John Travolta quer buscar o lado 'positivo' após dedicar novo filme à sua falecida esposa e filho
O ator, que perdeu sua esposa Kelly Preston em 2020 e seu filho Jett Travolta em 2009, exalta o otimismo em nova entrevista
O ator John Travolta falou abertamente sobre suas experiências com o luto e o otimismo, após dedicar seu novo filme à entes queridos. A estrela enfrentou a perda do filho de 16 anos, Jett Travolta, em 2009, após uma convulsão que causou uma queda. Onze anos depois, em 2020, sua esposa, Kelly Preston, faleceu aos 57 anos, dois anos após ser diagnosticada com câncer de mama.
Em uma nova entrevista publicada hoje, 2, pelo
jornal italiano La Repubblica,
Travoltarevelou
que o longa Aventura nas Alturas, estreia do ator na direção, foi feito para homenagear a mulher e o filho. O cineasta também exaltou seus pais e irmãos, já falecidos. Hoje, o ator continua próximo dos filhos Benjamin, de 16 anos, e Ella, de 26."Dediquei o filme a Kelly, ao meu filho Jett, aos meus irmãos e irmãs, à minha mãe e ao meu pai, porque eles são a inspiração para este filme", explicou. A obra é uma adaptação de um livro de mesmo nome ( "Propeller One-Way Night Coach, no inglês original), escrito pelo próprio Travolta. A aventura infantil foi lançada em 1997, e foi feita como uma história para Jett, inspirada no primeiro voo feito pelo autor quando criança.
Sobre como conseguia manter o otimismo apesar de ter vivenciado tanta dor e perda, o ator afirmou à publicaçao italiana que, embora "a vida certamente o tenha testado", é da sua "natureza buscar o lado positivo, mesmo diante do pior". "Não fui feito para permanecer imerso na escuridão", disse Travolta. "Posso olhar para a escuridão, mas não escolho morrer nessa escuridão."
O filme, que também conta com a participação da filha de Travolta, Ella Bleu Travolta, é um filme familiar que retrata os Estados Unidos de 1962 pelos olhos de Jeff, um menino de 8 anos. Ele não se esquiva de temas históricos difíceis, incluindo os campos de concentração nazistas, mas permanece ancorado na perspectiva de uma criança. "Eu queria essa sinceridade", afirmou o cineasta sobre o longa. "A esperança e a resiliência de uma criança são únicas; nós, adultos, esquecemos o que isso significa. Quando criança, eu sempre via o copo meio cheio; pensava que a vida poderia ser melhor."
Travolta reforçou: "Mesmo quando ouvia notícias terríveis, como quando o filme fala sobre os campos de concentração, ou quando o louco aparece, ele vê escuridão e dor, e logo se levanta novamente." O ator e diretor disse que espera que as pessoas "redescobrirem esse olhar de esperança", explicando que em 1962, quando o filme se passa, "não éramos tão oprimidos pela obrigação de sempre olhar para o lado sombrio da vida".
O artista apresentou seu filme no Festival de Cannes em maio, onde recebeu inesperadamente a Palma de Ouro honorária. Na entrevista, Travolta relembrou sua primeira aparição no evento, com Pulp Fiction. O filme estreou no festival em 1994, e foi a primeira vez que o ator assistiu ao longa. "Eu estava sentado lá com minha esposa na exibição no Palais. Chega a cena do Jack Rabbit Slims, aquela em que Uma [Thurman] e eu entramos no restaurante. Meu personagem está muito chapado, meio atordoado", explicou ao jornal La Repubblica.
"Eu vejo os sósias da Marilyn Monroe e do James Dean passando, aponto para eles com aquele gesto, e a edição corta para a minha nuca", continua Travolta. "Minha esposa me agarra e diz: 'Querido, você se dá conta do que se trata este filme?' Eu descobri junto com o mundo. É a minha lembrança mais forte."
Recentemente, Ella Bleu, filha do ator e intérprete de Doris, uma comissária de bordo de Aventura nas Alturas, homenageou seus pais na estreia do filme em Nova York. A atriz explicou à revista People que ambos sempre a apoiaram em sua decisão de seguir os passos deles na indústria do entretenimento. "Mesmo se eu tivesse decidido fazer outra coisa no final, eles também teriam me apoiado", disse ela. "Mas acho que eles ficaram felizes porque gostam muito desse trabalho, e eu o amo igualmente. Então, acho que eles simplesmente ficaram felizes por eu gostar tanto de fazer algo assim."
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