Fafá de Belém sobre reunir LGBTs e diversas religiões no Círio: 'Nossa fé não está aqui para punir'
Cantora fundou há 16 anos a Varanda de Nazaré para ampliar a visibilidade da festa católica
Todo ano, a cantora Fafá de Belém, de 70 anos, fica bastante atarefada em outubro. Há 16 anos, ela fundou a Varanda de Nazaré, evento no qual traz personalidades para conhecerem um pouco do Círio de Nazaré, uma das maiores manifestações católicas do mundo.
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Questionada sobre a razão para idealizar o evento, ela respondeu que se trata de um momento de encontro entre diferentes tipos de fé. “Trago personalidades múltiplas, jornalistas, cantores, teólogos, padres, pais de santo, babalorixá, pastor e drags. Eu trago pessoas por quem eu tenho admiração pela sua trajetória, trago para ver no nosso povo, porque a gente é caboclo e ficamos muito felizes quando olham para a gente”, afirmou ela, em entrevista concedida à revista Quem e veiculada neste domingo, 11.
O Círio, originalmente, é uma procissão católica. Entretanto, a cantora deixou de ver a festa dessa forma.
“A devoção à Nossa Senhora é tão grande que aqui ela é Naza, Nazinha, Nazarezinha. Temos Nossa Senhora como uma entidade distante, mas ela é próxima. E, como ela é próxima, ela permite que a gente tenha uma intimidade muito grande com ela. O profano se mistura ao sagrado, então a cada ano as manifestações vão crescendo mais. Se você quer conhecer o Pará, venha durante o Círio. É a explosão do paraensismo”, comentou.
Questionada sobre misturar convidados LGBTs e diversas religiões na festa católica, ela falou sobre a abertura para o novo. “Acho que o diferente do Círio é que é uma fé feliz, é uma procissão que é alegre. Nossa fé pensa no futuro, não se apega ao passado. Ela não está aqui para punir ninguém, ela está aqui para perdoar e seguir em frente”.
Mercadologicamente, ela também considera seu projeto algo de extremo sucesso para a região. “A Varanda de Nazaré modificou e mexeu profundamente no turismo do Pará. Uma demanda de pessoas exige contratação. Quantos hotéis surgiram? Quantos restaurantes surgiram? Para a Varanda, nós empregamos 1.500 pessoas todo ano. A gente começa a contratar em março, e [a maioria] são trabalhadores paraenses”.
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