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Tilly Norwood: Atriz gerada por IA é disputada por agentes e criticada por astros de Hollywood

Personagem foi apresentada em evento durante o Festival de Cinema de Zurique, e estúdio promete que ela 'não será a única'; criadora se manifestou após retaliação de astros de Hollywood

29 set 2025 - 17h47
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Uma atriz gerada por inteligência artificial foi apresentada oficialmente a agentes e produtores de Hollywood neste fim de semana durante o Zurich Summit, braço para a indústria do Festival de Cinema de Zurique, na Suíça. Disputada por agentes, Tilly Norwood também já preocupa atores e atrizes, que recorreram às redes sociais para criticar a nova criação.

Tilly Norwood, atriz gerada por IA, já tem página no Facebook e esquete de humor
Tilly Norwood, atriz gerada por IA, já tem página no Facebook e esquete de humor
Foto: Xicoia/Divulgação / Estadão

Tilly Norwood é a primeira criação do estúdio Xicoia, empresa focada em talentos gerados por IA criada pelos mesmos donos da produtora Particle6 — mas, segundo a empresa, não a única. A proposta é apresentar astros de inteligência artificial para variados usos, desde produções para o cinema e para a TV a podcasts, TikTok, YouTube e campanhas de marca e videogames.

Segundo Eline Van Der Velden, fundadora e CEO do estúdio Xicoia, haverá mais anúncios nos próximos meses. Ela conta que Tilly já desperta o interesse de agências de talentos interessadas em representá-la.

"Queremos que Tilly seja a próxima Scarlett Johansson ou Natalie Portman, esse é o nosso alvo", declarou ao jornal Broadcast International. "As pessoas estão percebendo que a criatividade não precisa ser limitada por um orçamento - não há restrições criativas e é por isso que a IA pode realmente ser positiva", justificou.

Na apresentação oficial de Tilly em Zurique, Van Der Velden disse que a agência escolhida para representar Tilly será anunciada nos próximos meses. Segundo o Deadline, a personagem foi criada com uma história pregressa, personalidade e arco narrativo, podendo se envolver em conversas improvisadas e se adaptar para variados públicos. Esta e as próximas criações irão operar em modelo híbrido de supervisão criativa humana e responsividade autônoma.

"Estávamos em várias reuniões em fevereiro, e todo mundo dizia: 'Isso não é nada, não vai acontecer'. Aí, em maio, as pessoas diziam: 'Precisamos fazer algo com vocês'. Quando lançamos a Tilly, as pessoas perguntavam: 'O que é isso?', e agora vamos anunciar qual agência a representará nos próximos meses", disse a CEO.

Anúncio foi criticado por atores e atrizes

Astros como Melissa Barrera, Lukas Gage, Kiersey Clemons, Toni Collette e Mara Wilson estão entre os que recorreram às redes sociais para criticar o anúncio.

"Espero que todos os atores representados pela agência que fizer isso deem o fora. Que nojento, se orientem", declarou Barrera, em uma publicação nos stories do Instagram. "Falem quem são os agentes. Queremos os nomes", pressionou Clemons.

Já o astro Lukas Gage, de The White Lotus, brincou: "Era um pesadelo trabalhar com ela, ela não conseguia ficar na marca e estava sempre atrasada." Mara Wilson, por outro lado, questionou: "E as centenas de jovens mulheres cujos rostos foram reunidos para criar o dela? Não dava para contratar nenhuma?"

Vale lembrar que a utilização da inteligência artificial na indústria do audiovisual foi o principal ponto de ruptura que ocasionou a greve conjunta de atores e roteiristas em 2023. Os acordos firmados para o fim da paralisação com o SAG e o WGA, sindicatos que representam as duas classes, protegem os profissionais de terem seus trabalhos usados para treinar IAs sem o expresso consentimento. Mesmo assim, há brechas que permitem que a IA seja usada.

Em uma publicação na página de Tilly no Instagram, Van Der Velden defendeu a criação da personagem e a comparou a outros formatos que compõem obras artísticas.

Leia a declaração na íntegra:

A todos aqueles que expressaram raiva pela criação de nossa personagem de IA, Tilly Norwood: ela não é uma substituta para o ser humano, mas um trabalho criativo - uma peça de arte. Como muitas outras formas de arte antes dela, ela gera conversa, e isso por si prova o poder da criatividade.

Não vejo a IA como uma substituta para as pessoas, mas como uma nova ferramenta - um novo pincel. Assim como animação, teatro de fantoches ou CGI abriram novos caminhos sem tirar nada de atores vivos. A IA oferece outra forma de imaginar e criar histórias. Eu mesma sou uma atriz, e nada - certamente não uma personagem de IA - pode me tirar a alegria ou a arte da performance humana.

Criar Tilly, para mim, tem sido um ato de imaginação e artesanato, assim como desenhar um personagem, escrever um papel ou moldar uma atuação. Gasta tempo e habilidade trazer uma personagem como esta à vida. Ela representa experimentação, não substituição. Muito do meu trabalho tem sido sobre segurar um espelho para a sociedade por meio da sátira, e isso não é diferente.

Eu também acredito que personagens de IA devam ser julgadas como parte de seu próprio gênero, com seus próprios méritos, ao invés de serem comparadas como atores humanos. Cada forma de arte tem seu lugar, e cada uma pode ser valorizada pelo que só ela proporciona.

Eu espero que possamos dar boas-vindas à IA como parte de uma família artística mais ampla: mais uma forma de nos expressarmos, junto ao teatro, ao cinema, à pintura, à música e muitos outros. Quando celebramos todas as formas de criatividade, abrimos as portas para novas vozes, novas histórias e novas formas de nos conectarmos.

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Estadão
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