Bianca Censori depõe sobre mansão 'esvaziada' à beira-mar em julgamento de Kanye West
A enigmática artista performática prestou depoimento depois que o trabalhador da construção civil Tony Saxon processou seu marido
Bianca Censori compareceu a um tribunal em Los Angeles na quinta-feira, 5, para responder a perguntas sobre a mansão em Malibu projetada pelo renomado arquiteto japonês Tadao Ando, que seu marido, Kanye West, comprou por US$ 57 milhões em 2021 e posteriormente esvaziou para construir o que seu advogado chamou de um abrigo "off-the-grid".
Censori, 31, entrou no tribunal vestindo uma longa saia preta de cetim e um cardigã preto totalmente abotoado. Ela sorriu para o júri e respondeu à maioria das perguntas com respostas de uma palavra. Questionada se seu marido, agora conhecido como Ye, havia dito que queria construir um "bunker off-the-grid", ela contestou.
"Eu acredito que ele usou essa linguagem para se referir à estética", disse. "Tudo isso eram conceitos. A ideia de que mudou não é necessariamente correta. Quando ele descrevia ideias, era o conceito dele como um todo. Sempre seria uma residência. Isso nunca mudou."
Ela afirmou que o marido "iterava sobre muitas ideias diferentes o tempo todo", de maneira "especulativa e conceitual", mas com elementos em comum que atravessavam vários projetos. Segundo ela, a "visão" geral dele tinha "regras básicas".
"Ele não gostava de escadas" nem de "glazing", ou seja, vidro, explicou. "As principais eram: nada de vidro, nada de escadas. Tinha que ser rampas e escorregadores. E ele estava muito interessado em malha, tentando usar malha como barreira entre o interior e o exterior."
Bianca Censori leaving court after full day of trial testimony in LA
She told jurors about Ye's "vision" for his ill-fated $57 million Malibu mansion
Plaintiff Tony Saxon claims he was injured on job & fired in retaliation pic.twitter.com/WZH5vPKHYj
— Nancy Dillon (@Nancy__Dillon) March 6, 2026
O depoimento de Censori contestou alegações do autor da ação, Tony Saxon, e de outra testemunha, o faz-tudo Jeromy Holding, de que Ye dava ordens rígidas com prazos apertados e muitas vezes sem lógica aparente. Os homens haviam dito anteriormente aos jurados que Ye queria que toda a tubulação, fiação, vasos sanitários e acesso a serviços públicos da cidade fossem removidos. Holding afirmou que os planos em constante mudança de Ye para a casa incluíam transformá-la em uma extensão de sua escola particular, um abrigo antibombas, um mosteiro, um estúdio de gravação e um playground para seus filhos, cheio de escorregadores e rampas.
Arquiteta de formação, Censori, 31, tem sido uma presença enigmática e em grande parte silenciosa na órbita de West há anos, expressando-se principalmente por meio de arte performática provocativa que frequentemente incorpora nudez em público. Ela foi chamada a depor no julgamento civil depois que Saxon, um músico, vendedor de discos vintage e faz-tudo de 35 anos, apresentou uma ação judicial em 2023 sobre as sete semanas em que trabalhou na casa no fim de 2021.
Na ação e em seu depoimento no tribunal, Saxon afirma que trabalhou como gerente de projeto e segurança 24 horas na casa contemporânea de concreto até sofrer um ferimento grave e ser demitido em retaliação por levantar preocupações de segurança. Ele alega que Ye não forneceu seguro de compensação trabalhista e agora é responsável não apenas por salários não pagos, mas também por indenizações relacionadas a despesas médicas, perda de renda e sofrimento emocional.
Saxon disse anteriormente aos jurados que Censori atuava como consultora de arquitetura no projeto no fim de 2021, quando West ainda era casado com Kim Kardashian. Segundo ele, os dois trocavam mensagens regularmente nesse período, pedindo conselhos sobre como lidar com Ye e discutindo designs. Ele afirma que Bianca estava por perto quando Ye supostamente o repreendeu por não remover toda a fiação elétrica da casa rápido o suficiente e por questionar quando Ye ordenou que usasse geradores movidos a combustível dentro de casa, apesar do risco de intoxicação por monóxido de carbono.
Censori afirmou no tribunal na quinta-feira que uma vez perguntou diretamente a Saxon se ele era um empreiteiro licenciado, e ele teria respondido que sim. Segundo ela, inicialmente o contratou para remover armários da casa projetada por Ando e, quando ele chegou no primeiro dia, parecia desleixado e demonstrou gratidão pelo trabalho porque supostamente tinha uma pontuação de crédito ruim. Os advogados de Saxon perguntaram se ela fez alguma pesquisa sobre ele diante dessa descrição. Ela admitiu que nunca verificou em um site estadual se ele possuía licença. (Saxon, por sua vez, afirma que sempre deixou claro que não era um empreiteiro licenciado.)
Questionada se já havia conhecido dois outros designers que Saxon levou para o trabalho, Censori disse que os viu uma vez em uma chamada no Zoom, possivelmente relacionada a outro projeto. "Meu marido estava muito interessado nessa ideia de cidade de circuito fechado", explicou. "Qualquer pessoa que estivesse trabalhando em algo arquitetônico também estaria trabalhando nisso."
Em outro momento do depoimento, Censori confirmou que possui procuração para agir em nome do marido. "Posso assinar coisas em nome dele", disse ao júri.
Em entrevista recente à Vanity Fair, Censori também falou pela primeira vez sobre a casa projetada por Ando e sobre seu casamento. "A questão da destruição é que ela dá vida a outra coisa", disse sobre a mansão. "Então, quando eu entrava naquela casa que, entre aspas, estava 'destruída', havia morcegos vivendo dentro dela, e o sal do mar tinha tomado conta do aço da casa e estava enferrujando."
Ela descreveu sua persona pública e seus visuais mínimos — incluindo um vestido transparente totalmente usado no Grammy Awards 2025 — como arte viva de sua própria criação. "Eu não faria algo que não quisesse fazer", disse à revista, acrescentando que ela e o marido trabalham juntos em seus figurinos. "Era como uma colaboração. Nunca foi 'eu estava sendo mandada fazer algo'. Se você fosse casada com Gianni Versace, ele não te daria um vestido ou algo assim?"
Censori também reconheceu à revista que houve momentos, durante algumas controvérsias envolvendo Ye, em que considerou deixá-lo, embora não tenha especificado quando. Menos de uma semana após o Grammy, Ye publicou no X: "Eu sou um nazista", seguido de outra mensagem que dizia: "EU TENHO DOMÍNIO SOBRE MINHA ESPOSA. ISSO NÃO É ESSA COISA FEMINISTA WOKE. ELA ESTÁ COM UM BILIONÁRIO." Dois dias depois, ele exibiu um comercial durante o Super Bowl promovendo o site Yeezy.com, onde camisetas com suásticas estavam sendo oferecidas à venda.
Censori contou à revista que buscou tratamento em regime de internação para trabalhar em si mesma, enquanto Ye foi para a reabilitação e começou a tomar medicação. "Tudo o que posso fazer é estar sempre lá e ajudar", disse ela. "Este ano foi muito parecido com fazer RCP por meses. Tenho amor e empatia por ele para conseguir fazer isso, e entendo que o mundo não tem."
Holding, o outro faz-tudo, testemunhou que quase foi demitido na primeira semana de trabalho quando confundiu acidentalmente Kim Kardashian com Bianca Censori. "Eu disse: 'Ah, pensei que você fosse a Bianca'", lembrou Holding. Segundo ele, a interação levou a uma discussão entre Kardashian e Kanye West, com Kardashian deixando a casa com os filhos do casal. Holding afirmou que Ye então o chamou para subir e confrontá-lo.
"Uma das mulheres mais famosas do mundo, e você a chama pelo nome de outra mulher? O que você tem a dizer?", Ye teria exigido em tom severo, segundo Holding, que imitou a fala no tribunal. "Você fez isso de propósito."
Holding disse que seu rosto queimava de vergonha. Ele se ofereceu para ir embora e nunca mais voltar. "Nããão", Ye acabou dizendo, de acordo com o depoimento. Holding continuou no trabalho e, às vezes, trocava mensagens diretas com Ye, afirmou. Um ano depois, Ye e Censori se casaram, um mês após o divórcio de Ye e Kardashian ser finalizado.
Na quinta-feira, Censori afirmou que Ye mencionou o episódio envolvendo Kardashian e Holding. "Ele me disse que ela ficou chateada", contou ao júri.
Os advogados de Ye argumentam que Saxon recebeu US$ 240 mil por menos de dois meses de trabalho e agora tenta fraudar Ye ao alegar que era um funcionário — e não um prestador de serviços independente. Ye deve depor na sexta-feira antes que o caso seja enviado ao júri de 12 pessoas, que precisa do acordo de apenas nove integrantes para chegar a um veredito.