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Terror corporal chega ao universo dos super-heróis com 'Cara-de-Barro', novo filme da DC

Longa com assinatura de Mike Flanagan acompanha jovem ator que se torna uma criatura monstruosa enquanto tenta recuperar sua vida após ser desfigurado; leia entrevistas

24 out 2026 - 10h06
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Resumo
Novo filme do universo DC, "Cara-de-Barro" traz o terror corporal ao mundo dos super-heróis ao adaptar o clássico vilão de Gotham. Dirigido por James Watkins a partir de roteiro iniciado por Mike Flanagan, o longa acompanha Matt Hagen (Tom Rhys Harries), um ator desfigurado que sofre mutações físicas extremas após um tratamento experimental da cientista vivida por Naomie Ackie. A obra aposta em uma atmosfera sombria, inspirada no expressionismo alemão, para retratar a decadência do protagonista.

Um ator em ascensão, prestes a encontrar o sucesso, tem o rosto desfigurado em um ato de vingança. Da noite para o dia, ele se vê sem as feições que lhe davam sua identidade e sem a sua principal ferramenta de trabalho. Desesperado, ele encontra esperanças em um tratamento experimental, mas logo se depara com um efeito colateral indesejado: o derretimento de sua face. É daí que vem o título, autoexplicativo, de Cara-de-Barro, filme que estreia nos cinemas nesta quinta-feira, 22.

A premissa está no campo do terror corporal, o subgênero que aterroriza pelas intensas transformações físicas de seus personagens, como acontece no clássico A Mosca (1958), que ganhou remake por David Cronenberg em 1986, e no recente A Substância (2024), que rendeu a Demi Moore uma indicação ao Oscar. Mas Cara-de-Barro habita outro território: o dos super-heróis e seus vilões. Mais especificamente, Gotham City - a cidade do Batman.

O personagem-título é um adversário do Homem-Morcego nos quadrinhos da DC, criado em 1940 por Bill Finger e Bob Kane. Agora, ele ganha sua primeira adaptação live-action, com seu filme sendo o terceiro a chegar aos cinemas como parte do DCU, universo cinematográfico desde 2022 sob o comando de James Gunn. Ele estreia após o bem-sucedido Superman, dirigido pelo próprio Gunn, e pelo malfadado Supergirl, de Craig Gillespie.

NÃO USAR - Tom Rhys Harries em cena de 'Cara-de-Barro'
NÃO USAR - Tom Rhys Harries em cena de 'Cara-de-Barro'
Foto: Parisa Taghizadeh/Warner Bros/Divulgação / Estadão

A história chegaria às telas por Mike Flanagan, que se consagrou em séries como A Maldição da Residência Hill (2018) e Missa da Meia-Noite (2022) e acaba de lançar uma elogiada adaptação de Carrie, A Estranha. Ele levou o projeto à DC e escreveu a primeira versão do roteiro, mas não pôde dirigir o projeto por conta de conflitos de agenda. A responsabilidade então ficou a cargo de James Watkins, cineasta britânico conhecido por filmes de terror como Não Fale o Mal (2024) e A Mulher de Preto (2012).

O diretor gostou do que leu - e depois Hossein Amini (Drive) juntou-se ao projeto para fazer mudanças no script original (mas tanto ele quanto Flanagan são creditados como roteiristas). "É a jornada de como um homem se torna um monstro e de como um monstro pode viver em cada um de nós", diz Watkins em conversa com um seleto grupo de jornalistas, com a participação do Estadão. "É um homem que perdeu tudo, com quem você pode se identificar. Quando somos feridos, nós queremos de alguma forma retificar isso, não importa o quanto isso esteja enterrado dentro de nós."

Também interessou ao cineasta o fato de o protagonista - cujo nome real é Matt Hagen - ser um ator. "O monstro tem o poder de mudar de forma, então é como se colocássemos um superpoder em um superpoder."

Para dar vida ao personagem-título, foi escolhido o escocês Tom Rhys Harries, 36, que acumulou papéis coadjuvantes em filmes como Magnatas do Crime (2019) e em séries da TV britânica. Cara-de-Barro marca a primeira vez em que ele está à frente de um longa-metragem de um grande estúdio.

Para incorporar a fisicalidade exigida quando Matt começa a se transformar, ele partiu das origens de Matt, um rapaz que teve infância e juventude sofridas em uma área violenta de Gotham City. "Pareceu que a sua autopreservação e a sua 'armadura' teriam se manifestado fisicamente em algum momento", diz ele.

NÃO USAR - O diretor James Watkins e o ator Tom Rhys Harries nos bastidores do filme 'Cara-de-Barro'
NÃO USAR - O diretor James Watkins e o ator Tom Rhys Harries nos bastidores do filme 'Cara-de-Barro'
Foto: Parisa Taghizadeh/Warner Bros/Divulgação / Estadão

As próteses que ele teve de usar, naturalmente, contribuíram para o trabalho. "Elas ajudaram, mas também são limitantes, então toda vez que eu estava lidando com elas, isso refletia o que Matt estava passando. Ele é limitado pelo fato de que seu corpo, de certa forma, está falhando."

Para ele, no entanto, as transformações físicas não são o elemento mais aterrorizante da história. "Como qualquer um de nós, você quer contribuir para a sociedade de alguma forma e quer pertencer. O mais assustador é ser deixado de lado e rejeitado", resume.

NÃO USAR - Naomie Ackie em cena de 'Cara-de-Barro'
NÃO USAR - Naomie Ackie em cena de 'Cara-de-Barro'
Foto: Warner Bros/Divulgação / Estadão

Por trás da transformação de Matt está Caitlyn Corr, vivida por Naomie Ackie. Cientista, ela está com uma pesquisa sobre nanocélulas paralisada após perder seus investidores e vê em Matt a chance de finalmente avançar, enquanto o ajuda. "Ela parte de um lugar puro, mas quando a conhecemos ela está vendo seu objetivo escapar entre seus dedos", conta a atriz. "Por isso é difícil para ela desistir do experimento quando ele se torna algo negativo; ela amarrou seus valores e sua vida em Matt, e isso sem contar a conexão que eles criam, que leva a um relacionamento complicado."

Uma nova Gotham City

A história, vale notar, não tem relação com o Batman vivido por Robert Pattinson, cuja história não está ligada ao DCU. Mas o universo deverá ter, em paralelo, sua própria versão do Homem-Morcego no filme The Brave and The Bold, ainda sem previsão de estreia.

O fato de Cara-de-Barro estar inserido neste universo compartilhado não influenciou no retrato que o filme faz de Gotham, diz o diretor James Watkins. "Se eles têm um plano secreto para Gotham, não sei e não posso compartilhar. (...) Mas não houve nenhuma ordem para criar a cidade de um certo jeito. Estávamos focados em como contar bem esta história."

O cineasta sabia bem como queria que fosse sua Gotham City, que já ganhou múltiplas versões para as telas pelas mãos de diretores como Christopher Nolan, Tim Burton e Joel Schumacher. "Queria que a cidade fosse outro personagem no filme, que fosse palpável que um mundo corrupto pairava sobre os personagens."

Ele e o diretor de arte James Price (vencedor do Oscar por Pobres Criaturas) buscaram inspirações no expressionismo alemão dos anos 1930 - e na "sensação de pequenez" tão bem exposta por eles - bem como em fotografias reais da Nova York dos anos 1980 e 1990. E acabaram por usar Liverpool, na Inglaterra, como locação. "Eu lembro de ver chegarem os carros da polícia e os policiais. Então nós nos olhamos e pensamos 'isto é ótimo'. De repente havíamos saído de Liverpool e entrado em Gotham."

Estadão
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