Influenciador investigado por desvio de R$ 146 milhões via Pix é preso novamente
Empresário, que já é investigado por suposto desvio de R$ 146 milhões via Pix, é acusado de ameaçar dois empresários e seus familiares durante disputa por dívida milionária
O influenciador Gabriel Spalone foi preso em São Paulo por suspeita de extorsão e ameaça contra empresários por uma dívida. Ele teria ameaçado sequestrar familiares das vítimas e alegado ligação com o PCC, acusação negada por sua defesa. Spalone já respondia em liberdade provisória por furto qualificado e associação criminosa, acusado de integrar um esquema que desviou R$ 146 milhões via Pix em 2025, caso pelo qual chegou a ser detido na Argentina pela Interpol e extraditado ao Brasil.
O influenciador e empresário Gabriel Spalone foi preso novamente em São Paulo, suspeito de extorquir e ameaçar dois empresários durante uma disputa envolvendo uma dívida milionária. O investigado já havia sido alvo de uma operação policial em 2025, relacionada a um suposto esquema de desvio de R$ 146 milhões por meio de transferências via Pix.
A nova prisão foi realizada por agentes da 1ª Delegacia Antissequestro, vinculada ao Departamento de Operações Policiais Estratégicas (Dope). Os policiais cumpriram mandados de prisão temporária e de busca e apreensão expedidos pela Vara Regional das Garantias de Osasco, na Grande São Paulo.
Segundo a investigação, Spalone teria ameaçado Marcio Eduardo Nozari e Marcel Rosica Anconi, sócios da empresa Cargobr Transportes Ltda., após um desentendimento financeiro.
Gabriel Spalone é acusado de ameaçar empresários e citar o PCC
De acordo com a denúncia, depois de conseguir a liberdade provisória no processo relacionado ao suposto desvio milionário via Pix, Gabriel Spalone passou a cobrar dos empresários uma quantia que afirmava ter a receber.
Os sócios, por outro lado, sustentam que a dívida já havia sido compensada por valores relacionados a outra negociação envolvendo Marcio e o influenciador, que teria provocado prejuízos financeiros. A divergência sobre o pagamento teria dado início a uma série de cobranças e supostas ameaças.
Ainda segundo a acusação, Spalone teria intimidado os dois empresários e o advogado deles, identificado como Bruno. O influenciador é acusado de afirmar que integrava o Primeiro Comando da Capital (PCC) e de ameaçar sequestrar familiares dos envolvidos caso o valor exigido não fosse pago.
As alegações sobre ligação com a facção criminosa fazem parte da denúncia e não foram comprovadas nas informações divulgadas. Diante dos relatos, a Justiça de Osasco autorizou a prisão temporária do influenciador. A audiência de custódia está prevista para esta quinta-feira (8).
O que diz a defesa de Gabriel Spalone?
O advogado Eduardo Maurício, responsável pela defesa do empresário, informou que ainda não teve acesso aos autos da nova investigação, que tramita sob segredo de Justiça.
A defesa negou que Gabriel Spalone tenha ligação com o PCC e afirmou que pretende solicitar sua liberdade durante a audiência de custódia. Caso o pedido não seja atendido, os advogados também poderão requerer a revogação da prisão temporária. Gabriel Spalone já havia sido preso por investigação de R$ 146 milhões via Pix
A nova detenção ocorre meses depois de Gabriel Spalone conseguir liberdade provisória em outro processo criminal. Em fevereiro de 2026, a Justiça autorizou sua soltura no âmbito da investigação sobre um suposto esquema de transferências fraudulentas que movimentou R$ 146 milhões por meio do Pix.
O influenciador responde a um processo criminal por furto qualificado e associação criminosa relacionado ao caso. Em setembro de 2025, ele havia sido preso no Aeroporto Internacional de Buenos Aires, na Argentina, após ser incluído na Difusão Vermelha da Interpol.
Antes disso, Spalone passou por Dubai e chegou a ser detido no Panamá, mas foi liberado porque seu nome ainda não constava no alerta internacional. Horas depois, foi incluído na lista de procurados e acabou preso ao desembarcar na capital argentina.
A operação contou com a participação da Polícia Federal, da Polícia Civil de São Paulo e de autoridades da Argentina, do Panamá, do Paraguai e dos Estados Unidos. Posteriormente, o empresário foi extraditado para o Brasil.
Como funcionava o suposto esquema de R$ 146 milhões?
Segundo a Polícia Civil de São Paulo, Gabriel Spalone é suspeito de envolvimento em um esquema de transferências irregulares realizadas por empresas que ofereciam serviços financeiros digitais, incluindo operações de câmbio, criptomoedas e pagamentos.
As empresas investigadas não possuíam autorização do Banco Central para realizar transferências diretamente pelo sistema Pix e utilizavam a estrutura de instituições financeiras autorizadas. De acordo com os investigadores, em fevereiro de 2025, as empresas ligadas ao influenciador teriam realizado mais de 600 transferências em menos de cinco horas, utilizando dez contas de um mesmo banco.
As operações totalizaram aproximadamente R$ 146 milhões. A instituição financeira identificou as movimentações suspeitas e conseguiu recuperar cerca de R$ 100 milhões. Outros dois investigados, Guilherme Sateles Coelho e Jesse Mariano da Silva, também foram presos durante a apuração. Segundo a polícia, os dois teriam recebido quase R$ 75 milhões em operações relacionadas ao esquema.
Gabriel Spalone segue respondendo às acusações relacionadas ao caso anterior e agora também é investigado pelas denúncias de extorsão e ameaças. As suspeitas ainda dependem de apuração e decisão judicial.
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