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'Hamnet' evoca a tragédia pessoal que teria inspirado uma das mais famosas peças de Shakespeare

'Acho que Hamnet me escolheu porque eu conheço a perda', diz Chloé Zhao sobre o filme que estreia nos cinemas dias 15 e está indicado a 6 Globos de Ouro neste domingo, 11

11 jan 2026 - 06h10
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Agnes, filha de uma bruxa da floresta, e Will, um tutor de latim pobretão, se apaixonam em encontros furtivos nas matas de uma comunidade inglesa do século 16. Os dois formam uma família amorosa com três crianças, até que a chegada de uma doença interrompe a vida idílica do jovem casal.

A premissa dá fôlego para uma grande tragédia, que chega aos cinemas como um dos filmes mais badalados na temporada de prêmios de Hollywood. Hamnet, indicado a seis Globos de Ouro (veja aqui a lista completa de indicados), é baseado no livro best-seller de Maggie O'Farrell, que assina o roteiro com a diretora Chloé Zhao.

Will, na verdade, é William Shakespeare, e a história é o drama pessoal que teria inspirado uma de suas peças mais famosas, Hamlet. Mas isso é detalhe.

"Não estava interessada na parte histórica", disse a atriz Jessie Buckley, que vive a protagonista Agnes, uma jovem mística ligada à natureza e a ervas medicinais. "Simplesmente me foquei em conhecer o coração pulsante dessa mulher, quem ela era na minha imaginação e na imaginação de Maggie e Chloé."

O livro premiado de Maggie O'Farrell, lançado em 2020, é um romance histórico que imagina a vida do bardo inglês e a possibilidade de Hamlet ter sido escrito após a morte de uma de suas crianças aos 11 anos. Hamnet e Hamlet eram variações do mesmo nome, segundo registros da época.

"Ninguém sabe nada de verdade sobre esses personagens. Não sabemos o que Shakespeare colocava na sua torrada, o que escreveu de fato, e não importa", continuou Buckley, indicada ao Oscar por A Filha Perdida (2021). "O que importa é o efeito que suas histórias produzem. Ele é o contador de histórias por excelência, e sua presença se faz sentir de forma palpável ao longo de todo esse tempo."

É um misticismo do qual a diretora parece compartilhar. "Acredito que os pássaros falam a língua dos profetas", disse Zhao, que usava um casaquinho com dois pássaros pretos bordados. "Sou muito sensível. Quando as coisas ficam complicadas e preciso decidir algo na hora, eu paro e tento escutar os pássaros. Se escuto, digo sim. Se não escuto nada, é não."

Chloé Zhao depois do Oscar de 'Nomadland' e o fracasso de 'Eternos'

Hamnet chegou a suas mãos após um convite da produtora de Steven Spielberg. Zhao havia acabado de lançar o blockbuster da Marvel Eternos (2021), um filme que decepcionou nas bilheterias e foi massacrado nas críticas.

Antes de Nomadland, sobre uma mulher em luto que passa a viver no carro e a viajar pelo oeste dos EUA, ela dirigiu Songs My Brothers Taught Me (2015), sobre a vida de dois irmãos da comunidade Lakota Sioux, e The Rider (2017), um faroeste moderno sobre um peão que precisa se reinventar após sofrer um acidente.

"As histórias me escolhem", disse Zhao a respeito da conexão com seus filmes anteriores. "E acho que Hamnet me escolheu porque eu conheço a perda. Meus filmes anteriores são sobre isso, a perda de identidade, da fé, da casa, de propósito. Eu passei por maus bocados", disse Zhao, sem dar detalhes da vida pessoal.

A diretora nasceu em Pequim e estudou na Inglaterra quando adolescente antes de se mudar para Califórnia, Massachusetts e Nova York, onde estudou cinema e teve aulas com Spike Lee. Recentemente, separou-se de seu parceiro de longa data e colaborador, o diretor de fotografia Joshua James Richards.

"Seja lá onde for, numa reserva indígena, na natureza, com cavalos ou na estrada, uma alquimia acontece nas comunidades. E é através dessa alquimia que os personagens se tornam quem realmente são, através da dor e da perda", disse Zhao sobre seus filmes.

Em Hamnet, essa química acontece quando somos levados para dentro do Globe Theatre, um teatro ao ar livre em Londres, construído em 1599, onde a companhia de Shakespeare encenava suas peças.

Agnes está atordoada e confusa na plateia, sem entender a encenação de palavras pomposas. É um sentimento que pode acometer os espectadores do filme não iniciados em Hamlet, sobre um príncipe que precisa vingar a morte do pai, ex-rei da Dinamarca, que surge como um fantasma.

Com um simples gesto de Agnes, o teatro atinge uma epifania coletiva, uma emoção que parece reverberar pelo cinema, quando é possível ouvir as lágrimas transbordando.

"É o alívio de reconhecer a genialidade de Will", disse a atriz Jessie Buckley sobre a cena. "Ele cria esse portal para todos nós podermos transcender a dor que é pesada demais para suportarmos sozinhos", continuou.

"Quando começamos a filmar no Globe, eu estava tão perdida, não sabia o que ia fazer, qual seria minha reação. No final, foi uma libertação depois de uma jornada emocional tão intensa."

A diretora disse que, ao final da cena, continuou filmando, como que à espera de um sinal, que veio numa expressão inesperada de Agnes. O resto, como queria Buckley e como diz Hamlet, é silêncio.

Estadão
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