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Representatividade LGBT+ no cinema recua pelo 3º ano consecutivo, aponta estudo

Relatório da GLAAD revela queda no número de personagens LGBTQIAPN+ nos filmes dos principais estúdios de Hollywood em 2025

13 jul 2026 - 11h19
(atualizado às 11h25)
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A representatividade LGBTQIAPN+ nos filmes produzidos pelos maiores estúdios de Hollywood voltou a registrar queda em 2025. É o que revela a 14ª edição do relatório anual da GLAAD, organização dedicada à defesa dos direitos e da representação da comunidade LGBTQIAPN+ na mídia.

Representatividade LGBT+ no cinema recua pelo 3º ano consecutivo, aponta estudo (Divulgação)
Representatividade LGBT+ no cinema recua pelo 3º ano consecutivo, aponta estudo (Divulgação)
Foto: Rolling Stone Brasil

Rebatizado de Where We Are in Film (Onde Estamos no Cinema), o estudo analisou 225 filmes lançados entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de 2025 pelos dez maiores distribuidores do mercado norte-americano: A24, Amazon, Apple TV, Lionsgate, NBCUniversal, Netflix, Paramount, Sony Pictures, Disney e Warner Bros., além de seus selos e plataformas de streaming.

Segundo o levantamento, apenas 46 dos 225 filmes lançados no período apresentaram personagens LGBTQIAPN+, o equivalente a 20,4% do total. O índice representa uma nova queda em relação a 2024, quando 59 dos 250 filmes analisados (23,6%) incluíam personagens da comunidade. O recuo também dá sequência à tendência observada desde 2023, ano em que a representatividade atingiu seu maior patamar, com 28,5% das produções.

Além da redução no número de filmes, também diminuiu a quantidade de personagens LGBTQIAPN+. Em 2025, foram contabilizados 112 personagens, contra 181 registrados no levantamento anterior.

Outro dado que chamou atenção foi a ausência total de personagens LGBTQIAPN+ nas 19 animações e filmes familiares classificados como PG ou inferiores analisados pela pesquisa. O relatório também aponta que nenhum personagem transgênero apareceu entre os 225 filmes avaliados, marcando um retrocesso significativo na diversidade das produções.

A GLAAD ainda identificou queda de 36% na presença de personagens LGBTQIAPN+ negros, latinos, asiáticos e de outras minorias raciais em comparação com 2024. Já a representação de personagens bissexuais também diminuiu: apenas 10 dos 46 filmes com personagens LGBTQIAPN+ incluíam pessoas bissexuais, correspondendo a 22% das produções, contra 25% no ano anterior.

Apesar do cenário de retração, o estudo destaca o gênero de terror como um dos principais responsáveis por manter a diversidade nas telas. Filmes como Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado, Um Terror de Parentes, Acompanhante Perfeita e A Hora do Mal foram citados como exemplos positivos de inclusão.

Outra conclusão do relatório aponta que produções de médio orçamento — entre US$ 15 milhões e US$ 90 milhões — continuam sendo o espaço onde histórias com personagens LGBTQIAPN+ encontram maior abertura dentro da indústria cinematográfica.

Para Sarah Kate Ellis, presidente e CEO da GLAAD, o mercado corre o risco de perder uma parcela importante do público caso não invista em histórias mais inclusivas. "Se a indústria não priorizar investimentos em filmes com personagens LGBTQ+, corre o risco de perder uma geração que buscará entretenimento em outros lugares, onde nossa comunidade esteja representada."

A diretora sênior de pesquisa e análise de entretenimento da organização, Megan Townsend, também destacou a importância da Geração Z para o mercado cinematográfico. Segundo ela, os jovens representam atualmente a maior fatia do público frequentador dos cinemas na América do Norte e também o grupo com maior percentual de pessoas que se identificam como LGBTQIAPN+.

Dados do instituto Gallup apontam que mais de 23% dos norte-americanos com menos de 30 anos fazem parte da comunidade. "Se os estúdios querem permanecer relevantes para o público jovem e manter a arrecadação nas bilheterias, não podem ignorar quase um quarto de seus consumidores mais engajados", afirmou Townsend.

Além dos dados sobre representatividade, a GLAAD anunciou mudanças na metodologia da pesquisa. A partir desta edição, os personagens passaram a ser classificados de acordo com sua importância narrativa — como protagonistas, coadjuvantes de destaque, coadjuvantes e personagens de fundo — em vez de serem avaliados apenas pelo tempo de tela.

A organização também abandonou o sistema de notas utilizado nas edições anteriores, quando o levantamento ainda era conhecido como Studio Responsibility Index, adotando um formato focado exclusivamente na análise da presença e da relevância dos personagens LGBTQ+ nas produções cinematográficas.

Fonte: THR

Rolling Stone Brasil Rolling Stone Brasil
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