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Flávia Alessandra revisita suas personagens inesquecíveis

Brilhando intensamente em 'Quem Ama Cuida', como a exuberante Fábia, a atriz rememora seus papeis mais emblemáticos

12 set 2026 - 19h27
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Resumo
Em destaque na novela "Quem Ama Cuida" como a complexa Fábia, Flávia Alessandra celebrou 37 anos de carreira revisitando seus papéis mais marcantes. A atriz relembrou desde a estreia jovem em "Top Model" e a virada profissional em "História de Amor" e "A Indomada", até o sucesso como protagonista em "Porto dos Milagres" e "Caras & Bocas". Flávia também destacou a repercussão de figuras icônicas como a dançarina Alzira de "Duas Caras", o desafio duplo em "Morde & Assopra" e as vilãs Cristina e Sandra.

Em Quem Ama Cuida, Fábia vive numa realidade paralela. Uma vida de ilusões, que cai por terra no capítulo do sábado 13/09, quando descobre que o marido, Ulisses (Alexandre Borges), é viciado em jogo e que vendeu sua parte na joalheria da família para uma desconhecida. O mundinho cor de rosa de Fabia vira ao avesso e o público se delicia com o desempenho fascinante e cheio de camadas de sua intérprete, Flávia Alessandra, que mergulha no abismo na nova fase da exuberante Fábia.

Aos 52 anos de vida e 37 de carreira, Flávia é dona de uma galeria de personagens inesquecíveis e pedimos para a atriz listar aqueles que considera mais emblemáticas.

Confira!

Top Model (1989) - Tânia

"Top Model foi literalmente o começo de tudo. Eu tinha apenas 15 anos, tinha acabado de vencer o concurso do Domingão do Faustão e estava descobrindo aquela profissão que sonhava desde criança. A Taninha era uma personagem pequena, mas representou uma porta enorme se abrindo para mim.

Eu estudava de manhã, na Tijuca, e morava na Barra. Uma kombi passava para buscar o elenco e seguíamos direto para as gravações. Naquela época ainda não existiam os Estúdios Globo, então gravávamos em vários lugares da cidade. Lembro que a nossa principal locação era a Praia da Macumba, que era praticamente deserta. A Globo construiu uma casa ali para a novela e eu saía da escola direto para a praia, almoçava por lá e começava a gravar. Hoje isso seria impossível. Em cinco minutos a internet lotaria o lugar, mas naquela época a notícia demorava dias para circular.

Tenho lembranças muito divertidas. Uma delas foi uma cena de briga com a Suzy Rêgo, em que ela jogava um copo de suco na minha cabeça. Misturou areia com aquele suco e virou uma massa no meu cabelo. Eu também nunca tinha feito uma cena de briga e dá para perceber claramente que eu estava com medo de machucá-la. Outra lembrança engraçada foi quando fui passar um fim de semana em Arraial do Cabo, voltei completamente queimada de sol e os diretores ficaram desesperados por causa da continuidade das cenas. Foi ali que aprendi uma das primeiras lições da televisão."

Foto: Mais Novela

História de Amor (1995) - Soninha

"A Soninha foi a primeira personagem que realmente me deu visibilidade. Foi quando senti que estava participando da narrativa da novela do começo ao fim. Eu era a melhor amiga da protagonista, então estava presente em muitas cenas, e isso mudou completamente minha trajetória.

Nessa época eu fazia duas faculdades ao mesmo tempo: Direito pela manhã e Comunicação à noite, enquanto gravava. Sempre fui criada sabemdo que precisava ter independência financeira, porque viver de arte no Brasil nunca foi fácil. Eu via muitos talentos desistindo da profissão e queria ter um plano B.

Mas História de Amor mudou esse cenário. Toda segunda-feira gravávamos em um clube no Leblon, justamente no único horário em que eu tinha aula de uma matéria da faculdade. Era muito difícil conciliar tudo mas foi a primeira vez que a vida me mostrou que a atuação realmente poderia ser o meu caminho.

No fim da novela, recebi um fax do Manoel Carlos me parabenizando pelo trabalho e agradecendo por ter dado vida à Soninha. Foi a primeira chancela que recebi de um autor e aquele gesto me deu ainda mais certeza de que eu tinha feito a escolha certa."

Foto: Mais Novela

A Indomada (1997) - Dorothy

"A Dorothy foi um divisor de águas. Pela primeira vez eu tinha uma personagem com família, casa, história e um arco dramático muito consistente. Ela era doce, insegura e sofria muita pressão por ainda estar solteira. Depois de uma grande decepção amorosa, tenta tirar a própria vida e renasce quando conhece o personagem do Marcos Frota.

O mais bonito era justamente acompanhar essa transformação. Ela deixa de viver para agradar os outros e entende que o amor não precisa seguir regras impostas pela sociedade. O final dela, decidindo que não precisava se casar para provar nada a ninguém, era extremamente moderno para a época.

A Dorothy me deu uma projeção muito grande. Foi quando senti que realmente havia conquistado meu espaço como atriz."

Foto: Mais Novela

Porto dos Milagres (2001) - Lívia

"A Lívia foi minha primeira protagonista de uma novela e isso já torna essa personagem inesquecível. Recebi o convite quando estava no final da gravidez da Giulia e aceitei sem pensar duas vezes. Quando comecei a gravar, ela tinha apenas dois meses e foi comigo para a Bahia. Tenho fotos lindas dela ainda bebê nos bastidores.

Lembro muito de uma sequência logo no início da novela, quando a Lívia quase morre em uma tempestade no mar e é salva pelo personagem do Marcos Palmeira. Enquanto ele a resgata, passa a enxergá-la como uma representação de Iemanjá. Acho essa cena de uma beleza impressionante e ela ficou marcada para sempre na minha memória."

Foto: Mais Novela

Alma Gêmea (2005) - Cristina

"A Cristina foi um marco absoluto na minha carreira. Depois de alguns anos longe das novelas, eu queria voltar de uma maneira completamente diferente e fazer uma vilã foi a melhor decisão possível.

Ela despertava um ódio muito verdadeiro no público. Cheguei a ser atacada na rua por pessoas que confundiam atriz e personagem. Hoje isso parece até engraçado, mas mostra a força que ela tinha.

Era uma personagem deliciosa de interpretar. As roupas eram impecáveis, os chapéus maravilhosos, e ela viveu cenas inesquecíveis: queimando o ateliê da Luna, manipulando o Rafael, brigando com a Serena, caindo no chiqueiro... Acho que a Cristina entrou definitivamente para a história da dramaturgia brasileira e fico muito feliz por fazer parte disso."

Foto: Mais Novela

Duas Caras (2007) - Alzira

"A Alzira foi um furacão. Ela começou como uma personagem pequena e acabou conquistando o Brasil. Sempre digo que era um mulherão, muito à frente do seu tempo.

Quando o Wolf Maya comentou que provavelmente usaríamos uma dublê nas cenas de pole dance, eu pedi para tentar fazer tudo. Passei meses treinando, instalei uma barra de pole dance em casa, estudava praticamente todos os dias e ainda procurei uma professora que realmente trabalhava em casas noturnas para aprender uma dança mais sensual.

Eu participava das coreografias, das escolhas de figurino e da construção da personagem. Depois, a novela ajudou até a popularizar o pole dance nas academias. A Alzira defendia a independência feminina, fazia escolhas sem culpa e terminou a história seguindo sua própria vida. Era uma personagem muito moderna e fico feliz de ter ajudado a contar essa história."

Foto: Mais Novela

Caras & Bocas (2009) - Dafne

"Caras & Bocas foi um fenômeno. Acho que boa parte dos fãs que me acompanham até hoje surgiu nessa época. A Dafne era uma protagonista forte, divertida e completamente fora dos padrões das mocinhas tradicionais.

Também guardo lembranças muito especiais dos bastidores. Foi nessa novela que conheci uma das minhas grandes amigas da vida, a Ingrid Guimarães. O Otaviano também fazia parte do elenco, então nos encontrávamos bastante durante as gravações.

Teve ainda no início da novela uma sequência gravada na África, que foi inesquecível, e várias cenas da relação entre a Dafne e a personagem da Isabelle Drummond, a Bianca, que me faziam lembrar muito da minha convivência com a Giulia. Foi uma novela muito feliz para mim."

Foto: Mais Novela

Morde & Assopra (2011) - Naomi / Naomi Robô

"Quando o Walcyr me contou que existiria uma robô na novela, eu disse na hora: 'Eu quero fazer'. Achei que talvez nunca mais tivesse outra oportunidade de interpretar uma personagem como aquela.

Foi um trabalho muito técnico. Estudei robótica, linguagem corporal e procurei construir movimentos completamente diferentes para a Naomi Robô. Como ela e a Naomi humana tinham caracterizações muito distintas, muitas vezes eu gravava todas as cenas como uma personagem, trocava completamente cabelo, maquiagem e figurino, e gravava tudo novamente do ponto de vista da outra.

A cena do tribunal, quando a Naomi Robô assume toda a responsabilidade e revela ser uma androide, continua sendo uma das minhas favoritas. Foi uma personagem que começou como mocinha, virou vilã e terminou redimida. Um presente para qualquer atriz."

Foto: Mais Novela

Êta Mundo Bom! (2016) / Êta Mundo Melhor! (2025) - Sandra

"A Sandra entrou para a galeria das grandes vilãs da televisão. Ela tinha humor, ironia, inteligência e uma ambição completamente sem limites. Acho engraçado como ela acabou sendo associada à Cristina por causa da obsessão pelas joias e pela herança mas acho as duas muito diferentes. Cristina era soturna, fechada e pragmática. A Sandra é iluminada, exuberante e pra fora. Uma tinha todos os seus desejos reprimidos e a outra não, a Sandra se realizava e se mostrava, mesmo para época. A força que movia a Cristina era o amor, essa obsessão doentia pelo Rafael. Já a Sandra não, a motivação dela sempre foi o dinheiro.

Voltar para viver essa personagem dez anos depois foi um presente. Eu já tinha encerrado meu contrato de exclusividade com a Globo e retornei justamente para Êta Mundo Melhor!. Inicialmente seria apenas uma participação, mostrando a Sandra na prisão, algo que o público nunca tinha visto. Mas ela acabou crescendo novamente e fiquei até o fim da novela.

Também foi divertido construir a Baronesa, seu alter ego, gravando com tapa-olho e uma nova caracterização. Posso dizer que tive o privilégio de participar de uma continuação de novela vivendo exatamente a mesma personagem. É algo muito raro na carreira de um ator."

Foto: Mais Novela

Quem Ama Cuida (2026) - Fábia

"A Fábia representa um momento muito especial da minha trajetória. Depois de tantos anos de carreira, ainda encontrar uma personagem que me diverte, me desafia e me surpreende é um privilégio enorme.

Ela chega parecendo apenas uma mulher extravagante, vaidosa e cheia de humor, mas aos poucos vai revelando muitas camadas e segredos. Acho que esse é o maior encanto dela: mostrar que ninguém é feito de uma coisa só.

É muito gostoso perceber que, depois de tantas décadas de carreira, ainda consigo encontrar personagens que despertam essa curiosidade no público e também em mim como atriz. A Fábia me lembra justamente por que continuo apaixonada por contar histórias."

Mais Novela
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