John Turturro praticou furtos para se preparar para 'O Último Batedor de Carteiras'
Ator de Ruptura aprendeu técnicas com especialista e chegou a praticar movimentos em passageiros do metrô de Nova York
Para atuar em O Último Batedor de Carteiras, John Turturro treinou técnicas de furto com o ilusionista Apollo Robbins, praticando com a equipe do filme e testando abordagens no metrô de Nova York, sem roubar ninguém. O longa, presente na Mostra de Cinema de SP, acompanha um batedor de carteiras que precisa lidar com o envelhecimento e cuidar da esposa em coma. O ator destacou que a produção o atraiu por abordar temas profundos como responsabilidade afetiva, fracasso e maturidade.
John Turturro, conhecido por trabalhos como Ruptura e O Grande Lebowski, revelou que aprendeu técnicas de furto para interpretar um batedor de carteiras em O Último Batedor de Carteiras, seu novo filme que está na programação da 50ª Mostra de Cinema de São Paulo. O ator contou que chegou a praticar suas habilidades com integrantes da equipe de produção e até com passageiros do metrô de Nova York, embora tenha garantido que não chegou a levar nenhum objeto dos desconhecidos.
Em entrevista ao The New York Times, Turturro explicou que recebeu treinamento de Apollo Robbins, especialista em prestidigitação e técnicas de ilusionismo, para aprender os movimentos necessários ao personagem. O ator comparou a habilidade do profissional à de um músico virtuoso.
"Apollo Robbins é como um pianista de concerto. Eu nunca vou chegar àquele nível. Ele consegue tirar meu relógio e, todas as vezes, eu nem sinto", afirmou.
Durante a preparação, Robbins ensinou exercícios de destreza com moedas e técnicas para se aproximar das pessoas sem despertar suspeitas. Turturro passou a praticar os movimentos principalmente nos bastidores das filmagens, transformando colegas de elenco e integrantes da equipe em alvos de seus treinamentos.
"Furtei muita gente. Às vezes, eles me pegavam, mas, muitas vezes, nem percebiam", contou o ator, referindo-se aos exercícios realizados durante a produção.
A preparação também se estendeu às ruas e ao transporte público de Nova York. Turturro revelou que aproveitou viagens de metrô para testar sua capacidade de se aproximar de carteiras e celulares de passageiros sem chamar atenção. Entretanto, afirmou que nunca chegou a retirar os pertences de ninguém.
"Cheguei muito perto. Só queria sentir a adrenalina, o nervosismo de como seria fazer aquilo", explicou. O ator também brincou sobre o risco de ser confundido com um criminoso de verdade. "Eu pensava: 'Bom, não quero ser preso'. O que eu diria? Que estava fazendo pesquisa?"
Apesar da experiência adquirida para o papel, Turturro contou que nunca foi vítima de um batedor de carteiras, diferentemente de sua esposa, que teve objetos retirados da bolsa após uma sessão de cinema. O ator também relembrou que já teve um apartamento invadido e roubado depois de instalar um aparelho de ar-condicionado na janela.
Em O Último Batedor de Carteiras, Turturro interpreta Harry, um ladrão que continua praticando pequenos furtos enquanto cuida da esposa, vivida por Karina Arroyave, que está em coma. A trama acompanha um homem que precisa lidar com as transformações da cidade, de sua profissão e da própria vida.
O ator afirmou que se interessou pelo projeto justamente por sua abordagem sobre envelhecimento, perdas e responsabilidade afetiva, temas que considera cada vez mais próximos de sua experiência pessoal.
"Leio tantos roteiros que parecem derivados de outras histórias. Mas esse, nossa! Uma pessoa que nunca cuidou de ninguém percebe que é disso que a vida se trata: cuidar de alguém. A vida dele mudou, o mundo mudou, sua profissão mudou, e aquilo realmente me tocou. Em determinada idade, você sabe o que é perder, sabe o que é fracassar", declarou.
As filmagens aconteceram em diferentes regiões de Nova York, incluindo vagões de metrô em funcionamento e bairros afastados das áreas mais conhecidas da cidade. Segundo Turturro, a experiência foi especialmente estimulante pelo contato com os moradores e pela oportunidade de explorar lugares pouco frequentados por grandes produções cinematográficas.
"Foi realmente revigorante, porque as pessoas eram muito acolhedoras e generosas. Você precisa entrar em bairros aos quais normalmente não iria. Meu camarim chegou a ficar em um salão de beleza, em um apartamento e em uma loja de penhores", relembrou.
Fonte: EW
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