Neymar pede desculpas a Robinho Jr. após briga, mas ainda pode sofrer consequência
Neymar se desentendeu com Robinho Jr. em treino do Santos; advogado trabalhista explica as consequências jurídicas do caso
A discussão entre os jogadores foi motivada pelo fato de Neymar não ter gostado de um drible aplicado por Robinho Jr. e evoluiu para uma troca de empurrões, com um gesto mais ríspido do craque santista, que também deu uma rasteira no novato.
Após o empate por 1 a 1 do Santos diante do Deportivo Recoleta pela Copa Sul-Americana, Neymar quebrou o silêncio. "Foi um desentendimento que tivemos no treinamento. Foi uma reação que eu tive e acabei me excedendo um pouco. Mas logo após o ocorrido pedi desculpa, a gente conversou no vestiário e se entendeu ali. É um menino que eu gosto muito, tenho um carinho especial. Eu me excedi, poderia ter sido colocado de uma forma diferente, mas acabei perdendo a cabeça. Foi um erro meu, foi um erro dele. Eu errei um pouco mais", admitiu o camisa 10, em entrevista à ESPN.
Na segunda-feira, os representantes de Robinho Jr. enviaram uma notificação extrajudicial ao Santos exigindo medidas administrativas para apurar o ocorrido, divulgação das imagens do treino e uma reunião com a diretoria para discutir uma eventual rescisão, a diretoria santista interpretou a movimentação como uma forma de forçar uma venda do jogador na próxima janela de transferências. O próprio Robinho Jr., no entanto, recuou: "Foi um momento de raiva, meu e dos empresários. O sentimento falou mais alto que o pensamento. Eu poderia ter pensado duas vezes. Não era para isso vir a público. Está tudo resolvido"
Neymar ainda pode sofrer consequências
Do ponto de vista jurídico, o episódio tem desdobramentos relevantes. Para o advogado trabalhista Solon Tepedino, as punições possíveis a Neymar são variadas. "Se ficar comprovada uma conduta como agressão ou indisciplina grave, ele pode sofrer sanções trabalhistas como advertência, suspensão e até demissão por justa causa. No âmbito esportivo, a Justiça Desportiva pode aplicar suspensão por partidas, multas e outras penalidades previstas no regulamento", explica.
Sobre os direitos de Robinho Jr. nessa situação, o especialista é claro. "Ele tem o direito de buscar uma rescisão indireta do contrato de trabalho e cobrar indenização por danos morais, além de poder responsabilizar Neymar Jr. judicialmente. O clube também pode responder se não garantiu um ambiente seguro", afirma. A questão da alegação de falta de segurança, central na notificação enviada pelo estafe do jovem, tem uma condição específica para prosperar na Justiça. "Pode, desde que se comprove a existência de risco à integridade do atleta e que o clube foi omisso. Tendo comprovação, a Justiça do Trabalho tende a reconhecer a rescisão indireta com pagamento integral dos direitos. Sem provas, a saída pode ser interpretada como um pedido de demissão", conclui Solon Tepedino.
Robinho Jr. retirou a queixa
O advogado de Robinho Jr., Anderson Luna, formalizou oficialmente a retirada da queixa na tarde da quarta-feira (6). O próprio jogador admitiu que a decisão inicial foi tomada no calor do momento: "Ali foi um momento muito mais de raiva, meu e dos meus empresários, do que algo que eu queria que tivesse tomado essa proporção. Foi muito mais um sentimento do que um pensamento", disse.
Com o recuo do estafe, Neymar deve escapar de qualquer punição interna ou multa. A diretoria santista já avaliava que o episódio não daria respaldo jurídico para uma rescisão contratual, hipótese que havia sido levantada na notificação extrajudicial. O clube tratou o ocorrido como um incidente pontual e não reconheceu responsabilidade institucional no caso. Vale lembrar que a sindicância interna só foi instaurada depois que a briga vazou para a imprensa.