Estrela de 'Quem Ama Cuida', Isabel Teixeira descobre diagnóstico sensível: 'Síndrome'
Isabel Teixeira celebra a maturidade e diz que mulheres se tornam "sábias, feiticeiras" com a idade; ginecologistas explicam como ressignificar a menopausa
A atriz Isabel Teixeira, de 54 anos, protagonista da novela Quem Ama Cuida, da Globo, deu uma entrevista que rapidamente ressoou nas redes sociais ao falar com leveza e profundidade sobre o processo de envelhecimento feminino.
"A partir de uma certa idade, nos tornamos sábias, feiticeiras", declarou, reforçando sua visão de que a maturidade traz autoconhecimento e poder interior. A atriz, que enfrenta a Síndrome de Li-Fraumeni, condição genética rara que aumenta o risco de múltiplos tipos de câncer e que a levou a realizar uma mastectomia dupla preventiva, afirmou que a síndrome, paradoxalmente, a ensinou a viver melhor.
"É uma síndrome que me faz buscar qualidade de vida: comer bem, respirar, ficar calma, fazer esporte, não como uma obrigação estética, mas como uma forma de estar com as células ativas", contou. Sobre a menopausa, fase para a qual ainda se prepara, ela também adotou a mesma perspectiva de movimento: "Agora acho que é um assunto falar da menopausa, que a gente está vivo, que não podemos ser inviabilizados."
O posicionamento da atriz encontra eco entre especialistas que há anos trabalham para mudar a narrativa em torno dessa fase. Para a ginecologista Beatriz Tupinambá, a menopausa ainda carrega estigmas pesados. "Ela ainda é frequentemente associada à perda da juventude, da feminilidade, da produtividade e até mesmo da sexualidade. Esses estigmas fazem com que muitas mulheres vivam essa fase com vergonha e medo, acreditando que os sintomas são algo que precisam suportar por serem 'naturais'."
A médica, criadora do Método Ressignifica Menopausa, que já transformou a vida de mais de 20 mil mulheres, defende uma virada de chave: "A menopausa não representa uma pausa na vida da mulher. Muito pelo contrário: trata-se de uma transição que convida a viver com mais saúde, vitalidade e plenitude. Muitas mulheres passam a se posicionar mais, a se priorizar, a investir no autocuidado e a estabelecer novos objetivos", afirma.
A ginecologista Fernanda Torras reforça que essa mudança de percepção também já chegou à medicina. "Existe uma denominação de vigor e liberdade pós-menopausa. A mulher deixa de ter as oscilações hormonais que geram TPM e transtornos psicológicos de altos e baixos. Do ponto de vista emocional, muitas vezes nessa fase os filhos já estão criados, há maior liberdade para exercer atividades, monitorar a própria agenda e procurar hobbies que trazem prazer", explica.
Ela também destaca a evolução dos estudos sobre reposição hormonal: "Desmistificamos os achados que até então tínhamos, de que a reposição poderia aumentar riscos como câncer de mama e risco cardiovascular. Hoje vemos que mulheres tratadas com reposição hormonal têm uma expectativa de vida com melhor qualidade, e os riscos, desmistificamos, não aumentam de forma significativa", pontua.
Para quem deseja atravessar essa fase com mais bem-estar, Dra. Beatriz orienta: "O cuidado deve ser individualizado e abrangente. Entre as principais medidas estão a prática regular de atividade física, especialmente exercícios de força, alimentação equilibrada, sono de qualidade, manejo do estresse e acompanhamento médico periódico. Além disso, não se pode deixar de lado a importância dos vínculos sociais: pertencer a uma comunidade e manter relações saudáveis contribui para a longevidade. Quando a mulher aprende a cuidar de si de forma integral, ela passa a viver a menopausa com mais equilíbrio, bem-estar e qualidade de vida", conclui.
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