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Emergência Radioativa: o trágico relato da mãe da personagem 'Celeste' na vida real

Garota de 6 anos faleceu devido à contaminação por Césio-137

6 abr 2026 - 14h18
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A série de sucesso da Netflix Emergência Radioativa revisita a tragédia com Césio-137 ocorrido em Goiânia (GO), em 1987, considerado o maior acidente radiológico da história fora de uma usina nuclear. Criada por Gustavo Lipsztein, dirigida por Fernando Coimbra (Os Enforcados) e protagonizada por Johnny Massaro (O Filho de Mil Homens), a produção levantou dúvidas do público sobre a repercussão do caso real.

Personagem Celeste em 'Emergência Radioativa'
Personagem Celeste em 'Emergência Radioativa'
Foto: Reprodução/Youtube / Rolling Stone Brasil

Uma das questões mais marcantes da obra é o drama vivido por Leide das Neves Ferreira, retratada como a personagem Celeste.

Por trás da ficção, a história real guarda detalhes ainda mais impactantes. A garota de seis anos morreu devido à septicemia e infecção generalizada decorrente da contaminação com o material tóxico. A mãe de Leide, Lurdes Neves Ferreira, relembrou o episódio em entrevista ao Mais Goiás.

O relato

Ela explica que pai da criança levou um fragmento do material radioativo para casa. Fascinada com o brilho incomum do objeto, a menina passou a manuseá-lo.

"Ela tinha pedido um ovo cozido e foram olhar esse brilho. Eu descasquei o ovo, coloquei na mesa e fui chamar ela para comer. Ela estava com uma mão na mesa e a outra terminando de comer o ovo, e [tinha] um caldo preto escorrendo da mão dela", relatou (via Metrópoles). "Juntou o pó do Césio com a água do ovo e escorria aquele caldo preto".

Leide foi uma das quatro pessoas que faleceram no primeiro mês após o acidente radiológico. Lurdes também teve contato direto com a substância tóxica, mas não desenvolveu complicações.

Consequências futuras

Além de perder a filha, a casa de Lurdes foi demolida durante a descontaminação da região. Seu marido, Ivo Alves Ferreira, também sofreu consequências da exposição ao material e morreu em 2003.

A Associação das Vítimas do Césio 137 afirma que, até o ano de 2012, quando o acidente completou 25 anos, cerca de 104 pessoas haviam morrido devido a complicações do caso.

Hoje, aos 74 anos, Lurdes vive com uma pensão vitalícia de R$ 954. Uma proposta de aumento das pensões aos cidadãos afetados no acidente está em processo de aprovação.

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