Emma Stone foi responsável por 'certa' participação em documentário sobre Elizabeth Holmes
Atriz ajudou os diretores a encontrar uma solução inesperada para You Can See Everything, filme de Nathan Fielder
Emma Stone teve papel crucial nos bastidores do documentário You Can See Everything, sobre Elizabeth Holmes. Com a prisão da fundadora da Theranos, a produção ficou sem desfecho e sem a protagonista. Stone então conectou os diretores Nathan Fielder e Lance Oppenheim à atriz Amanda Seyfried, que já havia vivido Holmes na ficção. Seyfried entrou no projeto reagindo às imagens e fazendo reconstituições, transformando a ausência de Holmes no eixo central da narrativa sobre ilusão e realidade.
Emma Stone (Pobres Criaturas) teve um papel fundamental nos bastidores de You Can See Everything, documentário de Nathan Fielder (The Rehearsal) e Lance Oppenheim (Primetime), que acompanha os últimos dias de liberdade de Elizabeth Holmes, fundadora da Theranos, antes de começar a cumprir sua condenação por fraude. Embora não apareça no longa, a atriz foi responsável por uma conexão que acabou transformando os rumos da produção.
A participação de Stone veio à tona depois que espectadores perceberam seu nome entre os agradecimentos especiais nos créditos finais do filme. Em entrevista à Vulture, Oppenheim explicou que a atriz ajudou os cineastas a entrar em contato com Amanda Seyfried (Mamma Mia!), vencedora do Emmy por interpretar Holmes na minissérie The Dropout (2022).
Atenção: os próximos parágrafos contêm spoilers de You Can See Everything
Segundo o diretor, a equipe enfrentava dificuldades para encontrar um desfecho para o documentário depois que Holmes começou a cumprir sua pena de prisão. O projeto, que inicialmente acompanha a empresária, seu companheiro, Billy Evans, e seus dois filhos durante os últimos dias antes de sua detenção, precisava encontrar uma maneira de continuar a narrativa sem sua protagonista. Para complicar a situação, os cineastas não conseguiam convencer outras pessoas próximas à empresária a participar das filmagens.
Foi nesse momento que Stone, amiga e antiga colaboradora de Fielder, apresentou Seyfried aos diretores. Inicialmente, a ideia era bastante simples: convidar a atriz para assistir às imagens registradas pela equipe e compartilhar suas impressões diante das câmeras. Oppenheim explicou que esperava que a experiência de Seyfried interpretando Holmes pudesse oferecer uma compreensão mais profunda do material.
A atriz, entretanto, demonstrou certa resistência ao convite. Familiarizada com o trabalho de Fielder em produções como Nathan for You, nas quais o humorista frequentemente coloca participantes em situações desconcertantes, Seyfried temia estar sendo alvo de alguma pegadinha. Mesmo assim, concordou em participar.
Durante o encontro, a atriz assistiu a imagens de Holmes reagindo à sua interpretação em The Dropout, experiência que lhe provocou certo constrangimento. Ao mesmo tempo, demonstrou interesse genuíno pelos registros da vida da empresária e surpreendeu os cineastas ao manifestar vontade de interpretá-la novamente.
A partir daí, You Can See Everything assume uma direção inesperada. Seyfried passa a interpretar Holmes em reconstituições de acontecimentos, enquanto a própria ausência da empresária se transforma em um dos principais elementos narrativos do documentário. A abordagem aproxima o longa das experiências de Fielder em The Rehearsal, série que explora os limites entre realidade, representação e encenação.
"Assim que Elizabeth vai embora, o filme passa a ser, de certa forma, assombrado por sua ausência", explicou Oppenheim. "Todos que estão nele tentam se lembrar dela de maneiras diferentes e também criar uma versão dela."
A presença de Seyfried, porém, vai além de simplesmente interpretar Holmes. A atriz também passa a questionar Fielder sobre suas experiências com a empresária, discutindo suas impressões e confrontando algumas de suas interpretações sobre os acontecimentos. Dessa maneira, torna-se uma peça importante na investigação do próprio documentário sobre a dificuldade de distinguir a verdade das versões construídas a respeito de uma pessoa.
Qual é a história real de Elizabeth Holmes?
Holmes fundou a Theranos em 2003, aos 19 anos, após abandonar seus estudos em Stanford. A ideia da empresária era criar uma máquina capaz de realizar dezenas de exames médicos utilizando apenas uma gota de sangue. A proposta atraiu inúmeros investidores de grande porte, e a empresa chegou a ser avaliada em mais de US$ 9 bilhões em seu auge.
Em 2015, entretanto, uma série de reportagens do The Wall Street Journal expôs que a tecnologia era uma farsa. Foi descoberto que o dispositivo idealizado por Holmes nunca funcionou de verdade: a Theranos usava máquinas comerciais tradicionais adulteradas para processar os testes, terceirizava parte dos exames para outras empresas e, em alguns casos, simplesmente dava resultados errados.
A empresa faliu em 2018 e Holmes foi condenada em 2022 a mais de 11 anos de prisão por fraude, iniciando o cumprimento da pena em 2023. Seu ex-namorado e ex-COO da Theranos, Ramesh "Sunny" Balwani, também foi condenado. Juntos, os dois precisariam pagar US$ 452 milhões (em torno de R$ 2,3 bilhões, na cotação atual do dólar) às vítimas da fraude.
Do que se trata You Can See Everything?
Trinta e quatro dias antes de ser presa, em 2023, Holmes convidou uma equipe cinematográfica para dentro de sua casa "para documentar cada um de seus passos", sob o pretexto de mostrar que nunca mentiu. "O que começa como um retrato íntimo de uma condenada enigmática transforma-se em uma jornada alucinante de três anos rumo ao abismo", afirma a sinopse de You Can See Everything.
Filmado por David Bolen — diretor de fotografia de Thelma (2024) que também trabalhou em Primetime —, o filme tem 174 minutos de duração e foge do modelo tradicional de documentários sobre crimes reais. Ao invés de acompanhar a fraude cometida por Holmes ao longo dos anos, ele foca no comportamento da personagem, colocando em xeque o que é verdade e o que é mentira sobre o caso. Além disso, o cineasta Fielderinterage com Holmes na frente das câmeras em diversos momentos.
Fonte: EW
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