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Cyda Moreno celebra protagonismo em Dona de Mim e reflete sobre autoestima e representatividade

Após mais de 20 anos longe da Globo, Cyda Moreno se emociona ao interpretar Yara, personagem que reflete força, liberdade e a presença das avós negras na periferia do Brasil

2 out 2025 - 19h05
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Após mais de 20 anos longe da Globo, Cyda Moreno se emociona ao interpretar Yara em Dona de Mim em um set majoritariamente negro e reflete sobre autoestima e segurança.

Cyda Morena
Cyda Morena
Foto: Contigo! Novelas / Contigo

Como é fazer parte dessa novela?

"É uma confluência de uma jornada muito longa, não só minha, mas de todos que caminharam comigo, vieram antes e ainda virão. Eu vejo a avó Yara sendo de uma responsabilidade muito grande pelo que ela representa. Ela representa milhares de avós de comunidade, do povo negro de periferia do Brasil. Eu sou professora de escola pública, não atuo mais na sala de aula, mas continuo no estado. Trabalhei

nove anos na sala de aula em Nova Iguaçu, fiz muitos projetos sociais, dei aula de teatro. Quando me vem essa personagem, me lembro da quantidade de avós que eu recebia na escola quando trabalhava. As meninas são mães muito novas e a avó naturalmente vai ser muito nova também. E, na maioria das vezes, é a avó que cria. Os pais acabam abandonando as famílias, se envolvem com bebida ou drogas, são as mães que enfrentam a labuta e a avó que vai criar. A Yara é o somatório disso tudo, está muito próxima de mim. Ela é uma mulher cheia de energia, que está junto com as netas, vibrando lado a lado, sem perder o vigor da vida, a beleza e a fé no amor. Ela tem uma autoestima enorme. Ela pode ter qualquer problema, mas vai continuar impecável. Eu falava que podia não ter dinheiro para comer, mas o dinheiro da tinta de cabelo é sagrado!"

A Yara está envolvida num triângulo amoroso...

"A Yara é totalmente dona de si. Tenho essa diferença dela, de não ter essa coragem de ir para cima dos homens e da felicidade, dessa liberdade como ela tem. O que vai acontecer é que a Yara vai para cima desse homem, mas ele quer outra, então ela sai pela tangente. Mas ela sempre afirma o quanto é dona de si. Se ele não quiser, vai ter outro. Ela nunca estará totalmente disponível porque antes de um homem tem ela".

Como é ter esse lugar de destaque na novela?

"É muito significativo fazer essa personagem depois de tantos anos de carreira, depois de não ocupar um lugar de destaque na teledramaturgia. Hoje, estamos chegando a um lugar de a televisão ter outra cara. Isso me emociona. Chegar ao set e ver que temos um elenco majoritariamente negro. Esse quadro era impossível de se pensar. Eu cheguei à Globo em 1997 e fazia papéis muito pequenos. A gente não ocupava o centro da cena, nós não éramos os principais. É só assistir às novelas antigas, era outro Brasil. Quando vejo um set inteiro de atores negros tendo destaque, protagonismo, é muito emocionante. Eu fiquei 22 anos sem ter um contrato. Esse universo das artes é muito amplo. Nesse tempo, trabalhei em muitos projetos sociais, dirigi um espetáculo em Londres".

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