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Médium é acusada de forjar cartas psicografadas e cobrar doações

Médium é acusada de forjar cartas psicografadas usando publicações no Facebook e cobrar doações

31 ago 2026 - 15h07
(atualizado às 15h13)
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Resumo
A influenciadora e médium Maira Rocha, de Brasília, é acusada por dezenas de frequentadores de forjar cartas psicografadas para famílias em luto, além de praticar estelionato e assédio processual contra críticos. Segundo investigação, ela copiava dados das redes sociais das vítimas para criar as mensagens, chegando a pedir doações de até R$ 300 mil em nome dos mortos. A Federação Espírita do DF alertou para que fiéis desconfiem de atendimentos que envolvam contrapartidas financeiras.
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Uma investigação jornalística feita pelo portal Metrópoles trouxe à tona um escândalo que chocou a comunidade espiritualista do Distrito Federal e de diversos estados do país. A influenciadora e médium Maira Rocha, fundadora da Casa da Caridade Inácio Daniel, localizada na Área de Desenvolvimento Social (ADE) de Águas Claras, a cerca de 20 km da Esplanada dos Ministérios, está sendo acusada por dezenas de frequentadores de forjar cartas psicografadas destinadas a famílias em momentos de luto profundo.

Médium é acusada de forjar cartas psicografadas e cobrar doações
Médium é acusada de forjar cartas psicografadas e cobrar doações
Foto: Divulgação/ Portal Metrópoles / Contigo

A influenciadora, que conta com uma comunidade de mais de 757 mil seguidores no Instagram, é alvo de sérias denúncias de estelionato, manipulação e abuso de vulnerabilidade emocional.

De acordo com dezenas de relatos colhidos com homens e mulheres que buscaram consolo no centro espírita, a suposta conexão de Maira com o plano espiritual não passava de um minucioso trabalho de apuração em fontes abertas da internet.

Frases inteiras, lembranças de roupas e jargões familiares eram transcritos ipsis litteris de postagens públicas do Facebook e Instagram das próprias vítimas ou de parentes. O material investigado revelou contradições absurdas, como a menção a netos que não existiam (fruto de má interpretação de fotos de noras no Facebook), o uso de apelidos virtuais que o falecido jamais usava em vida e até a psicografia de recados atribuídos a pessoas que ainda estavam vivas.

Em um dos casos mais graves, a médium chegou a redigir uma suposta carta onde o espírito de um jovem pedia aos pais que doassem integralmente uma poupança de R$ 300 mil para a instituição de Maira.

Um dos relatos detalhados pela reportagem exemplifica a atuação da médium com um frequentador de 52 anos que buscou uma mensagem da falecida mãe. A carta citava a mãe ensinando a oração da Salve Rainha com uma "régua na mão". O trecho era a cópia exata de um comentário antigo deixado no perfil do Facebook da falecida.

A mensagem utilizou o apelido virtual "Julie" para uma irmã da falecida — nome que ela jamais usava no convívio familiar — e citou uma neta inexistente, além de esquecer o nome de netos reais. Trechos adicionais da psicografia foram rastreados até postagens antigas feitas em comunidades de ciclistas no Facebook, comprovando a pesquisa prévia sobre a vida da pessoa falecida.

Terror psicológico, clima de medo e assédio processual

As vítimas ouvidas pela reportagem relataram um cenário contínuo de medo e retaliação para quem tentasse questionar os métodos do centro.

Maira Rocha não tolerava dúvidas sobre a autenticidade de suas psicografias. Quem ousava contestar o teor das cartas tornava-se alvo de enxurradas de processos cíveis e criminais, além de registros de boletins de ocorrência sob a acusação de intolerância religiosa.

Uma das vítimas, que perdeu o marido, relatou ter desenvolvido crises de pânico após constatar que o consolo recebido era falso. "Ela me iludiu demais e acabou sendo um trauma muito grande para mim. A Maira destruiu o pouco que eu ainda tinha", desabafou.

Alerta da Federação Espírita do DF (FEDF)

Em nota e orientações públicas, a Federação Espírita do Distrito Federal (FEDF) reforçou a necessidade de cautela por parte do público perante atendimentos mediúnicos que envolvam contrapartidas financeiras ou materiais.

"Desconfiem quando qualquer pessoa, site, ou instituição oferece qualquer atendimento com algum tipo de pagamento, curtida, publicidade, ou mesmo doação, pois os médiuns espíritas devem seguir a orientação de Jesus em dar de graça o que de graça receberam", alertou a instituição, citando o preceito básico da doutrina de que a caridade mediúnica não deve cobrar ou exigir nada em troca.

Em seu site oficial, a Casa da Caridade Inácio Daniel informa que o serviço de recepção de nomes no livro de psicografia é gratuito e que a entrega das cartas depende exclusivamente de autorização espiritual. A instituição defende que "o telefone só toca de lá para cá", embora as evidências apresentadas pela investigação jornalística apontem para a coleta deliberada de informações de pessoas vivas para a confecção dos textos.

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