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‘Carnaval’ traz debate sobre obsessão pela fama na internet

Nova comédia nacional da Netflix aborda conflitos pessoais na vida de digital influencers, mas desliza ao manter a discussão rasa

2 jun 2021 09h00
| atualizado às 16h14
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Tem de tudo um pouco em Carnaval, novo filme nacional da Netflix.

Giovana Cordeiro é Nina, a digital influencer que, depois de traída, viaja com as amigas para Salvador
Giovana Cordeiro é Nina, a digital influencer que, depois de traída, viaja com as amigas para Salvador
Foto: Netflix / Divulgação

Tem nostalgia com a representação do carnaval de Salvador.Há pouco mais de um ano de uma vida pandêmica, sem festejar nenhum feriado ou data comemorativa – e sem motivos para celebrar, diga-se de passagem –, poder ver a folia é quase mexer num vespeiro de sensações.

Tem a capital da Bahia como pano de fundo, ponto alto da trama que aproveitou as chances (poucas, é verdade) para mostrar não só a folia, mas explorar rapidamente a culinária, os pontos turísticos, rodas de capoeira e rituais religiosos.E é atual ao mergulhar no mundo das influencers

Salvador é pano de fundo para o filme de Leandro Neri
Salvador é pano de fundo para o filme de Leandro Neri
Foto: Netflix / Divulgação

No filme de Leandro Neri, Giovana Cordeiro é a influencer digital em ascensão Nina. Pouco depois de descobrir uma traição do namorado em um vídeo que viralizou, Nina decide superar o término em uma viagem para Salvador, trocando uma permuta pela companhia de suas três melhores amigas: Michele, interpretada pela influencer Gkay, Vivi, personagem de Samya Pascotto, e Mayra, interpretada por Bruna Inocencio.

No grupo de amigas, Nina é a única preocupada com a manutenção da sua imagem nas redes sociais e todas são muito distintas entre si, o que torna a dinâmica entre elas interessante (mas nem sempre com gingado). Michele é a amiga engraçada, preocupada em beijar na boca, mas que sempre diz as verdades necessárias à Nina e a coloca no lugar, quando necessário. Vivi é a nerd do grupo, avessa às festas enquanto Mayra é a amiga ‘natureba’, espiritualizada. 

Em Salvador, o grupo começa a entrar em conflito ao perceber a importância que Nina dá para o seu trabalho como digital influencer em detrimento das próprias relações: uma das grandes questões do filme. Mas o interessante é como a comédia amplia a problemática para além da questão individual da personagem. O episódio Queda Livre da terceira temporada Black Mirror (Netflix) explorou de maneira visceral os efeitos da transposição da avaliação da sua imagem virtual para a sua realidade, e em menor forma (é claro), o filme Carnaval traz isso. Um exemplo é no trecho em que Nina não consegue uma hospedagem melhor por causa do seu número de seguidores em sua rede social. 

 Michele, interpretada pela influencer Gkay, Vivi, personagem de Samya Pascotto, e Mayra, interpretada por Bruna Inocencio, completam o grupo de amigas
Michele, interpretada pela influencer Gkay, Vivi, personagem de Samya Pascotto, e Mayra, interpretada por Bruna Inocencio, completam o grupo de amigas
Foto: Netflix / Divulgação

Outro acerto do filme foi ao mostrar como a personagem de Giovana acolhe a revelação de um personagem homossexual que até então escondia a sua orientação sexual. Foi inesperado e educativo. 

Mas há falhas. É tanta informação que o filme perde a oportunidade de se aprofundar nas questões que levanta e por vezes dá soluções rasas. O ‘cancelamento’ da personagem de Flavia Pavanelli é um belo exemplo. Depois de dar declarações infelizes e sofrer a retaliação de seus seguidores, Luana tem sua redenção admitindo que precisa, sim, de amizades verdadeiras em sua vida para não cometer mais esses erros. 

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Fonte: Redação Terra
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