Cartolouco vai ser preso? Saiba o que pode acontecer após denúncias de três ex-namoradas por violência física
Cartolouco vira réu após denúncias de três ex-namoradas por violência física e psicológica; influenciador nega acusações e ataca o Fantástico
ALERTA: Se você vive ou viveu uma situação de violência doméstica, ligue 180. O serviço funciona 24 horas e é gratuito.
O jornalista esportivo e influenciador Lucas Strabko, o Cartolouco, tornou-se o centro de uma grave polêmica após o Fantástico, da TV Globo, exibir no domingo (12) uma reportagem com denúncias de violência doméstica feitas por três ex-namoradas.
O programa apresentou imagens de câmeras de segurança registradas em 31 de janeiro, em São Paulo, que mostram o influenciador durante uma discussão com uma ex-companheira, que teve a identidade preservada, aproximando um cigarro aceso do rosto dela e, na sequência, desferindo um tapa.
Outras duas ex-namoradas também relataram ao programa ter sido vítimas de agressões físicas, violência psicológica, humilhações e ofensas durante os relacionamentos. Uma delas afirmou ter sido queimada com um cigarro na orelha, puxada pelos cabelos e agredida com chutes. Outra relatou episódios de insultos constantes e um soco no rosto durante uma discussão.
Cartolouco tornou-se réu em um processo que apura lesão corporal qualificada e violência psicológica no contexto da Lei Maria da Penha. A defesa dele negou todas as acusações em nota enviada ao programa.
Defesa
Dois dias após a exibição da reportagem, o influenciador quebrou o silêncio com um vídeo publicado nas redes sociais. "Não ficarei mais quieto sobre as acusações que recebi nem sobre o falso jornalismo da Globo e do Fantástico. Sim, a Globo mentiu, comprovadamente, no Fantástico", declarou.
O principal argumento foi sobre um processo anterior movido por uma das ex-namoradas, Gabriella Augusto: "A Gabriella me processou em julho de 2023 com as mesmas acusações. Eu fui inocentado pela Justiça em setembro de 2024. Na matéria, a Globo escondeu e mentiu sobre esse fato."
A ex-namorada, no entanto, rebateu a versão publicamente: "Não foi inocentado. Eu desisti. Perdi minha medida protetiva porque não tinha mais forças para seguir", desabafou Gabriella nos Stories do Instagram.
O influenciador afirmou que provará sua inocência nos processos que ainda tramitam na Justiça e disse não pretender fugir das investigações. O vídeo dividiu opiniões: enquanto parte do público defendeu o direito à defesa, muitos apontaram que Cartolouco não abordou diretamente as imagens exibidas pelo programa.
O que dizem os especialistas
Para a advogada criminalista Natalia dos Santos, quando uma relação reúne diferentes formas de abuso, a Justiça não analisa os episódios de forma isolada. "Agressão física, violência psicológica, ofensas constantes e destruição de pertences são todos tipificados como crime. A Lei Maria da Penha determina que o juiz considere o cenário como um todo — as agressões físicas, as humilhações recorrentes, o controle, a deterioração da autoestima da vítima. É o padrão de conduta abusiva que agrava a responsabilidade do agressor", explica.
Sobre o peso das imagens de câmeras de segurança no processo, a especialista é direta: "Elas são consideradas prova material incontestável, mostram o fato em si, sem depender da memória ou da palavra de ninguém. No caso de Cartolouco, as câmeras flagraram o tapa e a queimadura de cigarro. Isso elimina qualquer dúvida razoável sobre a ocorrência das agressões físicas", afirma.
Natalia também destaca a importância das denúncias precoces: "A violência doméstica raramente começa com um tapa. Ela começa com uma ofensa, um xingamento, um controle disfarçado de ciúme. O maior arrependimento de uma das ex-namoradas foi não ter denunciado antes. Denunciar os primeiros sinais não é exagero, é a melhor forma de interromper o ciclo", pontua.
O advogado criminalista Ivan Jezler reforça como a violência psicológica é comprovada na prática. "Para caracterizar esse crime, costuma-se reunir relatos da vítima detalhando o padrão de comportamento ao longo do tempo, testemunhas, mensagens de texto e áudios, laudos psicológicos ou psiquiátricos e boletins de ocorrência anteriores. É um tipo penal que depende muito da reconstrução de um padrão repetido, não de um único episódio", detalha.
Sobre as medidas de proteção disponíveis, o especialista esclarece: "A Lei Maria da Penha prevê afastamento do agressor do lar, proibição de aproximação e contato com a vítima, inclusive por redes sociais, suspensão de porte de armas e encaminhamento a programas de atendimento. Podem ser concedidas rapidamente pelo juiz, muitas vezes sem necessidade de ouvir o agressor antes", orienta.
Por fim, Jezler alerta sobre a importância de agir cedo: "A violência psicológica costuma ser a fase inicial de um ciclo que pode evoluir para agressão física. Identificar sinais como humilhação recorrente, controle excessivo, isolamento social e ameaças é importante para buscar apoio antes da escalada. Isso também ajuda a criar um histórico documentado, o que facilita eventual ação judicial futura", conclui.
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