TSE toma decisão após denúncias de Lula contra Meta durante disputa com Flávio Bolsonaro
Justiça Eleitoral deu prazo de 48 horas para empresa esclarecer supostas restrições a publicações e anúncios do presidente durante disputa com Flávio Bolsonaro
O TSE deu 48 horas para a Meta prestar esclarecimentos após a campanha de Lula denunciar restrições a seus anúncios e suposto favorecimento a Flávio Bolsonaro no segundo turno de 2026. A ação também aponta uma rede de 255 perfis suspeitos que usariam IA para atacar o petista. A Justiça determinou a preservação de métricas e dados de moderação, mas ressalvou que ainda não há conclusão sobre irregularidades. A Meta negou qualquer favorecimento e afirmou cumprir a legislação eleitoral.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou que a Meta, empresa responsável pelo Facebook e Instagram, apresente esclarecimentos sobre denúncias de possíveis irregularidades nas plataformas digitais durante a campanha presidencial de 2026. A decisão foi tomada no sábado (10), após questionamentos apresentados pela equipe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que disputa o segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL).
A determinação, atribuída ao ministro Marco Aurélio Bellizze, estabelece um prazo de 48 horas para que a companhia forneça informações sobre supostas restrições que teriam prejudicado a divulgação de conteúdos relacionados à candidatura de Lula.
A Meta, por sua vez, negou as acusações e afirmou que os problemas relatados não afetaram exclusivamente a campanha petista. A empresa também declarou que cumpre a legislação eleitoral brasileira e adota os mesmos critérios para os participantes da disputa.
Campanha de Lula denuncia problemas no Instagram
Entre as situações apresentadas ao TSE está a impossibilidade de impulsionar publicações no perfil de Lula no Instagram entre sexta-feira (9) e a manhã de sábado (10).
A campanha também relatou que sua conta de anúncios havia sido suspensa em setembro, além de apontar possíveis alterações no alcance de conteúdos publicados nas redes sociais.
Segundo a equipe do presidente, a repetição desses episódios levantou suspeitas sobre eventuais interferências na divulgação de materiais eleitorais.
As alegações, no entanto, ainda dependem de esclarecimentos técnicos e não representam uma conclusão da Justiça Eleitoral de que houve favorecimento ou prejuízo deliberado a algum candidato.
TSE pede informações sobre 255 perfis suspeitos no Instagram
Outro ponto apresentado pela campanha de Lula envolve uma rede de 255 perfis no Instagram que, segundo um levantamento do projeto VigIA, da Agência Lupa, utilizariam ferramentas de inteligência artificial (IA) para produzir conteúdos com ataques ao presidente, ao Partido dos Trabalhadores (PT) e à primeira-dama Janja da Silva.
De acordo com os dados mencionados na denúncia, as contas teriam acumulado aproximadamente 58 milhões de visualizações em um período de um mês.
A coligação também apresentou um relatório interno do PT com uma comparação do desempenho dos perfis dos candidatos à Presidência. Segundo o documento, a conta de Flávio Bolsonaro registrava engajamento médio 2,96 vezes maior que a de Lula, apesar de ter 17,2% menos seguidores.
Os números foram utilizados pela campanha para fundamentar seus questionamentos, mas a diferença de engajamento, isoladamente, não comprova interferência da plataforma ou tratamento desigual entre os candidatos.
O que o TSE exigiu da Meta?
Diante das denúncias, a Justiça Eleitoral determinou que a Meta preserve registros relacionados à moderação de conteúdos, anúncios e métricas das contas envolvidas. A companhia também deverá apresentar informações sobre eventuais restrições aplicadas aos perfis mencionados desde 16 de agosto.
Entre os esclarecimentos solicitados estão as razões para a desativação da conta publicitária de Lula, possíveis inconsistências na contagem de visualizações e as medidas adotadas em relação aos 255 perfis apontados como suspeitos. Além disso, a empresa precisará detalhar como aplica suas regras de publicidade e moderação eleitoral aos conteúdos publicados pelas campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro.
Meta nega acusações de favorecimento eleitoral
Em resposta às denúncias, a Meta rejeitou as acusações apresentadas pela campanha do presidente e afirmou que segue as normas previstas na legislação brasileira. A empresa sustentou que os problemas mencionados não foram exclusivos da candidatura de Lula e declarou que mantém critérios de funcionamento equivalentes para os participantes do processo eleitoral.
A determinação do TSE busca reunir informações técnicas para avaliar as alegações apresentadas. O pedido de esclarecimentos não significa que a Justiça Eleitoral tenha confirmado a existência de irregularidades. O caso ocorre durante a disputa do segundo turno das eleições presidenciais de 2026, marcado para 25 de outubro.
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