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Céline Dion conquista geração Z e se mantém um ícone pop

11 set 2026 - 08h42
(atualizado às 08h45)
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Resumo
Céline Dion retorna aos palcos em Paris com 26 shows esgotados, marcando sua superação após pausar a carreira devido à síndrome da pessoa rígida. Aos 500 mil fãs esperados somam-se as gerações Z e millennial, conquistadas pela autenticidade da cantora, sua presença fashionista e o sucesso viral no TikTok. Ícone global com mais de 200 milhões de discos vendidos, a artista canadense reafirma sua relevância histórica aliando resiliência e proximidade com o público nesta nova fase musical.

Às vésperas de sua aguardada temporada de shows em Paris, cantora canadense alcança um feito raro: conquista seguidores mais jovens sem perder os fãs mais fiéis das gerações anteriores.Céline Dion volta aos palcos neste sábado (12/09) em Paris, dando início a uma série de 26 apresentações ingressos esgotados, que vão até maio de 2027. Cerca de 500 mil pessoas são esperadas para assistir às apresentações, marcando o tão aguardado retorno da estrela global aos palcos após uma longa pausa.

Nos últimos anos, Dion renovou sua imagem ao apostar em uma moda mais expressiva
Nos últimos anos, Dion renovou sua imagem ao apostar em uma moda mais expressiva
Foto: DW / Deutsche Welle

Em 2022, ela anunciou que estava enfrentando uma doença neurológica rara e incurável, a síndrome da pessoa rígida (SPR). Os problemas de saúde a levaram a cancelar sua turnê mundial. No verão europeu de 2024, ela voltou aos holofotes no topo da Torre Eiffel durante a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Paris, e sua resiliência trouxe esperança para fãs em todo o mundo.

Agora, nos dias que antecedem seus shows em Paris, Dion vem encantando centenas de fãs reunidos em frente ao seu hotel, dedicando alguns minutos por dia para conversar com eles e, às vezes, até participando de cantorias e danças improvisadas.

A artista canadense mais bem-sucedida de todos os tempos lançou um total de 27 álbuns de estúdio, vendeu mais de 200 milhões de discos em todo o mundo e conquistou diversos prêmios Grammy.

Embora seus maiores sucessos tenham sido lançados nos anos 1990, ela é muito mais do que um simples fenômeno nostálgico. Ela conquistou, e continua conquistando, fãs da geração Z e dos millennials.

Queridinha da moda contemporânea

Em seus encontros diários com fãs a caminho dos ensaios, ela sempre aparece usando peças de alta-costura marcantes: um vestido assimétrico da Loewe, um ousado vestido de couro azul da Givenchy criado por Sarah Burton ou uma jaqueta chamativa de Tom Ford."Céline Dion está transformando as ruas de Paris em sua passarela", escreveu a revista Vogue ao comentar seus looks elegantes.

"Ela sempre gostou muito de moda, já nos anos 1990, embora por muito tempo não soubéssemos disso", afirma Stéphane Leclair, jornalista cultural de Quebec, autor e apresentador de uma série de podcast sobre o álbum D'eux da cantora. "Sabe, Céline Dion nunca foi considerada 'descolada'. Ela sempre teve aquele lado meio cafona, meio desajeitado. Mas, por meio de seu interesse genuíno por moda, conseguiu renovar bastante sua imagem."

Um passo importante aconteceu em 2016: Dion admirava tanto os looks ousados de Zendaya no tapete vermelho que procurou o estilista da atriz, Law Roach, e pediu para trabalhar com ele. Ela atribui a Roach sua transformação.

Mas esse é apenas um dos fatores que explicam sua popularidade contínua e renovada.

Uma história de ascensão social

Nascida em 30 de março de 1968, Céline Dion era a caçula de 14 filhos de uma família pobre da região francófona de Quebec, no Canadá. Como ela mesma destaca em seu site oficial, a casa era tão cheia que, quando bebê, ela dormia em uma gaveta em vez de um berço.

Ela cresceu cercada por música e gravou sua primeira canção aos 12 anos. A faixa impressionou tanto o empresário René Angélil que ele hipotecou sua própria casa para financiar o primeiro disco da jovem cantora. Ela rapidamente se tornou uma estrela mirim em Quebec.

Inspirada por Michael Jackson, Celine Dion decidiu que queria se tornar uma megastar. Em 1988, ela venceu o Festival Eurovisão da Canção (Eurovision Song Contest) representando a Suíça e, em 1990, lançou seu primeiro álbum em inglês, Unison. Isso, porém, gerou tensões culturais entre os fãs francófonos de Quebec, que sentiam que ela estava deixando suas raízes de lado para buscar o estrelato internacional, especialmente nos Estados Unidos.

Mas, mesmo após se tornar uma estrela global, Dion continuou se identificando orgulhosamente como a "garotinha de Charlemagne", a pequena cidade próxima a Montreal onde cresceu. "As pessoas em Quebec rapidamente entenderam que isso não mudava nada, que ela continuaria sendo uma delas e que apenas acrescentava mais uma camada à sua carreira", observa Leclair.

De fato, ela continuou trabalhando em francês enquanto construía sua carreira como artista pop global. Em parceria com o compositor francês Jean-Jacques Goldman, lançou D'eux em 1995. O álbum se tornou o disco em língua francesa mais vendido de todos os tempos.

A música-tema de A Bela e a Fera (1991) lhe rendeu um Grammy e um Oscar, enquanto My Heart Will Go On (1997), trilha do fenômeno cinematográfico Titanic, consolidou seu lugar entre as maiores vozes da música.

Autenticidade viral

Enquanto outras estrelas costumavam encerrar suas carreiras em Las Vegas, Dion revolucionou a indústria musical com A New Day..., seu espetáculo na cidade americana. Com um total de 714 apresentações entre 2003 e 2007, ela mostrou que esse formato podia ser moderno, inovador e extremamente lucrativo. O projeto serviu de modelo para shows de artistas mais jovens em Las Vegas, como Britney Spears e Adele.

"As maiores estrelas do mundo geralmente fazem de tudo para proteger uma imagem perfeita e intocável. Já Celine é incrivelmente acessível. Ela não tem medo de mostrar quem realmente é", afirma Leclair.

"E os fãs mais apaixonados de Céline adoram seu lado bem-humorado", acrescenta. "Eles adoram o fato de ela ser um pouco excêntrica. Isso a torna muito próxima das pessoas."

Famosa por começar a cantar espontaneamente durante entrevistas, Dion viu esses momentos, assim como cenas exageradas de seus videoclipes dos anos 1990, serem transformados em memes e tendências no TikTok.

Incentivada por seus filhos adolescentes, ela lançou sua conta oficial no TikTok em janeiro de 2026. Tornou-se viral com um vídeo do tipo "O que tem na minha bolsa?", no qual tira uma mistura de itens do dia a dia e objetos completamente inesperados.

Escrevendo um novo capítulo

Mas, além do humor, ela também está disposta a compartilhar seus momentos mais vulneráveis. Em 2016, na mesma semana, ela perdeu para o câncer o marido e empresário, René Angélil, e um irmão. Seu álbum de 2019, Courage, abordou temas como perda e recuperação.

Seu documentário de 2024, I Am: Céline Dion, no qual revisita sua vida e carreira enquanto fala sobre como lida com o diagnóstico da síndrome da pessoa rígida, foi elogiado pela crítica por sua sinceridade intensa e comovente. Uma das cenas acompanha a cantora durante uma dolorosa crise de espasmos.

"Não acredito que muitas estrelas desse nível aceitariam ser filmadas e ainda autorizariam a inclusão dessas imagens na versão final em um momento tão pouco favorável", observa Leclair. "Isso aconteceu, em parte, por um desejo de transparência, para explicar aos fãs por que ela precisou se afastar."

E seus fãs valorizam profundamente essa autenticidade, assim como sua resiliência. Atualmente, Dion passa por tratamentos físicos e terapias para controlar os sintomas e voltar a se apresentar em uma série de shows com mais de duas horas de duração. As apresentações contarão com 18 músicos e quatro backing vocals. Um coral ao vivo também participará de várias músicas.

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