Hollywood brasileira, Paulínia recebe artistas em festival
O tapete vermelho, de 125 metros, é maior que o do Festival de Cinema de Cannes (que tem 60 metros), embora não tenha Brad Pitt e Angelina Jolie, nem a quantidade de fotógrafos e fãs gritando como os eventos de lá. A 118 km da capital paulista, a cidade de Paulínia assumiu pela segunda vez, na noite de quinta-feira (9), seu perfil de Hollywood dos trópicos e abriu a nova edição do
Festival Paulínia de Cinema- que exibirá seis longas de ficção, seis documentários, além de curtas-metragens.
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Entre os figurões da telona e do mundo artístico, percorreram os 125 metros do tapetão os atores Cauã Reymond, Debora Bloch, Maria Paula, Paula Burlamaqui, Ney Latorraca, e também o astronauta Marcos Pontes. Inquirido sobre um possível casamento com a namorada, Grazi Massafera, Cauã Reymond se esquivou e lançou a clássica evasiva: "Esse tipo de evento só fortalece o cinema".
O filme escolhido para a noite de abertura, que teve como mestres de cerimônia Lázaro Ramos e Marília Gabriela, já esteve em Cannes, inclusive com boa recepção do público. À Deriva, de Heitor Dhalia, foi exibido em Paulínia fora de competição.
Na entrada do oponente Teatro Municipal da cidade, o diretor do longa comentou a expectativa de mostrar o filme pela primeira vez em sessão aberta no Brasil: "É sempre uma nova emoção, mas confesso que depois de Cannes estou mais tranqüilo", disse Dhalia, que durante o festival francês manteve um blog sobre sua primeira vez em Cannes. Além de Cauã Raymond e Debora Bloch, o longa traz a participação do ator francês Vincent Cassel (que fala em português compreensível, mas com sotaque) e da americana, filha de brasileira, Camilla Belle, que não compareceram à prémière. Em compensação, a estreante Laura Neiva rouba a cena.
Com 15 anos, Laura, que nem sonhava em ser atriz até receber um convite da produção do filme pelo Orkut, interpreta a protagonista Filipa, que assiste a separação dos pais, enquanto desperta para a turbulenta adolescência.
Medo de enfrentar mais um festival? Após a exibição do filme, já com os pés descalços na festa, a doce Laura comenta: "Em Cannes, eu não tinha prestado atenção na proporção. Aqui eu estava mais ansiosa, por ser meu país. Mas deu tudo certo".
Pólo cinematográfico
Com a realização do festival e outros projetos, a cidade de Paulínia busca ser o grande pólo cinematográfico do Brasil. Contando com infraestrutura para receber grandes produções, a cidade cenográfica e os estúdios construídos próximos ao Teatro Municipal já foram utilizados no filme O Menino da Porteira, de Jeremias Moreira, Salve Geral, de Sérgio Rezende, e Sonho de um Sonhador, de Caco Cilano, cinebiografia do cantor de forró Frank Aguiar. Presente também na festa, Aguiar disse ter vontade de estrear o filme no festival. "É um encontro bonito e aqui é uma cidade que exala cultura. Além de ter as condições necessárias para as filmagens, tudo aqui tem um olhar diferente. A minha idéia é exibir o filme aqui, no festival do ano que vem."