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'Backrooms' expande lenda da internet para os cinemas em busca de novo público

Novidade chega aos cinemas com Chiwetel Ejiofor (12 Anos de Escravidão) e Renate Reinsve (Valor Sentimental) no elenco

28 mai 2026 - 08h45
(atualizado às 09h21)
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Criado a partir de uma lenda digital que nasceu em fóruns da internet, Backrooms: Um Não-Lugar chega aos cinemas como uma curiosa tentativa de transformar um mito digital em experiência cinematográfica. O conceito original — corredores infinitos, paredes amarelas iluminadas por luzes fluorescentes e a sensação constante de estar preso em um lugar que desafia a lógica — já carregava um potencial imagético poderoso. Agora, sob direção do próprio Kane Parsons, criador dos curtas virais no YouTube, a adaptação da A24 tenta expandir essa sensação de desconforto para além do simples susto, apostando em um horror mais psicológico e existencial para o grande público.

'Backrooms' expande lenda da internet para os cinemas em busca de novo público (Divulgação/Imagem Filmes)
'Backrooms' expande lenda da internet para os cinemas em busca de novo público (Divulgação/Imagem Filmes)
Foto: Rolling Stone Brasil

O roteiro de Will Soodik (Westworld) entende que boa parte do público talvez nunca tenha ouvido falar da lore construída nos vídeos e nas comunidades online e, por isso, ao invés de apostar apenas na nostalgia de quem acompanhou os virais — saiba como assisti-los clicando aqui —, ele adapta essa mitologia de maneira mais acessível. A decisão é inteligente: Backrooms funciona menos como uma coleção de referências para fãs antigos — apesar de elas estarem ali — e mais como uma porta de entrada para novos espectadores.

No centro da história está Clark, personagem vivido por Chiwetel Ejiofor (12 Anos de Escravidão), um vendedor de móveis frustrado profissionalmente e emocionalmente desgastado após um relacionamento fracassado. Quando descobre uma parede atravessável no porão de sua loja, ele acaba encontrando aquele espaço impossível — um "não-lugar", como sugere o subtítulo brasileiro —, que parece existir fora das regras da lógica e da própria realidade.

A grande sacada do longa é justamente humanizar o horror. Diferentemente dos curtas, focados principalmente na experiência sensorial e na sensação imediata de ameaça, aqui existe um protagonista com conflitos concretos. Clark não entra nas backrooms apenas para fugir de criaturas ou sobreviver; ele já estava perdido muito antes de atravessar aquela parede.

Conforme caminha pelos corredores intermináveis e ambientes que parecem se reorganizar constantemente, o filme transforma sua crise interna em um pesadelo físico e psicológico. A sensação de vazio, fracasso e isolamento passa a contaminar cada canto daquele labirinto surreal.

Em paralelo, está Mary, terapeuta de Clark, interpretada por Renate Reinsve (A Pior Pessoa do Mundo), que também acaba sendo atraída para aquele universo distorcido. É também por meio dela que Backrooms abraça uma das tendências mais recorrentes do terror contemporâneo: o trauma como elemento narrativo.

Felizmente, o filme não reduz tudo a uma metáfora óbvia. As backrooms continuam funcionando como um mistério indecifrável, um espaço que parece corroer lentamente a sanidade de quem tenta compreendê-lo. Parsons entende que parte do fascínio daquele universo está justamente na ausência de explicações definitivas. Quanto mais os personagens tentam racionalizar o que veem, mais o lugar parece desafiar qualquer lógica humana.

Visualmente, o longa talvez seja um dos terrores mais interessantes da A24 nos últimos anos. O design de produção das paredes amarelas desgastadas, dos carpetes em tons pastéis e das luzes fluorescentes cria uma sensação constante de um desconforto quase hipnótico. Existe algo profundamente angustiante na repetição daqueles espaços vazios, como se os personagens estivessem presos em um sonho ruim do qual não conseguem acordar. Objetos estão em posições estranhas, corredores parecem infinitos e o ambiente inteiro opera como uma distorção imperfeita da realidade. O verdadeiro monstro de Backrooms não são necessariamente as criaturas escondidas na escuridão, mas o próprio espaço: um ambiente sem sentido, sufocante e hostil por natureza. E talvez seja justamente nessa falta de respostas que o filme encontra sua maior força

Backrooms: Um Não-Lugar nunca parece interessado em explicar totalmente sua mitologia — uma aposta que com certeza é feita pensando em futuras sequências —, compreendendo que aquele universo não deveria fazer sentido. Há algo quase fascinante na ideia de um lugar que imita o nosso mundo de maneira errada, como uma cópia imperfeita criada por alguém que nunca entendeu completamente a realidade.

Em suma, Kane Parsons, conhecedor de toda a mitologia desta creepypasta como ninguém, busca expandir uma das lendas digitais mais inquietantes da internet para o cinema sem perder aquilo que a tornou tão assustadora: a sensação constante de estar preso em um lugar onde nada parece real e tudo é estranho e genuinamente desconfortável.

https://youtu.be/UJk5RL-gNXA?si=ATJr2kYXapOI1THj

Rolling Stone Brasil Rolling Stone Brasil
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