Billy Joel detona cinebiografia de sua carreira: 'Um equívoco legal e profissional'
Longa adquiriu os direitos da história de vida do primeiro empresário de Joel, Irwin Mazur, e de seu ex-colega de banda, Jon Small, que se envolveu em conflito amoroso com o músico na década de 70
A nova cinebiografia Billy & Me irá acompanhar o início da carreira de Billy Joel, narrado sob a perspectiva de seu primeiro empresário, Irwin Mazur. Mas a produção não agradou o músico: segundo a Variety, ele não autorizou a realização do filme nem concedeu os direitos sobre sua música ou sobre sua vida.
Mazur descobriu Joel em 1966 e trabalhou com ele entre 1970 e 1972, antes do cantor e pianista assinar um contrato com a Columbia Records. O longa propõe contar a história do astro antes do álbum que o lançou ao estrelato, Piano Man (1973); a direção e a edição ficam a cargo de John Ottman (editor principal da cinebiografia Michael), enquanto Adam Ripp (O Sopro do Diabo) atua como roteirista e produtor.
Os cineastas adquiriram os direitos da história de vida de Mazur e do baterista e antigo amigo de Joel Jon Small, que atuará como co-produtor executivo do projeto.
Small foi membro da banda de rock da qual Joel fez parte na década de 60, The Hassles, e também integrou o duo de acid rock Attila ao lado do astro. A dupla lançou um único álbum autointitulado em 1970 e chegou ao fim abruptamente quando Joel se envolveu romanticamente com a esposa de Small, Elizabeth Weber.
Em entrevista à Variety, Small descreveu o filme como "o retrato mais honesto, sincero e autêntico da juventude de Billy e de sua ascensão a uma das maiores vozes musicais de nosso tempo". Entretanto, esse não é um consenso: em comunicado, um porta-voz de Joel condenou a realização da obra.
"Desde 2021, as partes envolvidas foram oficialmente notificadas de que não possuem os direitos sobre a vida de Billy Joel e não poderão garantir os direitos musicais necessários para este projeto", disse a nota. "Billy Joel não autorizou nem apoiou este projeto de forma alguma, e qualquer tentativa de prosseguir sem ele seria um equívoco tanto legal quanto profissional."
Em resposta à declaração, o produtor Adam Ripp afirmou: "Billy & Me se concentra no período que envolveu Billy Joel e The Hassles, e apresenta covers das músicas que eles tocaram durante essa época. Portanto, caracterizar Billy & Me como 'um equívoco legal e profissional' não reflete com precisão a natureza do projeto nem os direitos legalmente obtidos que sustentam a produção".
O filme é baseado nas experiências em primeira mão de Irwin Mazur e Jon Small e no direito legítimo de Irwin de contar sua própria história de vida e perspectiva sobre os eventos retratados no filme.
Ottman, por sua vez, afirmou que se envolveu com o filme pois considera a história de Joel "profundamente emocionante e divertida". "Este é o período de formação de Billy e sua relação com Irwin Mazur, o homem que reconheceu o incrível talento de Billy antes mesmo que ele próprio o percebesse", acrescentou. "Claro, o cabelo comprido, a fumaça do cigarro e o visual autêntico da época me fascinam como cineasta, mas o que realmente me atraiu no material foi a humanidade em sua essência. É engraçado, comovente e, em última análise, muito inspirador."
Segundo informações da Variety, o longa está em processo de seleção de elenco, e a produção deve começar no segundo semestre de 2026.
Entenda a polêmica
As notícias sobre Billy & Me chegam pouco depois do lançamento do documentário de duas partes sobre o músico na HBO, And So It Goes. No longa, Joel revelou que sentia extrema culpa pelo relacionamento que teve com Elizabeth, esposa de Small.
"Eu me senti muito, muito culpado por isso", disse Joel (via NME). "Eles tiveram um filho. Eu me senti como um destruidor de lares. Eu estava apaixonado por uma mulher e levei um soco no nariz, o que eu mereci. Jon ficou muito chateado. Eu fiquei muito chateado."
Na época em que o conflito aconteceu, Joel estava morando com Small e Weber, e logo ficou sem teto. A situação foi tão grave que levou o músico a uma tentativa de suicídio.
"Eu não tinha onde morar. Eu dormia em lavanderias e estava deprimido, acho que a ponto de quase ficar psicótico. Então pensei: 'Chega. Não quero mais viver", disse. "Eu estava sentindo muita dor e pensei: 'Por que continuar? Amanhã vai ser igual a hoje, e hoje é horrível.' Então, simplesmente decidi acabar com tudo."
Posteriormente, os três se reconciliaram, e Weber trabalhou como empresária de Joel anos depois. Ainda não está claro se a cinebiografia abordará esse capítulo ou não.
Small defendeu a realização do filme: "Com muita frequência, as histórias sobre artistas se perdem em exageros ou na criação de mitos. Billy & Me reflete a história real com integridade e respeito. Conheci Billy quando ele tinha 16 anos e, depois de ler o roteiro, senti que os cineastas realmente entenderam quem ele era antes de o mundo conhecer seu nome".
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