Edgar Morin morre aos 104 anos
Em sua longa trajetória, Morin escreveu cerca de 80 livros. Entre eles, o pensador ganhou notoriedade com 'Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro'
O filosofo francês Edgar Morin morreu aos 104 anos. Ainda não há a causa da morte. A notícia foi divulgada nesta sexta-feira, 29.
"Com profundo respeito e gratidão, lamentamos o falecimento de Edgar Morin, um pensador universal, mestre da complexidade e guia humanista para nossa comunidade acadêmica. Seu trabalho perdurará em cada esforço para reconectar o conhecimento, compreender a condição humana e pensar o mundo a partir de uma perspectiva integrativa", afirma a nota da Multiversidad Mundo Real Edgar Morin, instituição que difunde o conhecimento do pesquisador.
A notícia também foi divulgada por Nelson Vallejo Gomez, Filósofo com Mestrado em Filosofia Contemporânea pela Universidade de Sorbonne, e especialista na obra de Morin.
"Ao pôr do sol de uma majestosa tarde de primavera, no Hospital Americano de Paris, nesta sexta-feira, 29 de maio de 2026, encerrando um fabuloso ciclo existencial que começou em Paris em 8 de julho de 1921, o espírito brilhante do amado sábio da #PoéticaDaCivilidade, meu pai espiritual, querido e admirado Condor, Edgar Morin, tornou-se pura energia", publicou Gomez. "Agora ele está muito mais intensamente presente em nós. Sempre carregarei seu sorriso em meu coração como um farol de inteligência viva, e o manual da Unesco, que é como um legado."
Morin nasceu em Paris, em 1921, e iria completar 105 anos de idade no próximo dia oito de julho. Foi filho único de uma família judia sefardita e, durante a Segunda Guerra Mundial, participou da Resistência Francesa. Em 1941, aderiu ao Partido Comunista, sentindo que tal movimento poderia resistir à Alemanha nazista.
Em sua longa trajetória, Morin escreveu cerca de 80 livros. Entre eles, o pensador ganhou notoriedade com Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro, publicado em parceria com a Unesco.
O intelectual defendia que a educação deve formar pessoas capazes de pensar de maneira crítica, complexa e humana diante dos desafios do século 21.
Era considerado um dos principais pensadores contemporâneos e um dos principais teóricos do campo de estudos da complexidade, que inclui perspectivas anglo-saxônicas e latinas.
Desenvolveu o chamado "Pensamento Complexo", uma abordagem que defende a interconexão dos saberes para lidar com as incertezas e desafios contemporâneos. Entre seus principais trabalhos está a coleção de seis volumes O Método, publicada entre 1977 e 2004.
Ele contribuiu em diversas áreas, como educação, estudos de mídia, ecologia, ciência política, antropologia visual e estudo de sistemas biológicos complexos. Foi codiretor do Centre d'Études Transdisciplinaires da École des Hautes Études en Sciences Sociales, em Paris, por quase duas décadas.
No início dos anos 1950 iniciou seus trabalhos no Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS) de Paris, onde permaneceu e foi nomeado Diretor de Investigação e depois Diretor Emérito. Em 2008 foi fundado o Laboratório Edgar Morin.
Para Morin, o estado criativo permitia ao ser humano ter uma emoção particular. "A beleza da vida é poder usufruir desse estado especial, o que acontece, por exemplo, quando lemos a obra de Balzac ou Jorge Amado: eles criaram personagens cujo universo é capaz de provocar mudanças em nossa existência", acredita. "Música, poesia, literatura e outras artes sempre estiveram presentes e ativas na minha vida", falou em entrevista ao Estadão em 2019.
Matéria em atualização*
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