Carnaval: o que o álcool faz com seus rins?
Durante o Carnaval, o calor e o excesso de álcool podem sobrecarregar os rins. Entenda os riscos e aprenda como cuidar da saúde.
O Carnaval é uma das épocas mais animadas do ano. São dias de festa, bloquinhos, sol forte e, para muitos, um aumento no consumo de bebidas alcoólicas.
Mas por trás da alegria da folia, há um alerta importante: o excesso de álcool e a falta de hidratação podem causar sérios danos aos rins.
A nefrologista Dra. Daphnne Camaroske explica que o consumo elevado de álcool em curto período pode causar lesão renal aguda, até mesmo em pessoas saudáveis.
"Durante o Carnaval, o risco é maior porque há desidratação, calor e longas horas de festa. O álcool em excesso desregula o corpo e pode afetar diretamente a função renal", alerta a médica.
Por que o álcool prejudica os rins?
O álcool interfere no funcionamento dos rins por vários mecanismos. Ele age diretamente sobre o sistema responsável por equilibrar os líquidos no corpo, afetando a capacidade de filtrar e eliminar toxinas.
Dra. Daphnne explica três fatores principais que tornam o Carnaval um período de risco para os rins:
1. Desidratação e perda de água
O álcool bloqueia a ação do hormônio antidiurético (ADH), que é responsável por reter água no organismo.
Sem esse hormônio, o corpo perde líquido rapidamente, e a pessoa urina com mais frequência. Essa desidratação reduz o fluxo de sangue que chega aos rins, sobrecarregando-os.
2. Quebra muscular (rabdomiólise)
A ingestão exagerada de álcool pode causar rabdomiólise, que é a destruição das fibras musculares.
Quando isso acontece, uma substância chamada mioglobina é liberada na corrente sanguínea, e ela é tóxica para os rins.
3. Queda do volume sanguíneo
O álcool pode provocar queda de pressão, além de vômitos e suor excessivo, comuns em dias de calor e agitação.
Essa combinação leva à hipovolemia, ou seja, à redução do volume de sangue circulante, o que compromete a função renal.
Carnaval e a armadilha do "só mais um copinho"
É comum achar que "uma dose a mais" não faz diferença, mas o efeito acumulado do álcool no corpo é mais perigoso do que parece.
A médica explica que nenhuma dose é totalmente isenta de risco, e que o ideal é moderação e equilíbrio.
Para quem tem rins saudáveis, o limite seguro é de até uma dose por dia para mulheres (cerca de 350 ml de cerveja ou 150 ml de vinho) e duas doses para homens.
Mais importante do que o tipo de bebida é a quantidade de álcool puro ingerida.
Os destilados, por exemplo, têm uma concentração alcoólica muito maior e podem causar intoxicação rápida, especialmente quando consumidos em shots.
"Esses drinks aumentam a desidratação e a sobrecarga renal de forma significativa", explica a especialista.
A importância da hidratação durante o Carnaval
A hidratação é o ponto mais importante para evitar sobrecarga nos rins durante o Carnaval.
Beber água entre uma dose e outra ajuda o corpo a se equilibrar e reduz os efeitos do álcool.
"Ao bloquear o ADH, o álcool faz o corpo eliminar mais líquido do que deveria. Por isso, a água compensa essa perda, evita a concentração do sangue e reduz o risco de lesão renal aguda", explica a nefrologista.
Além disso, a água ajuda o fígado a metabolizar o álcool, previne a ressaca e mantém a pressão estável.
Misturar diferentes tipos de bebida não é o principal problema; o perigo está em beber rápido demais.
Sinais de alerta: quando procurar ajuda médica
Os rins costumam ser silenciosos, e os sintomas de problema renal só aparecem quando o quadro já é grave.
Durante e após o Carnaval, é importante observar os sinais que o corpo dá.
Procure um médico se apresentar:
-
Urina escura ou em pouca quantidade;
-
Inchaço no rosto, nas pernas ou nos tornozelos;
-
Náuseas e vômitos persistentes;
-
Dor muscular intensa;
-
Confusão mental ou cansaço excessivo;
-
Boca seca ou sede extrema;
-
Ressaca que dura mais de 48 horas.
Esses sintomas podem indicar lesão renal aguda e exigem avaliação médica imediata.
Dicas práticas para proteger seus rins no Carnaval
-
Intercale álcool e água
A cada copo de bebida, beba pelo menos um copo de água.
-
Evite longos períodos sem se alimentar
Comer ajuda o corpo a absorver o álcool mais lentamente.
-
Prefira bebidas leves e em menor volume
Shots e destilados aceleram a intoxicação.
-
Fuja do calor extremo
Sempre que possível, procure sombra e espaços ventilados.
-
Não ignore tonturas e fraqueza
São sinais de desidratação e queda de pressão.
-
Durma bem e dê pausas entre os dias de festa
O corpo precisa de tempo para se recuperar.
-
Evite remédios para ressaca
Alguns medicamentos sobrecarregam ainda mais os rins.
Essas medidas simples ajudam a curtir o Carnaval sem comprometer a saúde.
Carnaval saudável é aquele que termina bem
De acordo com a nefrologista, a prevenção é sempre o melhor caminho.
"Os rins têm papel vital na filtragem de impurezas e na regulação de líquidos no corpo. Quando há sobrecarga, mesmo que temporária, o dano pode ser sério", afirma.
Por isso, o ideal é curtir o Carnaval com responsabilidade, sem abusos.
Se houver histórico familiar de problemas renais, hipertensão, diabetes ou uso frequente de medicamentos, o cuidado deve ser redobrado.
Carnaval com consciência
O Carnaval é sinônimo de alegria, mas também deve ser uma época de equilíbrio e autocuidado.
Cuidar da hidratação, respeitar os limites do corpo e manter hábitos saudáveis são atitudes que fazem toda a diferença.
Como resume a Dra. Daphnne Camaroske: "O importante é aproveitar, mas com consciência. Beba água, alimente-se bem e saiba quando parar. A saúde dos rins agradece".