Script = https://s1.trrsf.com/update-1786557910/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE
Oferecimento Logo do patrocinador
Publicidade

Exposição no MIS recupera imagens inéditas do documentário 'Mulheres da Boca'

Exposição revisita registros feitos durante as filmagens do documentário feminista de 1981 e recupera histórias de mulheres e de um dos principais polos do cinema independente brasileiro

1 set 2026 - 19h01
Compartilhar
Exibir comentários
Resumo
O Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo, abre a exposição gratuita "Mulheres da Boca", que resgata a memória do documentário homônimo de 1981, dirigido por Cida Aidar e Inês Castilho. A mostra reúne fotos inéditas de Wagner Carvalho, restauradas e digitalizadas, que retratam o cotidiano, a prostituição e a intensa produção do cinema independente na emblemática região da Boca do Lixo. O evento inclui filmes e palestras, unindo história urbana, feminismo e memória cinematográfica paulistana.

Quarenta e cinco anos depois do lançamento de Mulheres da Boca (1981), o Museu da Imagem e do Som (MIS) recupera parte da memória por trás do documentário experimental dirigido por Cida Aidar e Inês Castilho. A partir desta quarta-feira, 2 de setembro, a instituição recebe uma exposição de mesmo nome, que reúne fotografias inéditas realizadas durante as filmagens nas ruas da Boca do Lixo, região central de São Paulo que, entre as décadas de 1970 e 1980, se consolidou como um dos principais polos do cinema independente brasileiro.

Exposição no MIS recupera imagens inéditas do documentário 'Mulheres da Boca' (Divulgação)
Exposição no MIS recupera imagens inéditas do documentário 'Mulheres da Boca' (Divulgação)
Foto: Rolling Stone Brasil

Preservadas em negativos por mais de quatro décadas, as imagens foram produzidas pelo fotógrafo Wagner Carvalho e agora passam por restauração e digitalização pela Cinelimite, com apoio do museu Soberano — Rua do Triunfo. Os registros revelam diferentes aspectos da região naquele período, incluindo trabalhadoras do sexo, seus exploradores e o cotidiano de um território marcado pela convivência entre prostituição, criminalidade e uma intensa atividade cinematográfica.

Mais do que recuperar fotografias de um filme realizado no início dos anos 1980, a exposição propõe um olhar sobre a Boca do Lixo como um espaço de experimentação artística e resistência. A mostra acompanha a trajetória de jovens feministas que encontraram no cinema uma ferramenta para registrar e dar visibilidade a mulheres e experiências que, muitas vezes, permaneciam à margem das narrativas oficiais.

As dezenas de fotografias reunidas pelo MIS também ajudam a reconstruir a memória da própria indústria cinematográfica que ocupava a região. Conhecida por abrigar produtoras, distribuidoras, cinemas e profissionais ligados à produção independente, a Boca do Lixo tornou-se um território fundamental para compreender parte da história do cinema brasileiro.

Com curadoria de Inês Castilho, Marcelo Colaiácovo e William Plotnick, Mulheres da Boca estabelece um diálogo entre fotografia, cinema, feminismo e memória urbana. A exposição será acompanhada por uma programação de filmes e palestras, ampliando a discussão sobre o período e sobre as diferentes formas de representação das mulheres no audiovisual.

Ao recuperar imagens que permaneceram preservadas em negativos durante décadas, a mostra também coloca em perspectiva os processos de construção da memória. As fotografias de Carvalho não apenas documentam os bastidores de um filme, mas registram corpos, rostos, relações e um território que passou por profundas transformações ao longo dos anos.

Assim, Mulheres da Boca propõe revisitar a história da região não apenas como um capítulo da cinematografia paulistana, mas como um espaço atravessado por questões de gênero, trabalho, sexualidade, marginalidade e criação artística. Quarenta e cinco anos depois, as imagens ganham uma nova vida e permitem que histórias antes pouco vistas voltem a ocupar espaço na memória cultural de São Paulo.

Quem está por trás da exposição?

Inês Castilho foi cofundadora do jornal feminista Nós Mulheres e editora da revista Mulherio, publicada entre 1981 e 1989. Ao lado de Cida Aidar, dirigiu Mulheres da Boca (1981) e realizou Histerias (1983), trabalhos considerados referências do cinema feminista brasileiro. Atualmente, publica no portal Outras Palavras.

Marcelo Colaiácovo é cineasta independente, curador e produtor de filmes. Fundador da produtora Resistência Filmes, também idealizou e criou o Museu Soberano — Rua do Triunfo, dedicado à memória do cinema paulista.

William Plotnick é arquivista audiovisual de Nova Jersey e cofundador da Cinelimite, organização voltada à preservação e distribuição do cinema brasileiro. É mestre em preservação de filmes pela New York University e em estudos de cinema pela Columbia University.

Wagner Carvalho, responsável pelas fotografias da exposição, é graduado em cinema pela ECA-USP. Entre seus trabalhos, estão a produção de filmes como Greve, O Homem que Virou Suco e A Próxima Vítima, de João Batista de Andrade; Cidade Oculta, de Chico Botelho; e Comitiva Esperança, que também dirigiu. Ao longo da carreira, costumava registrar os bastidores das filmagens de curtas-metragens, incluindo Mulheres da Boca.

Maria Aparecida Kfouri Aidar (Cida Aidar) é psicanalista, professora e supervisora no Instituto Sedes Sapientiae. Cofundadora do jornal feminista Nós Mulheres, codirigiu Mulheres da Boca e realizou filmes e vídeos relacionados à psicanálise.

Serviço | Exposição "Mulheres da Boca"

Abertura: 02.09, quarta-feira, às 19h

Local: Espaço Maureen Bisilliat | MIS (Museu da Imagem e do Som)

Avenida Europa, 158, Jardim Europa - São Paulo, SP

Ingresso: gratuito

Classificação: 16 anos 

Rolling Stone Brasil Rolling Stone Brasil
Compartilhar

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra