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Thelma Assis vence processo contra empresário, condenado por falas racistas

Rodrigo Branco foi condenado a indenizar Thelminha em R$ 40 mil por danos morais após declarações discriminatórias feitas em 2020

15 jun 2026 - 18h51
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A médica e apresentadora Thelma Assis, campeã do BBB 20, venceu um processo de racismo pelos ataques sofridos durante sua participação no reality pelo jornalista e empresário Rodrigo Branco.

Após seis anos de disputa judicial, Thelminha conseguiu a vitória na justiça
Após seis anos de disputa judicial, Thelminha conseguiu a vitória na justiça
Foto: @thelminha via Instagram / Estadão

Com a decisão, o ex-diretor da Band foi condenado a indenizar Thelminha em R$ 40 mil por danos morais em razão de declarações discriminatórias feitas durante uma transmissão ao vivo no Instagram, em março de 2020.

Na ocasião, Branco afirmou que a torcida de Thelma existia apenas porque ela era uma "negra coitada". Ele também atacou a jornalista Maju Coutinho ao sugerir que sua posição profissional estaria relacionada exclusivamente à cor de sua pele. "Ela é péssima, é horrível. Fala tudo errado. Eu assisti hoje e ela fala tudo errado. Ela só está lá por causa da cor", disse.

Em nota publicada nas redes sociais, Thelminha declarou que a condenação representa mais do que uma reparação individual. "Eu precisava que a Justiça reconhecesse o fato, e ela foi feita. Foram seis anos lutando praticamente sozinha, somente com o apoio da minha família e dos meus advogados, contra uma injúria racial covarde, já que eu estava confinada na época do ocorrido e não pude me defender".

"Não se trata de uma ofensa individual, mas de uma repercussão coletiva de pessoas que, assim como eu, pelo simples fato de serem quem são, pessoas negras, sofrem injúrias e deméritos que impactam a nossa saúde mental de uma forma tão perversa que chegam a causar dor física. Esse impacto não pode ser desfeito com um simples pedido de desculpas na frente das câmeras. Ele precisava de punição", continuou.

A sentença foi proferida pela juíza Flávia Snaider Ribeiro, da 6ª Vara Cível do Foro Regional XII - Nossa Senhora do Ó, em São Paulo. A magistrada ressaltou que o racismo ultrapassa a esfera individual e atinge toda a coletividade, reproduzindo padrões históricos de exclusão e exigindo uma resposta com caráter pedagógico e de enfrentamento institucional.

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Ao Metrópoles, Rodrigo Branco reagiu à decisão da justiça. "Errei naquele episódio e aprendi muito desde então. Aceito e respeito a decisão da Justiça", confessou.

Ele disse ainda ter se aproximado de lideranças e pessoas que dedicam suas vidas ao combate ao racismo e à promoção da inclusão. "Parte dessa jornada compartilhei nas minhas redes sociais, mas a maior parte aconteceu longe dos holofotes, porque acredito que mudanças verdadeiras precisam ser vividas antes de serem exibidas".

Branco afirmou que esse processo trouxe "amadurecimento e uma nova perspectiva" sobre diversos assuntos. "Acredito que um erro não define integralmente uma pessoa nem toda a sua trajetória, mas pode se tornar um marco importante detransformação", disse.

Segundo a equipe de Thelminha, Rodrigo não se manifestou nenhuma vez ao longo dos seis anos de processo.

Estadão
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