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'Retorno a Buenos Aires' leva o Brasil de volta à competição oficial do Festival de Cinema de Veneza

Dirigido por Marco Bechis, o longa é uma coprodução Itália - Brasil assinada por Patrick de Jongh, Cibele Amaral e André Ristum

23 jul 2026 - 12h46
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O cinema brasileiro volta a figurar entre os concorrentes ao Leão de Ouro, principal prêmio do Festival Internacional de Cinema de Veneza, com a coprodução Brasil-Itália Retorno a Buenos Aires, novo longa-metragem do diretor ítalo-argentino Marco Bechis, que integra a competição oficial da edição de 2026, que acontece entre os dias 2 e 12 de setembro, no Lido di Venezia, na Itália.

'Retorno a Buenos Aires' leva o Brasil de volta à competição oficial do Festival de Cinema de Veneza (Divulgação)
'Retorno a Buenos Aires' leva o Brasil de volta à competição oficial do Festival de Cinema de Veneza (Divulgação)
Foto: Rolling Stone Brasil

O filme marca o retorno de Bechis à direção de longas de ficção e reúne um elenco internacional liderado pelo ator italiano Adriano Giannini (Destino Insólito). A produção conta ainda com os brasileiros Paula Cohen (O Silêncio do Céu) e Eduardo Hoy, além das argentinas Ana Celentano (Vidas Possíveis), Vero Gerez (Hotel Mundial) e Olivia Nuss (Amor Animal).

Realizado em parceria entre produtoras brasileiras e italianas, o longa teve parte significativa de sua produção realizada no Brasil. Foram três meses de pré-produção e quatro semanas de filmagens em Porto Alegre (RS), além de outras três semanas de gravações em Turim, no norte da Itália.

Qual é a história de Retorno a Buenos Aires?

Ambientado em Buenos Aires, em 2008, o filme acompanha Mariano Guerra (Giannini), que retorna à Argentina depois de 33 anos vivendo na Itália para testemunhar no julgamento de ex-militares responsáveis por seu sequestro durante a ditadura. Hospedado no Ministério da Justiça ao lado de outros sobreviventes, ele revive lembranças do período de repressão e enfrenta o peso de ter sobrevivido a uma tragédia que marcou sua vida para sempre.

Memória, justiça e sobrevivência

A história dialoga diretamente com a experiência pessoal de Marco Bechis, preso político durante a ditadura argentina. Embora o diretor ressalte que o protagonista não seja um alter ego, admite que o filme nasce de uma dor conhecida.

"Com 'Retorno a Buenos Aires', volto à Argentina 50 anos depois. Volto com uma história que não é a minha, mas que nasce de uma ferida que conheço. Eu também fui sequestrado durante a ditadura argentina, mas Mariano não sou eu. Escolhi a ficção porque, às vezes, ela é a única forma de se aproximar de uma verdade que a memória, sozinha, não consegue contar."

Bechis afirma que o longa busca refletir sobre uma questão que o acompanha há décadas. "Há muitos anos uma questão me acompanha: o que significa sobreviver? Não apenas salvar-se, mas continuar vivendo quando outros não puderam fazê-lo. No fundo, este filme fala de uma única coisa: da culpa do sobrevivente, que persiste."

O encerramento das filmagens coincidiu simbolicamente com os 50 anos do início da ditadura militar argentina, reforçando o caráter histórico e contemporâneo da obra ao abordar temas como memória, justiça e direitos humanos.

Produção brasileira em destaque

A participação brasileira vai além do financiamento. A equipe técnica reúne profissionais de diferentes áreas, como o diretor de arte Eduardo Antunes, a produtora de elenco Alessandra Tosi, a figurinista Coca Serpa, os produtores executivos André Ristum e Patrick de Jongh e o line producer Beto Rodrigues.

A coprodução envolve a brasiliense 34 Filmes e as italianas Fandango, 39Films, Karta Film e Rai Cinema. Com sede em Brasília, a 34 Filmes financiou o projeto por meio do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), com recursos administrados pelo Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), através do edital de coprodução internacional de 2024.

Para o produtor Patrick de Jongh, a presença do filme na principal mostra competitiva de Veneza reforça a importância da descentralização dos investimentos no audiovisual brasileiro. "A política de descentralização dos investimentos em cinema mais uma vez mostra resultados e confirma a necessidade deste tipo de investimento para que mais regiões e realizadores brasileiros possam marcar presença em grandes eventos internacionais como o Festival de Veneza."

Segundo Ristum, o roteiro chegou às suas mãos há alguns anos e imediatamente chamou sua atenção. "Marco me mandou esse roteiro alguns anos atrás, e fiquei muito impactado. Somos próximos desde a produção de 'Terra Vermelha' e, para mim, não era aceitável que um talento como ele ficasse tantos anos sem filmar. Levei o projeto para a 34 Filmes e fiquei muito feliz com a recepção e parceria deles para fazer o projeto dar certo."

A produtora Cibele Amaral, da Neocórtex, também celebra a seleção histórica. "É uma grande alegria fazer parte da história do cinema brasileiro, tendo produzido o primeiro filme da região CONNE (Centro-Oeste, Norte e Nordeste) selecionado para a competição principal do Festival de Veneza."

Rolling Stone Brasil Rolling Stone Brasil
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