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Carnaval: o que o álcool faz com seus rins?

Durante o Carnaval, o calor e o excesso de álcool podem sobrecarregar os rins. Entenda os riscos e aprenda como cuidar da saúde.

21 jan 2026 - 12h10
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O Carnaval é uma das épocas mais animadas do ano. São dias de festa, bloquinhos, sol forte e, para muitos, um aumento no consumo de bebidas alcoólicas.

Foto: Reprodução/Shutterstock
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Foto: Saúde em Dia

Mas por trás da alegria da folia, há um alerta importante: o excesso de álcool e a falta de hidratação podem causar sérios danos aos rins.

A nefrologista Dra. Daphnne Camaroske explica que o consumo elevado de álcool em curto período pode causar lesão renal aguda, até mesmo em pessoas saudáveis.

"Durante o Carnaval, o risco é maior porque há desidratação, calor e longas horas de festa. O álcool em excesso desregula o corpo e pode afetar diretamente a função renal", alerta a médica.

Por que o álcool prejudica os rins?

O álcool interfere no funcionamento dos rins por vários mecanismos. Ele age diretamente sobre o sistema responsável por equilibrar os líquidos no corpo, afetando a capacidade de filtrar e eliminar toxinas.

Dra. Daphnne explica três fatores principais que tornam o Carnaval um período de risco para os rins:

1. Desidratação e perda de água

O álcool bloqueia a ação do hormônio antidiurético (ADH), que é responsável por reter água no organismo.

Sem esse hormônio, o corpo perde líquido rapidamente, e a pessoa urina com mais frequência. Essa desidratação reduz o fluxo de sangue que chega aos rins, sobrecarregando-os.

2. Quebra muscular (rabdomiólise)

A ingestão exagerada de álcool pode causar rabdomiólise, que é a destruição das fibras musculares.

Quando isso acontece, uma substância chamada mioglobina é liberada na corrente sanguínea, e ela é tóxica para os rins.

3. Queda do volume sanguíneo

O álcool pode provocar queda de pressão, além de vômitos e suor excessivo, comuns em dias de calor e agitação.

Essa combinação leva à hipovolemia, ou seja, à redução do volume de sangue circulante, o que compromete a função renal.

Carnaval e a armadilha do "só mais um copinho"

É comum achar que "uma dose a mais" não faz diferença, mas o efeito acumulado do álcool no corpo é mais perigoso do que parece.

A médica explica que nenhuma dose é totalmente isenta de risco, e que o ideal é moderação e equilíbrio.

Para quem tem rins saudáveis, o limite seguro é de até uma dose por dia para mulheres (cerca de 350 ml de cerveja ou 150 ml de vinho) e duas doses para homens.

Mais importante do que o tipo de bebida é a quantidade de álcool puro ingerida.

Os destilados, por exemplo, têm uma concentração alcoólica muito maior e podem causar intoxicação rápida, especialmente quando consumidos em shots.

"Esses drinks aumentam a desidratação e a sobrecarga renal de forma significativa", explica a especialista.

A importância da hidratação durante o Carnaval

A hidratação é o ponto mais importante para evitar sobrecarga nos rins durante o Carnaval.

Beber água entre uma dose e outra ajuda o corpo a se equilibrar e reduz os efeitos do álcool.

"Ao bloquear o ADH, o álcool faz o corpo eliminar mais líquido do que deveria. Por isso, a água compensa essa perda, evita a concentração do sangue e reduz o risco de lesão renal aguda", explica a nefrologista.

Além disso, a água ajuda o fígado a metabolizar o álcool, previne a ressaca e mantém a pressão estável.

Misturar diferentes tipos de bebida não é o principal problema; o perigo está em beber rápido demais.

Sinais de alerta: quando procurar ajuda médica

Os rins costumam ser silenciosos, e os sintomas de problema renal só aparecem quando o quadro já é grave.

Durante e após o Carnaval, é importante observar os sinais que o corpo dá.

Procure um médico se apresentar:

  • Urina escura ou em pouca quantidade;

  • Inchaço no rosto, nas pernas ou nos tornozelos;

  • Náuseas e vômitos persistentes;

  • Dor muscular intensa;

  • Confusão mental ou cansaço excessivo;

  • Boca seca ou sede extrema;

  • Ressaca que dura mais de 48 horas.

Esses sintomas podem indicar lesão renal aguda e exigem avaliação médica imediata.

Dicas práticas para proteger seus rins no Carnaval

  1. Intercale álcool e água

    A cada copo de bebida, beba pelo menos um copo de água.

  2. Evite longos períodos sem se alimentar

    Comer ajuda o corpo a absorver o álcool mais lentamente.

  3. Prefira bebidas leves e em menor volume

    Shots e destilados aceleram a intoxicação.

  4. Fuja do calor extremo

    Sempre que possível, procure sombra e espaços ventilados.

  5. Não ignore tonturas e fraqueza

    São sinais de desidratação e queda de pressão.

  6. Durma bem e dê pausas entre os dias de festa

    O corpo precisa de tempo para se recuperar.

  7. Evite remédios para ressaca

    Alguns medicamentos sobrecarregam ainda mais os rins.

Essas medidas simples ajudam a curtir o Carnaval sem comprometer a saúde.

Carnaval saudável é aquele que termina bem

De acordo com a nefrologista, a prevenção é sempre o melhor caminho.

"Os rins têm papel vital na filtragem de impurezas e na regulação de líquidos no corpo. Quando há sobrecarga, mesmo que temporária, o dano pode ser sério", afirma.

Por isso, o ideal é curtir o Carnaval com responsabilidade, sem abusos.

Se houver histórico familiar de problemas renais, hipertensão, diabetes ou uso frequente de medicamentos, o cuidado deve ser redobrado.

Carnaval com consciência

O Carnaval é sinônimo de alegria, mas também deve ser uma época de equilíbrio e autocuidado.

Cuidar da hidratação, respeitar os limites do corpo e manter hábitos saudáveis são atitudes que fazem toda a diferença.

Como resume a Dra. Daphnne Camaroske: "O importante é aproveitar, mas com consciência. Beba água, alimente-se bem e saiba quando parar. A saúde dos rins agradece".

Saúde em Dia
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