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Funk brasileiro ganha adeptos pelo mundo

28 mai 2026 - 06h06
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Gênero foi um dos que mais cresceu no Spotify no ano passado. Redes sociais são os grandes motores da expansão deste estilo musical.Pela primeira vez na história, o Brasil está entre os oito maiores mercados de música gravada do mundo, segundo o Relatório Global de Música da Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI) de 2026. E esse crescimento coincide com a expansão do funk no cenário internacional.

Entre os gêneros que movimentaram mais de 50 milhões de dólares no Spotify em 2025, o funk foi o que mais cresceu na plataforma. Um salto de 36% em relação ao ano anterior, superando K-pop, trap latino, urban latino e reggaeton.

O gênero musical chamou também a atenção da revista britânica The Economist que afirmou no ano passado que o funk brasileiro estava prestes a virar uma "febre global". Mas muito antes de virar um produto de exportação, o funk brasileiro importou influências internacionais quando surgiu na década de 1980.

"O próprio funk já surge de uma dinâmica internacional a partir do Miami Bass no Rio de Janeiro que passou a ser utilizado nos bailes blacks do subúrbio. O funk já nasce conectando diversos lugares dentro dessa estrutura, cruzando o Atlântico e trazendo referências de outras musicalidades", conta o sociólogo Bruno Barboza Muniz.

Segundo o especialista, a chave do sucesso do funk pode estar em suas batidas, que se diferem de outros gêneros internacionais de música eletrônica. Atualmente, porém, as redes sociais são os grandes motores da expansão do funk. Trends no TikTok espalham o gênero pelo mundo.

Artistas e jogadores internacionais mundo afora, como o espanhol Lamine Yamal, compartilham nas suas redes sociais músicas do gênero. Até o governo alemão entrou na onda recentemente.

Durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Alemanha, o governo alemão usou a música Show das Poderosas, um dos primeiros sucessos de Anitta, numa publicação no Instagram sobre o encontro do brasileiro com o chanceler federal alemão, Friedrich Merz.

"A dinâmica de redes sociais é muito relevante, porque o brasileiro usa muito. E o funk é um estilo bastante utilizado em vídeos, em danças. Então, tanto o TikTok quanto o Instagram são promotores relevantes do funk dentro do Brasil, mas também fora do país", acrescenta Muniz.

Em 2025, o funk brasileiro já havia sido reconhecido pela indústria musical por meio da indicação ao Grammy do disco Funk Generation, de Anitta, na categoria de Melhor Álbum de Pop Latino. À época, porém, o prêmio acabou ficando com Las Mujeres Ya No Lloran, da colombiana Shakira.

Baile funk na Europa

Natural de Manaus e radicada na Holanda, Galecta desponta como uma das precursoras do funk underground brasileiro no exterior. Sendo a única DJ afro-indígena do Brasil a trabalhar com essa sonoridade na Europa, ela expande as fronteiras do gênero por meio de sets enérgicos que fundem vertentes como Bruxaria, Mandelão e Afrofunk a ritmos latinos.

Galecta iniciou sua carreira artística no Brasil como dançarina profissional, mas, após se mudar para a Europa, migrou progressivamente para a música. Há cerca de dez anos, se tornou DJ. Após um período no Brasil e mudanças pessoais, ela redescobriu a discotecagem há três anos, utilizando a música e a mixagem como uma ferramenta terapêutica para superar um quadro de depressão.

Ligada à cena do funk desde a infância, ela percebeu que o público europeu conhecia apenas a vertente comercial do gênero, como os sucessos de Anitta e Ludmilla. Com o objetivo de difundir o funk underground e os ritmos das periferias brasileiras na Holanda, a DJ idealizou o Baile da Galecta. O projeto, que já expandiu suas fronteiras para além do território holandês em seu segundo ano de turnê, tem datas confirmadas para os próximos meses em Berlim e Paris.

Para ela, a ascensão do funk está ligada também à parceria entre os artistas brasileiros. "Estamos estendendo as mãos para os nossos colegas que estão no Brasil para virem para cá. Então, temos essa oportunidade de tocar em mais clubes, mais eventos internacionais. As pessoas estão vendo que o Brasil tá no hype", diz Galecta.

No Brasil, porém, o funk ainda é visto com muitos estigmas. "Vemos até candidatos conservadores que em determinados momentos da campanha usam o funk e aí depois vão falar que o funkeiro tem que ser preso. Então acho que o Estado se relaciona de uma maneira bem ambígua. Reprime por um lado e quando é possível se apropria", avalia Muniz.

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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