O 'suborno' inusitado que fez Robert Pattinson atuar no filme 'Primetime', segundo diretor
Atualmente em exibição na 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o thriller dirigido por Lance Oppenheim é baseado na história real do programa 'To Catch a Predator'
Para convencer Robert Pattinson a protagonizar o thriller "Primetime", o diretor Lance Oppenheim apelou para uma tática inusitada: contrabandeou 200 latas de sachês de nicotina do Canadá para o ator, que enfrentava a escassez do produto nos EUA. A encomenda, enviada com o roteiro revisado, garantiu o aceite de Pattinson para viver o jornalista Chris Hansen. Inspirado no programa "To Catch a Predator", o longa da A24 satiriza a busca desenfreada da mídia por audiência e lucro a qualquer custo.
O diretor Lance Oppenheim revelou que precisou utilizar uma estratégia de bastidores inusitada para convencer o ator Robert Pattinson (O Drama) a estrelar Primetime no papel de Chris Hansen: "contrabandear" 200 latas de sachês de nicotina do Canadá.
Atualmente em exibição na 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o novo thriller da A24 é baseado na história real de To Catch a Predator, programa de jornalismo investigativo do início dos anos 2000 da Dateline NBC que utilizava armadilhas para atrair possíveis pedófilos e desmascará-los diante das câmeras.
Em Primetime, Pattinson interpreta o jornalista e líder do programa Chris Hansen, cujo maior desejo é merecer seu lugar no horário nobre da televisão. Pattinson ainda atua como produtor da obra junto com Ari Aster (Hereditário), por meio da Square Peg Productions.
Em entrevista à Vulture, Oppenheim contou que inicialmente Pattinson iria apenas produzir Primetime, mas ele queria muito tê-lo no papel do protagonista. O roteirista Ajon Singh teria passado uma semana reescrevendo o roteiro para tentar convencer o ator a aceitar a proposta. Neste momento, ele teve uma ideia.
"Na época, Rob estava lutando contra o vício em Zyn", explicou o diretor, referindo-se aos sachês de nicotina que estavam escassos nos Estados Unidos. Oppenheim, então, decidiu acionar um amigo no Canadá para "contrabandear" 200 caixas de sachês especialmente para Pattinson.
O carregamento foi entregue diretamente na casa do ator em Los Angeles, acompanhado de uma versão atualizada do roteiro e de uma carta que começava com o trocadilho "Dear Chris Han-Zyn". Fisgado pela proposta ousada e pelo roteiro, o astro de O Drama ligou por FaceTime para o diretor aceitando o papel.
Oppenheim fez uma comparação para descrever a sensação de ouvir o "sim" do ator: "Foi como se LeBron estivesse anunciando que ia se juntar ao Heat", brincou.
O cineasta ainda descreveu Primetime como um "delírio febril" e uma "forma elaborada de fanfic". O filme é uma dramatização e não tem interesse em recriar os eventos com fidelidade, entretanto, o personagem de Pattinson foi motivo de várias reclamações do verdadeiro Chris Hansen, que classificou a obra como "difamatória" e afirmou que ela distorce a realidade.
Segundo crítica da Rolling Stone, Primetime "constrói uma grande sátira da mídia moderna, movida por lucros e audiência, não importando o preço necessário a se pagar".
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