'Vida de musa': Passista viraliza com série ao mostrar os bastidores do carnaval
A passista Thai Rodrigues viralizou nas redes ao revelar os bastidores e os altos custos de ser musa no carnaval carioca
Na contramão do glamour, da ostentação e das produções milionárias que costumam dominar os perfis de musas e rainhas de bateria nas redes sociais, a passista carioca Thai Rodrigues decidiu mostrar o outro lado do carnaval. Professora de ritmos brasileiros, ela criou a série "Vida de Musa", publicada em seu feed no Instagram, para ironizar a romantização da festa e escancarar a realidade vivida por quem constrói o espetáculo longe dos holofotes.
Musa da União de Maricá e do tradicional Cordão da Bola Preta, Thai mostra o corre diário para dar conta da intensa agenda pré-carnavalesca. São ensaios, eventos e apresentações que exigem inúmeros figurinos, todos pagos com recursos próprios. Sem patrocínio fixo, ela revela que, mesmo quando surge alguma parceria pontual, os gastos continuam altos. "Às vezes aparece uma parceria e outra, mas ainda assim gasto muito", conta Thai Rodrigues.
Cada look usado por ela custa, em média, R$ 700. Apenas na reta final antes dos desfiles, são cerca de seis produções diferentes por semana. Muitas delas são confeccionadas de madrugada, em um verdadeiro mutirão familiar que envolve Regina, sua mãe costureira, e Vinicius, marido, dançarino e artesão nas horas vagas. O esforço é grande, assim como o impacto financeiro. "Estou juntando dinheiro para comprar minha primeira casa própria e sair do aluguel e fiquei pensando que tudo o que já gastei na vida com carnaval dava pra comprar duas", desabafa.
Cria da Praça Onze, berço do samba e do Sambódromo, onde vive até hoje, Thai começou no carnaval aos 7 anos. Aos 34, carrega no currículo títulos importantes, como Rainha do Carnaval de 2022 e rainha de bateria da Unidos da Ponte até o ano passado.
De quem deveria ser o verdadeiro protagonismo do carnaval?
Com a série, Thai Rodrigues afirma que seu objetivo vai além da própria história. Ela quer dar visibilidade a outras passistas que vivem realidade semelhante e levantar um debate necessário sobre espaço e reconhecimento dentro do carnaval. "Mostrar essa realidade é chamar atenção para o lugar que as passistas deveriam ocupar. Não acho que tem que excluir famosas, endinheiradas, estrangeiras. Não é isso, mas o protagonismo é nosso. Ou deveria ser".
Confira:
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