto) e 'Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente'
Foto: Helena Yoshioka/Divulgação / Estadão

Em meio as analogias entre o teatro e o amor, o artista celebra a autonomia de escolher projetos e compartilhar mensagens que considera relevantes. Nos últimos anos, Massaro coleciona trabalhos significativos como os filmes Os Primeiros Soldados, de Rodrigo de Oliveira, e O Filho de Mil Homens, de Daniel Rezende, e as séries Emergência Radioativa e Máscaras de Oxigênio (não) Cairão Automaticamente, que, depois de passar pelo Festival de Berlim, foi exibida no Festival de Toronto, na semana passada. "Foi um trabalho lançado há um ano e que não para de reverberar", observa. Na última quarta, 23, a produção também foi indicada ao Emmy Internacional de Melhor Série Dramática.

Disposto a aproveitar o auge produtivo, Massaro filmou o longa Diário de um Mago para a Netflix. Sob a direção de Vicente Amorim, ele será visto na pele do escritor Paulo Coelho na versão do best-seller prometida para o ano que vem. O intérprete, porém, avisa que antes disto, no fim de outubro, entra no ar a série Delegado, produzida por Kleber Mendonça Filho para o Canal Brasil, em que contracena com Georgette Fadel e Alice Carvalho. "Eu faço o personagem-título, um cara que é aprovado em um concurso público e enfrenta a precariedade em todos os sentidos de uma delegacia do Recife", explica.

Por trás das câmeras, o ator se desafia no papel de cineasta e rodou o terceiro curta-metragem, Consolo, versão do conto de Tobias Carvalho, que será lançado no Festival do Rio, na primeira semana de outubro. Emílio de Mello é o protagonista. "Sou de uma geração que tem mais plataformas para se expressar e faço questão de aproveitar estas possibilidades para ser honesto com minha carreira", garante. "O meu trabalho me dá o dinheiro que preciso para viver e não ambiciono muito mais que isso."

Serviço - A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão

  • Auditório do Sesc Pinheiros. Rua Pais Leme, 195, Pinheiros.
  • Quinta a sábado, 20h30.
  • Sessões extras nos dias 9, 16, 17, 23, 24 e 30, às 16h. R$ 50,00. Até 31 de outubro.
  • Os ingressos estão esgotados, mas existe a possibilidade de comprar na hora, caso haja desistências.
Estadão
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