'Camiseta de Wagner Moura' faz troça carnavalesca faturar quase R$ 1 milhão
Protagonista de 'O Agente Secreto' usou uma vestimenta da Pitombeira dos Quatro Cantos e fez as vendas explodirem
Enquanto O Agente Secreto estava nas telonas, quem montava mesmo uma operação mega especial do lado de fora do cinema era a equipe da troça carnavalesca Pitombeira dos Quatro Cantos. Isso porque, depois que o personagem de Wagner Moura apareceu no longa usando uma camisa retrô do grupo de carnaval de Olinda, as vendas da peça saltaram cerca de 200%.
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“A gente estava trocando o pneu com o carro em movimento. Por exemplo, a gente teve que montar um site, porque a gente não tinha, também tivemos que fazer contrato com os Correios para vir pegar a malota”, conta Hermes Neto, presidente da Pitombeira.
Ele detalha que houve atrasos nos envios, porque a troça não contava com a estrutura necessária para esse trabalho. Mas, agora, acredita que o grupo adquiriu experiência para outras explosões nas vendas --ou, como prefere acreditar, no que será o novo normal das vendas de produtos da Pitombeira.
“Foram 12 pessoas contratadas para ajudar nas entregas e não deu”, diz. “Pecamos em algumas coisas porque a demanda estava grande. Mas nos unimos e fomos pegando o manejo do negócio. Eu espero que para o ano, que é um ano muito bem-vindo para a Pitombeira, em que comemoramos 80 anos, espero que a demanda seja a mesma. E vamos estar preparados.”
O balanço das vendas deve ser concluído somente após o Oscar, que acontece neste domingo, 15, em Los Angeles. Mas Hermes estima que foram 16 mil camisas vendidas por causa do filme, com cada uma custando R$ 60, o que dá um faturamento de R$ 960 mil. O presidente da Pitombeira, porém, esclarece que os custos foram altos, justamente porque foi preciso se adaptar para a alta quantidade de pedidos.
Com o novo site, a Pitombeira espera começar a vender durante todo o ano não só camisas, mas copos, pulseiras, chapéus. O dinheiro das vendas deve ser usado nos carnavais da troça.
O que é a Pitombeira dos Quatro Cantos
Quem assistiu ao O Agente Secreto, pôde notar que o diretor Kleber Mendonça Filho fez muitas referências à cultura pernambucana das décadas de 1970 e 1980. O carnaval do Recife e Olinda surge como um pano de fundo para a história, assim como a perna cabeluda, o Cine São Luiz e o Parque 13 de maio.
“Nós que somos naturais daqui, a gente é muito bairrista. Então, para mim, que estava nascendo naquela década, foi muito importante ver a cena do Recife naquele momento. Eu não ia ver nunca o Recife da sacada do São Luís. Quando ele olha para o Recife, as propagandas que tinha, tudo aquilo que eles remontaram… Foi uma emoção enorme ver a perna cabeluda e o 13 de maio. Todo pernambucano já namorou um pouquinho no 13 de maio”, brinca Hermes Neto.
O ápice da emoção e sensação de pertencimento foi ver a troça carnavalesca da qual é presidente há 8 anos sendo exibida nos trajes do protagonista do filme. A Pitombeira dos Quatro Cantos foi fundada em 1947, e faz referência ao nome dado a um cruzamento em Olinda, point da boêmia. Os amigos que a criaram costumavam se reunir em um bar nos Quatro Cantos.
“Depois de terem tomado umas e outras, eles resolveram sair cantarolando pela rua, as ruas de carnaval. E foi juntando mais pessoas, a turma foi crescendo e se tornou a Turma da Pitombeira”, conta o atual presidente.
Troça é o nome dado àqueles grupos que saem pela manhã no carnaval pernambucano. À noite são os clubes e os blocos são os blocos líricos, com grupos de canto e instrumentos. No caso da Pitombeira dos Quatro Cantos, o desfile pelas ruas de Olinda é acompanhado por uma orquestra que pode chegar a 35 músicos.
Para Hermes, a escolha da camisa retrô da Pitombeira ocorreu após uma pesquisa da produção do filme, que teria se deparado com a relevância da troça na época retratada no longa. A camisa usada por Marcelo, personagem de Wagner Moura, é uma releitura de uma peça que já era vendida pelo grupo de carnaval.
“As cores delas eram brancas com a pintura preta. E aí, quando assumimos em 2019, a gente viu a necessidade de termos uma camisa tradicional da Pitombeira, uma que nunca saísse de linha”, explica. Ou seja, todos os anos a troça lança uma camisa com o tema daquele carnaval, mas as versões retrô continuam à venda.