Script = https://s1.trrsf.com/update-1770314720/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js

Festival de Gramado 2017: Paulo Betti e Eliane Giardini apresentam A Fera na Selva, filme 'fora da curva' dirigido por eles

"Não acredito obviamente em uma carreira comercial", diz a atriz e diretora sobre o longa.

24 ago 2017 - 12h08
Compartilhar
Exibir comentários

Lá pelos anos 1990, ainda casados, Paulo Betti e Eliane Giardini encenaram a versão teatral para a novela A Fera na Selva, do escritor norte-americano Henry James, publicada no início século passado. Mais de duas décadas depois, quando ele propôs adaptar o texto para os cinemas, ela foi relutante.

Foto: Cleiton Thiele/Pressphoto / AdoroCinema

"Nós tínhamos uma divergência. Eu achava que era muito palavroso para o cinema", conta a atriz, que teve a primeira exibição de seu filme na noite desta terça-feira, no Festival de Cinema de Gramado. "Ontem eu falei [depois da sessão]: se isso fosse uma estreia de teatro, hoje a gente estaria cortando coisas". "E ele não queria. Ele queria [o filme] exatamente dessa forma", ela fala por Betti.

Eliane no debate

A Fera na Selva conta a história de um homem, João (Betti), que passa a vida à espera de um acontecimento que, ele supõe, vai mudar o rumo da sua própria história. Verborrágica - uma espécie de  Antes do Amanhecer de um tema só -, a obra destaca a potência do texto original, sem, no entanto, conseguir superar as limitações impostas pela transposição entre as mídias (crítica completa aqui).

O resultado é, como a diretora Eliane disse no debate com a imprensa e público, "fora da curva". "Eu acho que a carreira do filme deve ser uma carreira de festivais, de cineclubes. Eu não acredito obviamente em uma carreira comercial. Eu não sou louca!", riu, para completar: "para a gente, como ator, é muito importante essa ousadia. Ainda mais nós que temos uma carreira muito grande em televisão, onde a gente faz coisas bastante previsíveis e muito ligadas ao mercado, onde se corre poucos riscos, com exceção de algumas séries".

Giardini, Escorel e Betti apresentam A Fera na Selva

Ainda assim, ela admite um certo excesso de texto no filme dirigido a seis mãos (além de Betti e Giardini,  Lauro Escorel, conhecido diretor de fotografia, assina como codiretor): "eu acho que, a partir de um certo ponto, do meu ponto de vista, não precisaria nem do texto mais, já haveria o entendimento entre essas duas pessoas [personagens] e a plateia".

"Mas é o melhor que nós conseguimos fazer. E eu tenho muito orgulho desse filme do jeito que ele é", afirmou a diretora estreante que, como atriz, no meio desta edição do festival, se apresenta como forte concorrente a Maria Ribeiro (Como Nossos Pais) pelo kikito de atuação.

Convidado neste "ménage cinematográfico", Escorel pondera: "a gente está muito viciado num tipo de filme. Temos uma tendência a resistir a outro tipo de narrativa. E por que não apresentar uma peça de teatro através do cinema também?"

Cena de A Fera na Selva

A quinta noite do Festival de Gramado contou, ainda, com, além da programação de curtas-metragens nacionais, uma homenagem a uma espevitada Alice Gonzaga, herdeira (embora ela odeie a palavra) da Cinédia, conhecido como o primeiro estúdio de cinema brasileiro e tema do documentário Desarquivando Alice Gonzaga, de Betse de Paula, exibido fora de competição.

Também aconteceu a exibição do longa argentino Sinfonia para Ana, uma cansativa história de amor enquadrada pela ditadura dos anos 1970, parte da fraca seleção de longas estrangeiros da edição 2017.

Alice Gonzaga, homenageada.

AdoroCinema
Compartilhar

Comentários

As opiniões expressas nos comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do Terra.

Seu Terra