O que aconteceu antes da queda? Investigação do acidente que matou Rick começa
Cenipa iniciou os trabalhos para identificar os fatores que podem ter contribuído para a queda da aeronave na Serra Catarinense
O Cenipa e a Polícia Civil investigam a queda de um helicóptero Bell 430 em Urubici (SC), que matou o cantor Rick e outras quatro pessoas. A aeronave não possuía caixa-preta, exigindo que a perícia técnica analise destroços, documentos e testemunhos para apontar os fatores do acidente e emitir medidas preventivas. Paralelamente, o inquérito policial apura eventuais responsabilidades criminais sobre o caso, que não tem prazo fixado para ser concluído.
A queda do helicóptero que transportava o cantor Rick, da dupla com Renner, será analisada pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). O trabalho tem como objetivo reunir informações sobre o acidente, identificar os possíveis fatores que contribuíram para a ocorrência e, principalmente, propor medidas que possam evitar episódios semelhantes no futuro.
Os destroços da aeronave foram encontrados pelos bombeiros na Serra Catarinense na terça-feira (22), um dia depois do desaparecimento do helicóptero. As equipes confirmaram a morte dos cinco ocupantes da aeronave, que fazia o trajeto entre Porto Belo e São Joaquim.
Os corpos foram retirados da região ainda na terça-feira. Além de Rick, morreram o empresário Bruno Avelar, o videomaker Paulo Ricardo dos Santos Soares e os tripulantes Antonio Roberto Nobrega de Araujo e Leopoldo de Barros Teixeira.
Cenipa iniciou os primeiros levantamentos
Após a localização dos destroços, investigadores do Cenipa e do Seripa V foram mobilizados para realizar a chamada Ação Inicial, em Urubici (SC), município onde ocorreu a queda.
Segundo a Força Aérea Brasileira (FAB), o Quinto Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos tem sede em Canoas (RS) e participa dos primeiros trabalhos relacionados à ocorrência.
Nesta fase, os especialistas fazem a coleta e a confirmação de informações sobre o acidente. Também são analisadas as condições dos destroços, os danos provocados na aeronave e os elementos encontrados nas proximidades do local da queda.
O helicóptero envolvido na ocorrência tinha matrícula PP-MGR e era um Bell 430. Os investigadores também podem reunir outros dados considerados importantes para reconstruir o voo e compreender quais circunstâncias podem ter contribuído para o acidente.
Investigação técnica é diferente da policial
Além do trabalho realizado pelo Cenipa, a Polícia Civil de Santa Catarina abriu uma investigação própria para apurar a ocorrência.
Os dois procedimentos têm objetivos diferentes. Enquanto a investigação conduzida pelo Cenipa possui caráter técnico e preventivo, buscando compreender o acidente e evitar novas ocorrências, o inquérito policial segue de maneira independente e pode apurar eventuais responsabilidades criminais.
A FAB informou que os dados referentes à ocorrência serão disponibilizados no Painel SIPAER, plataforma que reúne informações sobre acidentes e incidentes envolvendo a aviação civil brasileira, além de recomendações de segurança e relatórios produzidos a partir das investigações.
Como funciona a investigação de um acidente aéreo?
Depois que um acidente é comunicado, investigadores são deslocados até o local para dar início à chamada Ação Inicial. Dependendo das condições encontradas e das características da ocorrência, os profissionais podem registrar imagens dos destroços, recolher componentes, analisar documentos e buscar informações com testemunhas.
Todo esse material serve como base para as etapas seguintes da investigação. Os especialistas também avaliam diferentes aspectos relacionados à aeronave, à operação realizada e à atuação da tripulação, sempre levando em consideração os indícios encontrados.
A presença de uma investigação técnica, por si só, não significa que já exista uma conclusão sobre o que provocou a queda. A causa de um acidente só pode ser apontada depois da análise dos elementos disponíveis.
Investigação segue padrões internacionais
As apurações realizadas pelo Cenipa seguem normas específicas para investigações de acidentes aeronáuticos. Entre as referências utilizadas internacionalmente está o Anexo 13 da Convenção sobre Aviação Civil Internacional, que estabelece princípios para a investigação de acidentes e incidentes com foco na prevenção.
Durante o processo, os investigadores podem identificar situações que representem riscos para a segurança da aviação. A partir dessas constatações, podem ser elaboradas Recomendações de Segurança.
Essas recomendações têm como objetivo reduzir ou eliminar riscos identificados durante a investigação. Elas podem ser emitidas enquanto a apuração ainda está em andamento ou aparecer no relatório final.
Não existe prazo determinado para conclusão
A investigação do acidente que matou Rick não tem um prazo previamente estabelecido para ser concluída.
De acordo com a FAB, o trabalho será finalizado no menor período possível, levando em consideração a complexidade da ocorrência e a quantidade de informações que precisam ser analisadas.
No relatório final, serão apresentados os possíveis fatores contribuintes identificados pelos investigadores e, quando necessário, recomendações voltadas à segurança da aviação.
Gravadores de voo poderiam ajudar?
Os chamados gravadores de voo são equipamentos utilizados para registrar informações que podem auxiliar na reconstrução dos momentos que antecederam um acidente. Entre eles estão o CVR, responsável pelo registro de sons da cabine, e o FDR, que armazena dados relacionados ao voo.
A obrigatoriedade desses equipamentos varia de acordo com características específicas da aeronave e de sua operação.
No caso do Bell 430 envolvido no acidente, não havia exigência de gravador de dados de voo em razão do número de assentos. Já a obrigatoriedade do gravador de voz depende de critérios relacionados à certificação e à operação da aeronave. O helicóptero que caiu na Serra Catarinense não possuía caixa-preta.
Quando gravadores são encontrados e recuperados após um acidente, os registros podem ser analisados pelo Labdata, laboratório ligado ao Cenipa. As informações obtidas nesses equipamentos são comparadas com outros elementos reunidos durante a investigação.
Mesmo quando uma aeronave não possui gravadores de voo, os investigadores ainda podem utilizar diferentes fontes para tentar reconstruir o acidente, como os próprios destroços, documentos, registros operacionais, informações meteorológicas e depoimentos.
Por enquanto, a investigação continua em andamento, e os trabalhos técnicos deverão reunir novos elementos antes que seja possível apontar os fatores que contribuíram para a queda do helicóptero.
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