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Bete Mendes relembra perseguição e encontro traumático com torturador da ditadura

Atriz e ex-deputada revive momentos de militância e confrontos com Carlos Alberto Brilhante Ustra durante a repressão militar

2 nov 2025 - 15h41
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A atriz e ex-deputada Bete Mendes voltou a falar sobre um dos períodos mais difíceis de sua vida ao revisitar sua militância contra a ditadura militar e o reencontro com o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, responsável por torturá-la durante o regime. Enquanto estrelava a novela Beto Rockfeller, sucesso da TV Tupi em 1968, Bete participava secretamente da resistência política.

Bete Mendes (Reprodução/Globo)
Bete Mendes (Reprodução/Globo)
Foto: Contigo

Em entrevista ao Conversa com Bial, ela lembrou: "Eu não tinha ideia das coisas. Primeiro, que eu não sabia o que era televisão. Eu comecei no teatro, aí fui chamada para a televisão e a novela estourou. Claro que não ia dar certo. Como não deu. Eles estavam caçando e prendendo todo mundo. A barra era pesadíssima".

Sob o codinome Rosa, em homenagem à revolucionária Rosa Luxemburgo, a atriz mantinha suas atividades em total sigilo. "Não só pela responsabilidade e consciência, mas pela segurança dos outros. Naquela época, a situação era tão violenta em termos de repressão que, se alguém soubesse de alguma notícia e comentasse para outra pessoa, passava a ser um risco", explicou.

Bete foi presa pela primeira vez depois de ser chamada para falar com o Capitão Maurício, então marido de Irene Ravache. "Ela foi a minha madrinha, quem me levou para a TV Tupi […] me disse que ele queria conversar comigo, porque eu estava sob suspeita de participar (da resistência), e que se eu negasse seria tudo normal. Eu topei, tudo na ingenuidade que a gente tinha na época."

Preservada apenas pela falta de provas, passou quatro dias em solitária: "Foi tão traumático que eu perdi quatro quilos em quatro dias. Eles me liberaram como suspeita". Anos depois, seria novamente detida e torturada por Ustra. "Ele foi diretor, orientador e torturador em diversas regiões do país. Ele era considerado um dos campeões dos torturadores da ditadura. A história é perversa como tudo que esse homem fez", relatou.

Eleita deputada federal pelo PT em 1983, Bete cruzou novamente com Ustra durante uma viagem oficial ao Uruguai com o então presidente José Sarney. "Esse homem, que já estava demissionário de adido militar, vai com pompa, com uniforme de gala, e fica na recepção do aeroporto para nós. Na hora que eu o vi, a tortura inteira voltou", lembrou a atriz.

O reencontro provocou grande impacto emocional. "Eu fiquei desesperada. Passei quatro dias em Montevidéu quase sem dormir, tomando banho frio, fiquei apavorada. A única coisa que eu tinha consciência é que eu não podia denunciar lá, porque eu ia melar um programa de democratização vagarosa. Mas eu não podia me omitir. Mandei uma carta para o Sarney, fazendo a denúncia daquele adido que foi responsável pelas torturas e que estava premiado."

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