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Baby do Brasil sobre documentário apresentado na 21ª CineOP: 'Me traduz perfeitamente'

Em coletiva de imprensa, cantora falou sobre Apopcalipse Segundo Baby, longa de Rafael Saar que revisita sua carreira, polêmicas, feminismo e cinema brasileiro

28 jun 2026 - 17h16
(atualizado às 17h21)
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Baby do Brasil esteve na 21ª CineOP - Mostra de Cinema de Ouro Preto no último sábado (27) para apresentar Apopcalipse Segundo Baby, documentário de Rafael Saar que revisita sua trajetória artística e pessoal. A cantora e o cineasta participaram de uma coletiva de imprensa, acompanhada pela Rolling Stone Brasil, que rendeu reflexões marcadas pela espontaneidade da artista.

Baby do Brasil sobre documentário apresentado na 21ª CineOP: ‘Me traduz perfeitamente’
Baby do Brasil sobre documentário apresentado na 21ª CineOP: ‘Me traduz perfeitamente’
Foto: Ane Souz/Universo Produção / Rolling Stone Brasil

Entre os mais diversos assuntos, Baby falou sobre a experiência de revisitar a própria vida pelas lentes de Rafael Saar, comentou os julgamentos que recebe nas redes sociais e compartilhou suas visões sobre feminismo, racismo e o atual momento do cinema brasileiro. Confira a seguir os principais destaques da conversa:

"Foi um prazer me ver pelo olhar de outra pessoa"

Questionada sobre a experiência de revisitar a própria vida através do documentário, Baby contou que acabou encarando o processo como uma oportunidade rara de autoconhecimento. "Eu só fiquei olhando, morrendo de medo do que eu ia assistir. É um privilégio para a gente. Como é que filho te vê, como é que diretor te vê, como é que amigos te veem. Depois que você tem uma certa experiência da vida, isso se torna um prazer."

Ela revelou que uma das maiores surpresas foi perceber que seus próprios filhos conheciam pouco sobre a fase mais radical de sua juventude. "Eu não tinha contado para os meus filhos quase nada da minha trajetória mais ousada. Talvez fosse uma certa precaução para ninguém copiar nada. Eu sempre cuidei para não transformar aquilo numa lei dentro de casa."

Ao refletir sobre sua carreira, Baby afirmou que sempre ocupou um lugar diferente dentro da música brasileira e que nunca se preocupou em seguir padrões. "Eu nunca tive muito dentro do esquema de várias coisas. A minha vivência como cantora, como pessoa, desde os meus 16 anos, foi muito diferente."

"Esse filme me traduz perfeitamente"

Ao longo da coletiva, Baby fez diversos elogios ao trabalho de Rafael Saar, diretor do documentário, afirmando que escolheu trabalhar com ele justamente pela delicadeza de seu olhar. Segundo a cantora, desde o primeiro encontro percebeu que ele não tentava impor sua própria visão sobre a personagem.

"Quando eu conheci ele, eu falei: há uma leveza nele que me interessa demais. Quem vai traduzir determinadas situações precisa não estar querendo aparecer com o seu jeito de pensar." Ela continuou: "Não há um julgamento. Há uma exposição buscando entrar dentro daquela pessoa do mais limpo possível. Isso para mim foi uma escola também."

Ela afirmou ainda que deu total liberdade para Rafael Saar conduzir o filme. Segundo a cantora, a confiança depositada no cineasta fez com que acompanhasse o processo sem interferências. "Dei carta branca para ele abordar qualquer coisa. (...) Ele tem um olho de entender onde pode ter uma duplicidade que venha a confundir até mesmo a intenção do filme. Isso para mim foi incrível. Tanto que eu não falei nada. Fiquei só aguardando."

Ela disse acreditar que o documentário consegue sintetizar sua personalidade. "Quando eu assisto ao filme e entendo tudo que se passou, chega uma hora em que fica claro quem é você. Esse filme me traduz perfeitamente. Eu sou daquele jeito. E daquele jeito a gente vence também. Não precisa ser da caixinha igual a tudo."

Os julgamentos públicos e as redes sociais

Perguntada sobre os julgamentos que recebe, especialmente após declarações mais recentes, Baby foi direta: "Eu não me incomodo de ser atacada nem julgada. Eu consigo compreender que há uma razão na pessoa. Se eu conseguir mostrar alguma coisa de uma outra maneira, claro que eu fico feliz. Se eu não conseguir, também não vou ficar infeliz."

Ela explicou que costuma tentar entender a origem das críticas antes de responder. "Eu paro e deixo ver como é que essa pessoa está fazendo isso. Se eu sento na cadeira dela para entender por que ela está me vendo daquele jeito."

Cinema brasileiro e paixão pelas salas de exibição

Questionada sobre seu consumo de cinema Baby demonstrou entusiasmo com o momento vivido pela produção nacional e disse acreditar que o país ainda tem muito a oferecer artisticamente.

"Eu estou muito apaixonada pelo cinema brasileiro. (...) Acho que a gente vai entrar num lado maravilhoso do cinema, um outro tipo de lado criativo. O Brasil vai mostrar isso de uma maneira mais que linda. (...) Eu acho que a gente tem condição de fazer coisas fantásticas."

A artista também revelou que prefere assistir aos filmes nas salas de exibição e defendeu a valorização dos cinemas de rua, chegando a imaginar uma circulação nacional para o documentário. "Amo a arte brasileira. Gosto de ir no cinema. (...) Amo cinema de rua. Por mim, esse filme ia passar por uma turnê. (...) Levar o cinema de rua para o Brasil inteiro. Eu acho isso incrível."

Mulheres, feminismo e sua visão sobre o tema

Ao ser perguntada se se considera feminista e como enxerga a luta das mulheres no Brasil, Baby do Brasil preferiu evitar definições. A cantora afirmou que sua visão foi construída a partir da experiência como mãe, ressaltando que sempre procurou compreender as diferenças entre homens e mulheres sem tentar igualá-los.

"Eu tenho três filhas mulheres e três filhos homens. (...) Eu não tentei criar uma mulher igual um homem e um homem igual a uma mulher. Eu tinha que observar, ver que delícia ele, que delícia ela, olhar a forma como cada um vai."

Ao abordar diretamente o feminismo, a artista afirmou que não se identifica com uma postura de enfrentamento, mas destacou seu trabalho de apoio a mulheres vítimas de violência por meio de uma ONG da qual é embaixadora em Minas Gerais. "Quando vem o lado feminista brigando, não me agrada. Nesse sentido, nós temos que ser extremamente femininas e ter uma postura não de briga."

Racismo e espiritualidade

Questionada sobre seu olhar em relação à luta da população negra e ao papel da arte no combate ao racismo, Baby do Brasil afirmou enxergar o tema sob uma perspectiva espiritual. Antes de desenvolver seu raciocínio, fez questão de exaltar a população negra. "Que coisa mais linda é a raça negra. Deus me livre! Que coisa fantástica."

Na sequência, Baby afirmou que considera o racismo um fenômeno difícil de compreender e disse acreditar que suas origens ultrapassam uma explicação apenas histórica ou social. "A gente vê que dois povos no mundo foram escravizados, os judeus e os negros. (...) É algo absurdo, é ridículo isso. A gente nota que é uma coisa estranha, um ódio, uma loucura. (...) Mas tudo isso tem um fundamento muito, muito espiritual."

Ao final, a artista recordou o primeiro encontro com Gilberto Gil, em 1969. Segundo ela, a postura do músico diante das questões raciais a marcou profundamente naquele momento. "O que me impactou no Gil era a postura dele diante da confusão que estava ainda sobre os negros. Eu lembro que tirei o meu relógio e joguei para ele, dizendo: 'Nossa, você me representa'."

Rolling Stone Brasil Rolling Stone Brasil
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