Em 'Yellow Cake', Rejane Faria abraçou a oportunidade de ver uma mulher negra no topo: 'Me fez desejar mais'
Na novidade, a atriz interpreta Rúbia, uma mulher negra e LGBTQ+, que coordena uma equipe de estrangeiros em uma missão perigosa para acabar com a epidemia do Aedes aegypti
Aos 65 anos, Rejane Faria estrela "Yellow Cake", novo longa de Tiago Melo com estreia prevista para novembro. No filme, a atriz vive Rúbia, uma cientista nuclear negra e LGBTQ+ que lidera uma equipe de estrangeiros na Paraíba em uma missão ligada a reservas de urânio. Para Rejane, o papel rompe padrões tradicionais ao retratar uma mulher preta no topo, que enfrenta o machismo e o preconceito estrutural para se impor profissionalmente, refletindo suas próprias lutas na vida real.
Aos 65 anos, com mais de vinte investidos na carreira como atriz, Rejane Faria estrela Yellow Cake, novo longa de Tiago Melo (Azougue Nazaré), que abriu o Olhar de Cinema 2026, em junho, e agora passa pela 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo antes de, finalmente, chegar aos cinemas em novembro.
Na novidade, a atriz interpreta Rúbia, uma cientista nuclear que se embrenha em Picuí, no sertão da Paraíba, para acompanhar mediar a relação entre norte-americanos e os moradores da cidade enquanto os estrangeiros trabalham na exploração das reservas de urânio locais para, a partir do minério, desenvolver uma solução para o problema da epidemia do Aedes aegypti, responsável por transmitir a dengue, entre outras doenças.
Como mulher preta, a personagem se distancia bastante de outras vividas por Rejane na TV e no cinema e, para a atriz, essa mudança no padrãoé uma oportunidade que o cinema e a arte deu a ela de ampliar a discussão de questões importantes, mas que normalmente são negligenciadas:
"Por que nós, mulheres pretas, temos mais dificuldade de ascensão? Quando vem um filme me dá essa possibilidade de ser uma mulher negra com poder, uma mulher LGBTQ+, coordenando uma equipe de homens estrangeiros... Isso me faz ter mais desejo de fazer e mostrar que essas situações são possíveis, de a gente estar nos lugares que escolhemos estar. E sem medo", afirma à Rolling Stone Brasil.
"É necessário que a gente ocupe cargos, que a gente tenha salários iguais e todas essas questões que nós já sabemos, mas que, infelizmente, são sempre atravessadas por preconceitos estruturais. Então, acho que [Yellow Cake] é uma oportunidade incrível. Tanto para mim, pessoalmente, quanto por fazer essa personagem, que pode levar um olhar diferenciado para o que acontece atualmente", completa a atriz.
No entanto, mesmo em uma posição de chefia, Rúbia ainda precisa lutar para conquistar autoridade e se fazer ouvida por seus colegas, em sua maioria homens e brancos. A negligência acaba resultando na grande virada de Yellow Cake — e é a cientista quem se desdobra e coloca a própria vida em risco para encontrar uma solução.
Segundo Rejane, a fúria que abraça Rúbia e a move nos momentos derradeiros do filme vem muito de si mesma e o que precisou enfrentar na vida: "Por mais que eu esteja insegura, por mais que eu tenha receios, eu sempre me posiciono de uma forma muito firme nas coisas que eu desejo. Porque eu acho que tem que ser assim. Deixar para chorar em casa. Aqui você tem que enfrentar e fazer o papel mesmo de ir avançando, de ir largando essas pessoas que ainda conseguem pensar de forma diferente para trás", conta.
"E eu sei que não é todo mundo que consegue fazer isso. A gente é muito oprimido mesmo. Todos os dias nós sofremos um tipo de opressão. Seja pelo olhar, pela escassez de oportunidade, pelo comportamento da sociedade. Vários coisas", continua. "Mas levo de mim muita coisa para essa mulher. Ela que ter um olhar firme, ela não pode abaixar a cabeça, principalmente porque ali, para além disso, ela ainda estava certa."
https://youtu.be/s0Q0zJOyPLU?si=XpDQ7LRO_04Ync8z
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.