Ator da Globo e agrônomo, Guito tenta afastar estigma: 'Agro virou pejorativo'
Artista está está no ar como o personagem Malvino na novela 'Coração Acelerado'; fora das telas ele também é empresário rural
Após estrear na televisão em Pantanal como o peão Tibério, Guito está de volta às novelas da Globo interpretando Malvino em Coração Acelerado. Natural de Lavras (MG), o ator traz para o personagem a vivência da infância em uma fazenda e sua experiência como violeiro, elementos que ajudam a dar autenticidade à trama ambientada no universo da música sertaneja. Em entrevista ao Terra, ele fala sobre os bastidores da produção, sua paixão pela música e a rotina como empresário à frente de uma empresa voltada ao controle sustentável de pragas e doenças agrícolas.
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Desconcentração nos bastidores
A novela global de Izabel de Oliveira e Maria Helena Nascimento permite que Guito leve ao grande público parte do seu talento musical. A experiência de interpretar Malvino, melhor amigo e assistente de Alôzinho (Daniel de Oliveira) na Alô Balada, fica ainda mais especial com o clima de leveza e descontração nos bastidores.
“A gente racha o bico nas cenas com o Daniel e o Thomas Aquino. Estamos levando essa leveza para o ambiente e está sendo muito divertido. Todas as cenas são maravilhosas de fazer em função disso”, diz. Isso não significa que Tibério, de Pantanal, tenha deixado de ocupar um lugar especial em sua trajetória. Afinal, a conexão com a vida no campo é algo que faz parte da identidade do artista
Fora das telas: agrônomo e empresário
Violeiro, Guito começou na carreira musical quando ainda estava na faculdade, quando passou a tocar e formou uma dupla. "Eu tinha uma banda de rock e uma dupla caipira ao mesmo tempo. Foi ali que tudo se intensificou, na faculdade de Agronomia da Universidade Federal de Lavras (UFLA)".
Ele se formou em Agronomia em 2009 e chegou a se afastar da música ao iniciar a carreira na área. Foi nesse período que comprou uma viola caipira, até então, tocava apenas violão, e passou a se dedicar ao instrumento. Sem se enxergar construindo uma trajetória no mercado de trabalho tradicional, Guito apostou na música e passou a conciliar a carreira de cantor e violeiro com a de agrônomo, algo que mantém até.
Fora das telas, ele é sócio de uma empresa focada no controle sustentável de pragas e doenças agrícolas, utilizando insetos e fungos benéficos para eliminar outros organismos que podem fazer mal às plantações. "Ser empresário me atraía porque gosto da inovação. Estou sempre buscando algo para melhorar a vida das pessoas. Acredito muito na proposta de fugir dos produtos químicos e de uma agricultura mais regenerativa e melhor para o solo."
Agora, além de ator, músico e empresário, Guito também quer dedicar parte da agenda à atuação como comunicador. A ideia é levar ao grande público, especialmente ao público urbano que o conhece da televisão, mais informações sobre o universo do produtor rural.
"Agro é um termo pejorativo hoje. As pessoas têm muito pouco conhecimento de onde vem o alimento, não sabem o que é um iogurte, não sabem nada sobre o leite, como é feito o arroz ou de onde vem o alimento. Isso dá margem para muita desinformação. Acredito que, se as pessoas aprenderem mais sobre a cadeia toda, todo mundo vai ser beneficiado, principalmente o consumidor", argumenta.
Quando afirma que o termo “agro” ainda carrega, em alguns contextos, uma conotação pejorativa, Guito cita como exemplo duas novelas da Globo: Pantanal e Terra e Paixão. Segundo ele, enquanto a primeira, remake da obra de 1990, retrata um fazendeiro de forma mais humanizada, que busca conviver de forma mais harmônica com pequenos produtores. A segunda já traz o grande latifundiário como antagonista da trama.
Guito reconhece que ambos os perfis existem no campo e afirma que figuras como o fazendeiro Antônio La Selva, interpretado por Tony Ramos em Terra e Paixão, apesar de representarem uma minoria, acabam causando grandes impactos e prejudicando a imagem do setor todo. Ainda assim, ele defende que esse tipo de personagem não resume a realidade da maioria dos produtores rurais brasileiros.
"Quando falo em agro, as pessoas têm a imagem do fazendeiro da novela ou da capa de revista, daquele fazendeiro pousando com um avião em uma fazenda cheia de soja ou de gado. Só que se você for ver todas as famílias que vivem do agro, esse cara [o grande produtor rural] é uma porcentagem ínfima. Apesar de ter uma importância grande para o PIB, ele é uma minoria. Se for ver o agro mesmo, é aquele senhorzinho que tira leite na mão. Essa é a maioria do agro", conclui o ator.
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