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Morre Tinto Brass, diretor de 'Calígula', aos 93 anos

Cineasta ficou conhecido por filmes eróticos como 'O Bordel de Paprika' e 'Todas as Mulheres Fazem'

4 nov 2026 - 16h59
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Resumo
O cineasta italiano Tinto Brass, famoso por unir erotismo e comédia, morreu aos 93 anos. Ícone do cinema polêmico, ele alcançou notoriedade mundial com "Calígula" (1979), obra marcada por escândalos e censura devido a cenas explícitas inseridas sem seu consentimento pela produção. Após décadas de carreira e títulos controversos, Brass lançou em 2023 uma versão definitiva do longa, resgatando sua visão dramática original. Ele deixa a esposa, Caterina Varzi, e dois filhos.

Um dos artistas mais controversos do cinema mundial, Tinto Brass morreu aos 93 anos. A morte foi revelada pela família do cineasta italiano à imprensa local. A causa da morte não foi divulgada.

Nascido em Milão, na Itália, em 1933, Giovanni Brass adotou o nome artístico Tinto ainda jovem, como homenagem ao pintor maneirista Jacopo "Tintoretto" Robusti, e começou a trabalhar com cinema na Cinemateca de Paris durante o período mais agudo da Nouvelle Vague.

Tinto Brass, diretor conhecido por filmes eróticos, morreu aos 93 anos, em Roma
Tinto Brass, diretor conhecido por filmes eróticos, morreu aos 93 anos, em Roma
Foto: MONDADORI PORTFOLIO/Giorgio Lotti/Divulgação / Estadão

O primeiro longa-metragem dirigido por Brass foi Quem Trabalha está Perdido (Até o fim do mundo), de 1963. Nos anos seguintes, ele ficou famoso por misturar erotismo, comédia e personagens teatrais em seus trabalhos, como O Bordel de Paprika e Todas as Mulheres Fazem, em um estilo que alcançaria seu ápice em 1979, com Calígula, seu título mais infame.

O longa, estrelado por Malcolm McDowell (Laranja Mecânica), Peter O'Toole (Lawrence da Arábia) e Helen Mirren (Terra da Máfia), causou rebuliço internacional por suas cenas explícitas de sexo e violência. Apesar de historicamente responsabilizado pelo resultado, Brass renegou o filme desde seu lançamento, acusando interferência do estúdio.

As cenas explícitas de Calígula foram filmadas por Bob Guccione, criador da revista erótica Penthouse, sem aprovação do diretor ou do roteirista Gore Vidal. Narrando a ascensão do imperador romano titular, o longa teve sua exibição proibida no Brasil durante a ditadura militar. O filme também causou polêmica no Reino Unido, com cópias sendo apreendidas em 1980 por seu conteúdo considerado pornográfico.

Nos anos seguintes, ele seguiu trabalhando intensamente, dirigindo e atuando em produções como O Homem que Olha, de 1994, e A Pervertida, de 2000.

Em 2023, ele retomou seu trabalho em Calígula, lançando um corte final que eliminou as cenas de sexo explícito para reconfigurar o filme como o drama histórico originalmente planejado por ele e Vidal.

Brass deixa a esposa, a atriz Caterina Varzi, e dois filhos, Bonifacio e Beatrice Brass.

Estadão
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