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Emma Stone foi responsável por 'certa' participação em documentário sobre Elizabeth Holmes

Atriz ajudou os diretores a encontrar uma solução inesperada para You Can See Everything, filme de Nathan Fielder

21 out 2026 - 11h02
(atualizado às 11h17)
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Resumo
Emma Stone teve papel crucial nos bastidores do documentário You Can See Everything, sobre Elizabeth Holmes. Com a prisão da fundadora da Theranos, a produção ficou sem desfecho e sem a protagonista. Stone então conectou os diretores Nathan Fielder e Lance Oppenheim à atriz Amanda Seyfried, que já havia vivido Holmes na ficção. Seyfried entrou no projeto reagindo às imagens e fazendo reconstituições, transformando a ausência de Holmes no eixo central da narrativa sobre ilusão e realidade.

Emma Stone (Pobres Criaturas) teve um papel fundamental nos bastidores de You Can See Everything, documentário de Nathan Fielder (The Rehearsal) e Lance Oppenheim (Primetime), que acompanha os últimos dias de liberdade de Elizabeth Holmes, fundadora da Theranos, antes de começar a cumprir sua condenação por fraude. Embora não apareça no longa, a atriz foi responsável por uma conexão que acabou transformando os rumos da produção.

Emma Stone foi responsável por 'certa' participação em documentário sobre Elizabeth Holmes (Divulgação)
Emma Stone foi responsável por 'certa' participação em documentário sobre Elizabeth Holmes (Divulgação)
Foto: Rolling Stone Brasil

A participação de Stone veio à tona depois que espectadores perceberam seu nome entre os agradecimentos especiais nos créditos finais do filme. Em entrevista à Vulture, Oppenheim explicou que a atriz ajudou os cineastas a entrar em contato com Amanda Seyfried (Mamma Mia!), vencedora do Emmy por interpretar Holmes na minissérie The Dropout (2022).

Atenção: os próximos parágrafos contêm spoilers de You Can See Everything

Segundo o diretor, a equipe enfrentava dificuldades para encontrar um desfecho para o documentário depois que Holmes começou a cumprir sua pena de prisão. O projeto, que inicialmente acompanha a empresária, seu companheiro, Billy Evans, e seus dois filhos durante os últimos dias antes de sua detenção, precisava encontrar uma maneira de continuar a narrativa sem sua protagonista. Para complicar a situação, os cineastas não conseguiam convencer outras pessoas próximas à empresária a participar das filmagens.

Foi nesse momento que Stone, amiga e antiga colaboradora de Fielder, apresentou Seyfried aos diretores. Inicialmente, a ideia era bastante simples: convidar a atriz para assistir às imagens registradas pela equipe e compartilhar suas impressões diante das câmeras. Oppenheim explicou que esperava que a experiência de Seyfried interpretando Holmes pudesse oferecer uma compreensão mais profunda do material.

A atriz, entretanto, demonstrou certa resistência ao convite. Familiarizada com o trabalho de Fielder em produções como Nathan for You, nas quais o humorista frequentemente coloca participantes em situações desconcertantes, Seyfried temia estar sendo alvo de alguma pegadinha. Mesmo assim, concordou em participar.

Durante o encontro, a atriz assistiu a imagens de Holmes reagindo à sua interpretação em The Dropout, experiência que lhe provocou certo constrangimento. Ao mesmo tempo, demonstrou interesse genuíno pelos registros da vida da empresária e surpreendeu os cineastas ao manifestar vontade de interpretá-la novamente.

A partir daí, You Can See Everything assume uma direção inesperada. Seyfried passa a interpretar Holmes em reconstituições de acontecimentos, enquanto a própria ausência da empresária se transforma em um dos principais elementos narrativos do documentário. A abordagem aproxima o longa das experiências de Fielder em The Rehearsal, série que explora os limites entre realidade, representação e encenação.

"Assim que Elizabeth vai embora, o filme passa a ser, de certa forma, assombrado por sua ausência", explicou Oppenheim. "Todos que estão nele tentam se lembrar dela de maneiras diferentes e também criar uma versão dela."

A presença de Seyfried, porém, vai além de simplesmente interpretar Holmes. A atriz também passa a questionar Fielder sobre suas experiências com a empresária, discutindo suas impressões e confrontando algumas de suas interpretações sobre os acontecimentos. Dessa maneira, torna-se uma peça importante na investigação do próprio documentário sobre a dificuldade de distinguir a verdade das versões construídas a respeito de uma pessoa.

Qual é a história real de Elizabeth Holmes?

Holmes fundou a Theranos em 2003, aos 19 anos, após abandonar seus estudos em Stanford. A ideia da empresária era criar uma máquina capaz de realizar dezenas de exames médicos utilizando apenas uma gota de sangue. A proposta atraiu inúmeros investidores de grande porte, e a empresa chegou a ser avaliada em mais de US$ 9 bilhões em seu auge.

Em 2015, entretanto, uma série de reportagens do The Wall Street Journal expôs que a tecnologia era uma farsa. Foi descoberto que o dispositivo idealizado por Holmes nunca funcionou de verdade: a Theranos usava máquinas comerciais tradicionais adulteradas para processar os testes, terceirizava parte dos exames para outras empresas e, em alguns casos, simplesmente dava resultados errados. 

A empresa faliu em 2018 e Holmes foi condenada em 2022 a mais de 11 anos de prisão por fraude, iniciando o cumprimento da pena em 2023. Seu ex-namorado e ex-COO da Theranos, Ramesh "Sunny" Balwani, também foi condenado. Juntos, os dois precisariam pagar US$ 452 milhões (em torno de R$ 2,3 bilhões, na cotação atual do dólar) às vítimas da fraude.

Do que se trata You Can See Everything?

Trinta e quatro dias antes de ser presa, em 2023, Holmes convidou uma equipe cinematográfica para dentro de sua casa "para documentar cada um de seus passos", sob o pretexto de mostrar que nunca mentiu. "O que começa como um retrato íntimo de uma condenada enigmática transforma-se em uma jornada alucinante de três anos rumo ao abismo", afirma a sinopse de You Can See Everything.

Filmado por David Bolen — diretor de fotografia de Thelma (2024) que também trabalhou em Primetime —, o filme tem 174 minutos de duração e foge do modelo tradicional de documentários sobre crimes reais. Ao invés de acompanhar a fraude cometida por Holmes ao longo dos anos, ele foca no comportamento da personagem, colocando em xeque o que é verdade e o que é mentira sobre o caso. Além disso, o cineasta Fielderinterage com Holmes na frente das câmeras em diversos momentos.

Fonte: EW

Rolling Stone Brasil Rolling Stone Brasil
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