Dra. Tainá Oliveira defende que pediatria se fortalece com escuta ativa
Médica formada pela UFRJ une experiência em CTI e consultório ao orientar famílias sobre sono, desenvolvimento, telas e participação dos pais
A pediatra Tainá Oliveira atua em uma fronteira prática que combina ciência, escuta e participação ativa dos pais. Formada pela UFRJ, com residência em Pediatria e vivência em Terapia Intensiva Pediátrica, ela sustenta uma visão que atravessa o consultório e alcança o cuidado de alta complexidade. "Eu coloco a pessoa no centro da avaliação, com suas necessidades e peculiaridades, e não só a doença", afirma.
Criada no Rio de Janeiro, Tainá nasceu em Laranjeiras e cresceu em uma família que valoriza a educação. "Meus pais são da Zona Norte, minha mãe é professora, meu pai militar, e sempre priorizaram o estudo", relembra. Vinda de escola pública, estudou dois anos por conta própria até conquistar a vaga em Medicina na UFRJ. Ainda na graduação, ingressou no programa MD-PhD, que permite iniciar o doutorado durante o curso. "O contato com pesquisa me encanta; traduzir ciência para a prática faz diferença no atendimento", comenta. A defesa do doutorado ocorre em 2024, já com a residência em Pediatria concluída.
Da pesquisa ao CTI pediátrico
Ao concluir a residência, Tainá é convidada a integrar uma Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica em Niterói. "Era o ambiente mais complexo da pediatria e eu recém-formada", recorda. O passo seguinte vem com estratégia: pós-graduação em Terapia Intensiva para ampliar segurança técnica em cenários críticos.
A experiência mostrou, de forma direta, o impacto da humanização. "No CTI, a clareza e o respeito à individualidade reduzem a angústia e melhoram a adesão", explica. Entre as práticas, ela destaca o round à beira-leito, que reúne equipe e família para discutir condutas de forma transparente. "Quando os pais participam e entendem o que está acontecendo, o vínculo se fortalece e a adesão ao tratamento melhora", afirma.
Pandemia, saúde mental e resiliência
O caminho até a conclusão do doutorado coincidiu com a pandemia de Covid-19, período que trouxe obstáculos pessoais e profissionais. "A pandemia atrasou minha defesa e exigiu enfrentar batalhas com a saúde mental", relata. Ela considera que essas vivências reforçaram a empatia no cuidado com as famílias. "Reconhecer limites e acolher fragilidades também faz parte da prática clínica", acrescenta.
Essa experiência contribuiu para que valorizasse ainda mais o equilíbrio interno. "Sempre que reviso minhas metas e hábitos, percebo que a medicina vai além da técnica; exige que nós estejamos bem por dentro para poder cuidar do outro", reflete.
Consultório e teleconsulta com foco na escuta
No consultório em Botafogo e em Ipanema, a médica investe em processos simples e consistentes desde o primeiro contato. "Escutar sem pressa muda o desfecho clínico e a confiança", destaca. Para garantir acolhimento, substitui sistemas automatizados de agendamento por atendimento humano. "O agendamento com alguém que ouve e orienta faz diferença; robotizar o primeiro contato afasta", avalia.
O cuidado inclui também treinamento específico da secretária que atua na recepção. "Não basta colocar alguém para atender; é preciso que conheça os valores e a missão do consultório para transmitir segurança e acolhimento", explica.
A mesma lógica orienta a teleconsulta, usada com critério. "Tecnologia ajuda quando organiza o cuidado e evita exposições desnecessárias a emergências", afirma. Há limites claros: "Teleconsulta não substitui avaliação presencial quando há sinais de alerta", pontua.
Desenvolvimento infantil e participação dos pais
Os temas que mais mobilizam dúvidas são recorrentes: desenvolvimento, sono e uso de telas. "O excesso de informação confunde; nosso papel é ser ponte entre ciência e família", resume.
Na prática, Tainá transforma marcos técnicos em exemplos cotidianos. "Dou exemplos práticos para cada fase", conta. Ela ensina pais a observar sustentação da cabeça, postura ao sentar sem apoio e contato olho no olho. "Compreender marcos e saber como olhar antecipa intervenção quando necessário", reforça.
A socialização também entra no radar. "É importante notar se a criança brinca com pares, tolera toque e interage", orienta. Na rotina, defende presença ativa da família. "A criança aprende com exemplo; presença diária, mesmo curta, vale muito", diz. Sobre telas, é objetiva: "Até dois anos, evitar; depois, introduzir com tempo limitado e supervisão", recomenda.
Sono, alimentação e prevenção
Quando o tema é sono, Tainá desfaz mitos comuns. "Choro é linguagem e não sinônimo automático de algo grave", explica. A construção de uma rotina noturna previsível melhora início e manutenção do sono. "Banho, toque, luz baixa e ausência de telas antes de dormir sinalizam para o corpo que é hora de descansar", detalha. A angústia de separação, comum a partir de seis meses, pede acolhimento consistente. "O bebê reconhece segurança no colo e estranha o berço; respeitar a etapa e manter consistência ajuda", comenta.
Sobre alimentação, destaca introdução prazerosa e saudável, com atenção às recomendações atuais para prevenção de alergias, sempre em diálogo com o pediatra. Na prevenção, reforça o papel do Programa Nacional de Imunizações e de medidas de base. "Atividade física, alimentação adequada, rotina de sono e limites para telas formam um eixo de proteção", resume. Em quadros respiratórios, frequentes na infância, indica medidas simples e eficazes. "Higiene das mãos, etiqueta da tosse e acompanhamento definem o rumo do caso", explica.
Continuidade até a adolescência e trabalho em equipe
Para Tainá, a pediatria não termina na infância. "O pediatra acompanha até os 17 anos e 11 meses; quando necessário, compartilho com hebiatra", esclarece. A continuidade de vínculo é vista como fator de saúde. "Ver o paciente que conheci no pré-natal atravessando fases reforça a potência do acompanhamento", afirma.
Ela também valoriza o trabalho em equipe. "Adoro quando conseguimos atuar em conjunto com psicólogos, nutricionistas ou hebiatras, porque o cuidado fica mais completo", destaca. Para a pediatra, a prática multiprofissional reflete a complexidade do desenvolvimento humano.
Planos futuros e atualização constante
No curto prazo, a pediatra busca ampliar horários e avaliar novos endereços para facilitar o acesso de famílias de diferentes bairros, como a Barra. "Estudo abrir novo endereço mantendo o mesmo padrão de acolhimento", adianta. A rotina inclui congressos e cursos de aperfeiçoamento. "Qualquer tecnologia que eu adote precisa ter base científica e indicação precisa", enfatiza.
Além disso, a pediatra tem investido em personalizar o atendimento para a puericultura e no acompanhamento de pacientes neurotípicos, como crianças com autismo. "Essas crianças também precisam de acompanhamento do desenvolvimento como qualquer outra, mas apresentam peculiaridades que nem todo pediatra está habituado a olhar. Por isso, tenho buscado ampliar meu conhecimento nessa área", destaca.
"Crianças são sementes do futuro; um ambiente que acolhe e estimula hoje devolve bons frutos amanhã".
CRM 521161059 | RQE 45856
Fotos: Estúdio Carol França
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