Script = https://s1.trrsf.com/update-1784747113/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE
Publicidade

'Duas Elizes convivem na mesma história': Como novo filme reconta o caso Matsunaga

Estrelado por Lorena Comparato e roteirizado por Raphael Montes e Mariana Torres, 'Elize - Sombras de uma Mulher' decidiu abraçar a dualidade da personagem-título; leia entrevistas

27 jul 2026 - 17h26
Compartilhar
Exibir comentários

É um dos crimes mais conhecidos do Brasil o cometido por Elize Matsunaga. Em 2012, ela matou e esquartejou o marido, Marcos Matsunaga, herdeiro da Yoki. Semanas depois, foi presa e confessou. Agora, após 14 anos, a história chega ao streaming no filme Elize: Sombras de Uma Mulher, disponível na Netflix.

Escrito pelo autor Raphael Montes (Bom Dia, Verônica, Beleza Fatal) e por Mariana Torres, e sob a direção de Felipe Vellas, o longa reconta o crime brutal ao mesmo tempo em que pincela a história pregressa de Elize. Abusada pelo padrasto na adolescência, conheceu Marcos, anos mais tarde, como garota de programa. Segundo depoimentos de Elize ao longo dos anos, os dois teriam vivido um casamento conturbado, e Marcos teria ameaçado interná-la em uma clínica psiquiátrica para assumir o relacionamento com uma mulher com quem mantinha um caso extraconjugal.

Isso é retratado no filme, em uma narrativa que quer abarcar as complexidades do caso, do relacionamento complicado de ambos, e da própria Elize. "A história de vida dela é uma história muito identificável para muitas mulheres", reflete Montes, em conversa com o Estadão. "É uma mulher que sai de uma cidade pequena, vai para cidade grande, tentar vencer na vida, encontra um homem por quem ela se apaixona, cria uma relação, parece que vai construir uma família diferente da que ela teve, e então, as coisas acontecem de forma diferente e se torna um caso muito específico."

Montes e Mariana então mergulharam na dualidade da personagem-título, fazendo uso de uma narrativa não-linear que oscila entre passado e futuro. "A maneira que a gente encontra para contar a história é essa: mostrar essa Elize vítima sem esquecer que também foi uma Elize que cometeu um crime brutal. Por isso a gente mostra também a manipulação com a família [de Marcos], quando ela tenta despistar a polícia. Essas duas Elizes convivem na mesma história."

Mariana explica que os dois fizeram um esforço para "descobrir a história dentro dos fatos" e investigar o que levou Elize a cometer um ato tão ignóbil. "A gente está falando de duas pessoas que entraram num relacionamento tóxico. Você olha para isso e tenta entender - não para justificar, mas para complexificar a discussão. Onde estão as sombras da Elize? O que fez ela não sair desse relacionamento? O que fez ela continuar?"

A dupla de roteiristas ficou interessada na possibilidade de analisar aspectos como esses, que não ganharam espaço nas discussões públicas na época do caso. "Quando aconteceu o crime, em 2012, a gente tinha uma sociedade, hoje a gente tem outra", pontua Mariana. "Hoje há debates sobre violência, sobre relacionamentos tóxicos. O caso da Elize pode fazer a gente discutir esses assuntos."

Lorena Comparato, que interpreta Elize, concorda. "É uma oportunidade para as pessoas poderem conversar sobre temas tão importantes para nossa sociedade como crimes, a violência, gênero, classe social, o desarmamento", pontua, antes de refletir sobre seu próprio papel como intérprete.

"Como mulher, é muito interessante fazer essa personagem num contexto de um país que é tão violento com mulheres, né? Mas ao mesmo tempo eu acredito que a violência não é uma moeda de troca que a gente vai resolver. Eu acredito que é no diálogo, é na educação, e é dessa forma que a gente vai viver num mundo melhor."

O desafio de viver Elize

Para dar vida a Elize, Lorena se baseou em Elize Matsunaga: Era Uma Vez um Crime, documentário de Eliza Capai lançado pela Netflix em 2021 com uma até então inédita entrevista com a personagem. "Foi uma grande estrutura para eu começar meus estudos", conta a atriz, que também trabalhou com uma preparadora de elenco, uma fonoaudióloga e uma coordenadora de intimidade - profissional que auxilia nas cenas íntimas.

"Como atriz, é um mergulho muito profundo, muito denso", diz Lorena. "Fui com muito cuidado, mas ao mesmo tempo tentando estudar o máximo possível, porque eu tinha muito material à minha disposição."

Na avaliação da atriz, Elize - Sombras de Uma Mulher não foi fácil de se fazer - e nem de assistir. "Acho que contar essa história não é fácil para ninguém. E eu acho que não vai ser fácil para o espectador também assistir a um filme desse, é difícil, acho difícil. Mas quando eu assisto ao filme, eu reflito muito sobre a humanidade e sobre as nossas escolhas", conta ela, que prefere se afastar de julgamentos sobre a personagem.

"Como atriz, é muito difícil eu ter a tendência de julgar. Eu acho que não cabe a mim. (...) A partir de agora, com esse filme feito e no ar, eu acho que quem tem que julgar é o público."

Estadão
Compartilhar

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra