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Perto dos 60 anos, Paula Burlamaqui tem o direito de não gostar de envelhecer e merece respeito

Atriz se tornou uma espécie de porta-voz de quem sofre com os aspectos negativos do envelhecimento e recebe críticas por isso

10 set 2026 - 09h37
(atualizado às 09h37)
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Marina Lima surpreendeu ao reagir com deboche às reclamações de Paula Burlamaqui sobre as consequências do processo de envelhecimento. 

Com recorrentes problemas de saúde, a atriz disse no podcast ‘Vozes do Retiro’ não ver “nada de bom” no avanço da idade. “É uma degradação.”

“Olha, nunca ouvi tanta tolice e gente rasa. A vida é bem mais que beleza. Vocês podem acordar? Já estão na idade. Afff”, postou a cantora no X.

“Me dá uma pena dela… Coitada. A não ser que ela morra cedo, a Paula está condenada ao seu inferno particular. Fica bem!”

Há uma linha tênue entre a liberdade de opinião e o ataque que gera um constrangimento desnecessário.

Paula tem o direito de não gostar de ver as transformações físicas impostas pela aproximação da velhice e fazer o que tem feito: falar abertamente do assunto em entrevistas.

Não é uma voz solitária. Pelo contrário: representa o pensamento e a situação atual de milhões de outras brasileiras afetadas pela queda do bem-estar depois dos 50 anos.

Cada vivência é única. Somente quem está na própria pele sabe das dores, das limitações e dos conflitos que enfrenta.

Romantizar a velhice ou generalizar a questão do envelhecimento é um desserviço.

Para uma mulher que foi símbolo de beleza, como Paula, há um peso extra ser obrigada a se despedir da imagem consagrada.

No ensaio ‘The Double Standard of Aging’, de 1972, a escritora e filósofa Susan Sontag destacou como o envelhecimento feminino gera opressão, já que as mulheres são educadas para parecer eternamente jovens.

“Cada ruga, cada linha, cada cabelo grisalho é uma derrota.”

Já os homens são elogiados pela experiência e o charme ao ganharem aparência mais velha.

Compreende-se, definitivamente, a decepção de Paula Burlamaqui com os desafios internos e estéticos trazidos pelo imparável tempo.

Em um aspecto, Marina Lima — que é um exemplo de dinamismo e produtividade aos 70 — está certa: trata-se de um inferno particular. 

Portanto, cada um que cuide do seu e respeite o do outro.

Paula Burlamaqui no podcast 'Vozes do Retiro': "Eu faço reposição hormonal, análise, procuro malhar, ir no médico... Para estar bem, fico exausta, cansada"
Paula Burlamaqui no podcast 'Vozes do Retiro': "Eu faço reposição hormonal, análise, procuro malhar, ir no médico... Para estar bem, fico exausta, cansada"
Foto: Reprodução
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