Biografia de Michael Jackson gastou R$ 77 milhões para excluir alegações de abuso infantil
Segundo a 'Variety', longa precisou ser alterado após advogados descobrirem cláusula impeditiva em acordo com uma das supostas vítimas do cantor
Michael, cinebiografia de Michael Jackson que chega aos cinemas neste mês, gastou cerca de US$ 15 milhões (aproximadamente R$ 77 milhões na conversão atual) para refazer todo o terceiro ato do filme e excluir da história as alegações de abuso infantil contra o astro do pop. As informações foram reveladas em reportagem da revista Variety.
Segundo o veículo, a ideia inicial da equipe era contar a história de como as denúncias de abuso infantil impactaram a vida do astro a partir dos anos 1990. A revista alega, inclusive, que a primeira cena do longa seria de Michael se encarando no espelho enquanto investigadores chegavam ao rancho Neverland, em 1993, para buscar evidências — depois, haveria um flashback para contar sua história desde o início.
Os planos precisaram se alterar depois que advogados responsáveis pelo espólio de MJ, que também são produtores do filme, descobriram uma cláusula no acordo feito com um dos acusadores de Jackson, Jordan Chandler. Essa cláusula proíbe qualquer menção a Chandler ou abordagem de sua história em filmes ou projetos de ficção.
A princípio, grande parte do terceiro ato do filme seria dedicada ao escândalo e seus desdobramentos, mas, com a descoberta, tudo precisou ser repensado. O diretor Antoine Fuqua e o roteirista John Logan precisaram se reunir novamente para redesenhar a estrutura do longa, que sofreu um novo atraso quando a casa do roteirista foi afetada pelos incêndios em Los Angeles ocorridos em janeiro de 2025.
Após isso, toda a equipe precisou se reunir por mais 22 dias para filmagens de cenas adicionais, em junho do ano passado. Esse processo, ainda de acordo com a Variety, adicionou de US$ 10 milhões a US$ 15 milhões ao orçamento.
Desta forma, foram dois adiamentos da estreia: inicialmente marcado para chegar aos cinemas em 18 de abril de 2025, foi adiado para 3 de outubro do mesmo ano e depois, finalmente, para abril de 2026. No Brasil, chega aos cinemas no próximo dia 23.
Agora, fontes dizem que o filme se encerra no auge da carreira de Michael, um desvio dos planos iniciais de concluir a história no seu momento mais infame. Na nova versão, os momentos mais intensos do filme devem vir da relação entre MJ e seu pai, Joe Jackson. Jafaar Jackson, sobrinho do astro do pop, interpreta o tio, enquanto Colman Domingo interpreta seu pai. Dos três filhos do cantor, Prince, Paris e Bigi, apenas Prince se envolveu diretamente no projeto.
Relembre as acusações
As primeiras acusações contra Michael Jackson surgiram em 1993, quando Jordan Chandler, então aos 13 anos, afirmou ter sido abusado pelo cantor. Apesar da investigação, não houve julgamento e o caso foi encerrado com um acordo judicial.
Nos anos seguintes, entre 2003 e 2005, outras alegações vieram à tona envolvendo Gavin Arvizo, e Jackson foi formalmente acusado de crimes como abuso de menor. No entanto, foi absolvido em tribunal.
No documentário Deixando Neverland (2019), mais duas supostas vítimas, Wade Robson e James Safechuck, trazem relatos do que teriam vivido na infância. A família nega as acusações.