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Carol Castro procurou escrivã que prendeu assassino do pai e pediu para fazer filme sobre história

Atriz destacou importância do protagonismo feminino no cinema e na profissão em exclusiva ao Terra

17 mai 2026 - 05h00
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A atriz Carol Castro será produtora e protagonista do filme 'Voz de Prisão', que está em fase de pré-produção
A atriz Carol Castro será produtora e protagonista do filme 'Voz de Prisão', que está em fase de pré-produção
Foto: Reprodução/Instagram

A história real de Gislayne de Deus, escrivã de Roraima que deu voz de prisão ao assassino do próprio pai 25 anos após o crime, vai virar filme. O longa Voz de Prisão será produzido e protagonizado por Carol Castro e promete unir emoção e protagonismo feminino no universo policial. A obra está em fase de pré-produção.

A atriz conta que se sentiu profundamente impactada ao conhecer o caso. “Eu estava olhando as notícias e passei por essa potente notícia e fiquei bem impactada mesmo com a história. Logo que eu li a chamada fiquei realmente muito curiosa e impactada e fiz um comentário”, contou em entrevista ao Terra.

O interesse surgiu em 2024, período em que Carol ainda lidava com a perda recente do pai. Movida pela identificação emocional, ela comentou a publicação nas redes sociais --algo incomum para ela-- e recebeu diversas mensagens sugerindo que a história rendia um filme.

Depois disso, decidiu procurar Gislayne. “Ela respondeu: ‘Não acredito que estou falando com a Carol Castro’. E eu falei: ‘Imagina, eu que não acredito que estou falando com você’”, relembra.

A aproximação entre as duas evoluiu e Gislayne concordou em transformar sua trajetória em uma produção audiovisual. Carol então procurou a produtora Intro Pictures, parceira de outros trabalhos da atriz, e um grupo de mulheres passou a desenvolver o projeto. “Foi muito bonito ver mulheres se unindo e se empoderando. Criamos um grupo com a Gislayne, a Luciana, a Dani… e daí nasceu tudo”, afirma.

O projeto também deu origem ao livro Voz de Prisão, lançado em maio pela Editora MapaLab e escrito por Luciana de Gnone. A autora transformou Gislayne na personagem Helena para ter liberdade criativa e narrar a história em primeira pessoa.

“A Luciana fez um trabalho incrível de investigação. Quando conheci a Gislayne pessoalmente no lançamento do livro, foi muito emocionante”, conta Carol.

Produtora

Gislayne de Deus e Carol Castro no lançamento do livro 'Voz de Prisão', de Luciana de Gnone
Gislayne de Deus e Carol Castro no lançamento do livro 'Voz de Prisão', de Luciana de Gnone
Foto: Reprodução/Instagram

Além de atuar, Carol também assina a produção do longa. Não é a primeira experiência dela nos bastidores, já que a atriz já trabalhou como produtora associada em filmes como Ninguém é de Ninguém (2021) e Ainda Somos os Mesmos (2023). “Eu já tinha esse olhar há algum tempo, de sair desse único ofício que é atuar”, explica.

Segundo a atriz, o envolvimento com Voz de Prisão aconteceu de forma intuitiva. “Bati o olho e senti que precisava fazer aquilo”, afirma.

Ela também destaca que a equipe do projeto vem sendo construída majoritariamente por mulheres. “Estamos procurando uma diretora também. Esse encontro foi um pontapé inicial para uma jornada porreta e muito bonita”, diz.

Protagonismo feminino

Carol Castro se interessou pela história de Gislayne de Deus e pretende produzir filme, além de atuar
Carol Castro se interessou pela história de Gislayne de Deus e pretende produzir filme, além de atuar
Foto: Reprodução/Instagram

Para Carol Castro, a trajetória de Gislayne dialoga diretamente com o avanço das mulheres em espaços historicamente masculinos. A atriz lembra que a escrivã precisou atravessar um ambiente predominantemente masculino para conseguir alcançar a justiça pelo pai.

“Ela entrou em um universo bastante masculino. Eu já fiz preparação para personagens policiais e tive um choque de realidade de como é esse ambiente.”

A atriz acredita que o longa conversa com debates atuais sobre direitos das mulheres e representatividade. “Estamos vivendo um momento em que as mulheres ainda precisam lutar pelo óbvio. E aqui vamos mostrar uma heroína, uma mulher que conseguiu fechar esse ciclo para ela e para a família”.

Carol também ressalta que a força da história está na persistência de Gislayne. “Tudo bem que foi 25 anos depois, mas antes tarde do que nunca. Ela conseguiu fazer justiça da forma correta”, completa.

Preparação para viver na pele da protagonista

Livro contando história de Gislayne foi lançado no dia 4 de maio
Livro contando história de Gislayne foi lançado no dia 4 de maio
Foto: Reprodução/Instagram

Para interpretar a escrivã, Carol pretende mergulhar no cotidiano da família de Gislayne em Roraima. A atriz revelou que deseja repetir parte da imersão feita por Luciana de Gnone durante a pesquisa do livro. “Pretendo ir para Roraima, conhecer a família, ouvir a história de cada um olhando no olho”, conta.

Segundo ela, compreender o ambiente onde Gislayne viveu será essencial para construir emocionalmente a personagem. “A geografia, o clima, o jeito do lugar, tudo isso influencia.”

A atriz também pretende retratar no filme a rede de apoio encontrada pela escrivã dentro da polícia. “É bonito mostrar que existem homens que apoiam as mulheres e estão ali para somar.”

Carol já tem experiência em papéis ligados ao universo policial e relembra laboratórios intensos feitos para trabalhos anteriores, incluindo visitas a cenas reais de crime e ao Instituto Médico Legal.

“Já fui a locais de crimes reais, tive aula de tiro, ajudei a retirar corpo do Rio Tietê. São experiências que ficam na memória muscular e emocional”, afirma. Ela recorda que um dos casos mais marcantes acompanhados foi um feminicídio em Brasilândia, na Zona Norte de São Paulo. “Foi muito forte entender de perto como essas profissionais trabalham.”

Momento da carreira

Carol Castro conta que essa não é a primeira vez que irá trabalhar nos bastidores de um longa
Carol Castro conta que essa não é a primeira vez que irá trabalhar nos bastidores de um longa
Foto: Divulgação/Globo

Aos 42 anos e com três décadas de carreira, Carol afirma que o projeto representa uma nova fase profissional. “Representa um lugar de maturidade como pessoa e como profissional”, resume.

Filha do ator, diretor e professor de teatro Luca de Castro, a atriz cresceu nos bastidores e agora busca ampliar sua atuação também atrás das câmeras.

“Passei a vida inteira ouvindo que precisava correr atrás das histórias que queria contar e não esperar o telefone tocar.”

Segundo ela, Voz de Prisão marca justamente esse movimento de expansão dentro do cinema. “Estou ampliando o leque. É um universo que sempre amei e almejei. Quero trabalhar mais atrás e na frente das câmeras. É um momento de alçar um voo diferente”, resume.

História de Gislayne

A história que inspirou o filme ganhou repercussão nacional em 2024, quando a escrivã da Polícia Civil de Roraima Gislayne de Deus prendeu o homem acusado de assassinar seu pai 25 anos antes. O crime aconteceu em 1999, quando ela tinha apenas 9 anos.

O pai de Gislayne, Givaldo José Vicente de Deus, foi morto após uma discussão envolvendo uma dívida de R$ 150. O suspeito chegou a ser preso em flagrante, mas respondeu ao processo em liberdade e acabou foragido anos depois.

Após se formar em Direito e atuar como advogada, Gislayne ingressou na polícia penal e, posteriormente, na Polícia Civil de Roraima. Já na Delegacia Geral de Homicídios, decidiu usar a experiência acumulada ao longo da vida para localizar o homem acusado de matar seu pai.

Em julho de 2024, ela participou da operação que encontrou o foragido em uma chácara em Boa Vista. Na delegacia, foi a própria escrivã quem deu voz de prisão ao suspeito.

Fonte: Portal Terra
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