'Minions & Monstros' diverte, faz pensar e até emociona
Filme, um dos destaques do cinema em 2026, deixa tom excessivamente infantil de lado para homenagear o cinema, desde Orson Welles até George Lucas
Pode ser ousado dizer isso, mas Minions & Monstros é uma das principais surpresas dos cinemas em 2026 ao lado de Obsessão. O filme, terceiro sobre as criaturas amarelas e sétimo da franquia Meu Malvado Favorito, é o mais criativo e ousado de todos: não existem aqui vilões perfeitos, tramas infantis e excesso de bananas. A ideia do diretor Pierre Coffin, que também faz a voz dos minions, é tentar encaixar as criaturas dentro da história do cinema.
Afinal, muitos podem torcer o nariz quando alguém considera Kevin e Stuart, para citar os dois minions mais conhecidos, como importantes dentro da lógica da sétima arte.
Mas não tem como ignorar o impacto cultural dessas criaturas, que viraram mania ao redor do mundo, tampouco fechar os olhos para o sucesso absurdo da franquia nos cinemas, com mais de US$ 5,5 bilhões em bilheteria - e contando. É sucesso, é cinema, é cultura pop. E o que Coffin faz aqui é cutucar o público a entender que os minions são, sim, sétima arte.
Minions e o cinema-arte
Essa provocação já começa no início do longa-metragem, quando um grupo de pessoas está passeando em um museu sobre cinema. Estão ali George Lucas preso em uma cúpula de vidro, uma arte sobre E.T.: O Extraterrestre, uma instalação sobre Metrópolis e afins. O grupo, porém, se depara com uma estátua de dois minions, o que causa estranhamento. É aí que a guia do grupo começa a narrar a história dessas criaturas amarelas, desde o início, quando procuravam um novo chefe, até o momento em que entram no mundo do cinema.
Além de toda a provocação por trás disso, com Coffin batendo na tecla de que os minions merecem o reconhecimento, o longa-metragem se torna uma grande homenagem ao cinema. Os minions recriam cenas de clássicos, inclusive com uma paródia impagável de Cidadão Kane, e colocam elementos da história da sétima arte ao longo de todo o filme, agradando até aqueles que não são tão ligados nos clássicos. Uma cena envolvendo uma obra de Charlie Chaplin, por exemplo, é excelente.
Ainda assim, minions
Mas, para além de todo esse discurso sobre cinema e o reconhecimento dos minions, o filme não deixa de olhar para as crianças, claro. Há piadas típicas dos minions, encontradas nos outros longas da franquia, e que vão agradar. Algumas pessoas podem reclamar de um tom escatológico aqui (como um minion se limpando com uma múmia) e um tom exagerado ali (como a cabeça de uma rainha decapitada), mas o essencial dos minions surge sem exagero, sem tons acima. É, de longe, o filme mais equilibrado, divertido e criativo da saga.
Minions & Monstros, no final, deixa um pouco o ar de cinema clássico para falar da relação dos seres amarelos com monstros que são invocados - tudo com a ideia de fazer um filme, vale dizer. Fica mais infantil e até um pouco repetitivo, mas Coffin não se prolonga e termina o filme na hora que precisa terminar, com apenas 90 minutos de rodagem. É, assim, um filme redondo, sem arestas ou sobras, e que sabe o que quer. Diverte, faz pensar e até emociona, mostrando que os minions podem, sim, render boas histórias.
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