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Ladrões invadem museu na Itália e levam 4 obras-primas de Antonello da Messina

Criminosos driblaram sistema de segurança do MuMe

16 ago 2026 - 10h39
(atualizado às 11h06)
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O Museu Regional Interdisciplinar de Messina (MuMe), localizado na Sicília, sul da Itália, foi alvo de um furto na noite de sábado (15), quando ladrões conseguiram burlar os avançados sistemas de segurança e levaram obras-primas do pintor Antonello da Messina (1430-1479), um dos maiores nomes locais do Renascimento italiano.

Os criminosos agiram com precisão, subtraindo três dos cinco painéis que compõem o renomado "Políptico de São Gregorio", bem como o painel de dupla face "Pietá", o qual foi extraído e removido diretamente de dentro de uma vitrine reforçada.

Forças policiais e especialistas em perícia chegaram ao local logo pouco tempo após o crime, iniciando uma investigação técnica para reconstituir os detalhes da invasão e reunir provas para identificar os responsáveis.

O Ministério Público abriu um inquérito para acompanhar o caso. Entre as hipóteses levantadas pelos investigadores, está a possibilidade de venda dos trabalhos subtraídos ao mercado negro de obras de arte.

"Estamos devastados com o ocorrido. São duas das obras mais importantes e renomadas de Antonello da Messina", afirmou a diretora do MuMe, Marisa Mercurio.

"É uma perda enorme para o museu, para a cidade, para a comunidade e para o mundo da arte", acrescentou.

Já o ministro da Cultura da Itália, Alessandro Giuli, expressou sua proximidade à cidade de Messina através do prefeito local, Federico Basile.

"O Ministério da Cultura manifesta sua total disponibilidade para colaborar com as autoridades regionais, responsáveis pela gestão dos museus da ilha [siciliana], nos termos do regime de autonomia especial vigente", destacou Giuli.

Acervo do MuMe reúne obras pré-históricas a grandes clássicos datados até o século 19

O "Políptico de São Gregorio" foi encomendado a Antonella da Messina por Fabria Cirino, abadessa do mosteiro de Santa Maria Extra Moenia. Originalmente, a obra consistia em seis painéis: a parte central retratava a Virgem Maria no trono com o Menino Jesus e anjos com uma coroa; os painéis laterais apresentavam São Gregório e São Bento; já o registro superior continha o Anjo da Anunciação e a Virgem da Anunciação. O painel central do nível superior, que provavelmente retrata Cristo morto sustentado por anjos, foi perdido.

No caso do painel de dupla face furtado, a obra traz na parte frontal a Virgem Maria com o Menino concedendo uma bênção, além de um frade franciscano em adoração.

No verso, há a "Pietá" (Cristo como o Homem das Dores). A obra foi atribuída a Antonello da Messina em 2003 e vendida, naquele mesmo ano, pela casa de leilões Christie's para a região da Sicília; anteriormente, ela havia integrado a coleção do alemão Wilhelm Soldan, com quem estava desde 1930.

O MuMe, inaugurado em seu amplo e novo complexo em junho de 2017, leva o nome de Maria Accascina, uma das figuras mais importantes da história da arte siciliana e diretora do Instituto de 1949 a 1963.

A instituição é mundialmente conhecida por abrigar obras-primas de Antonello da Messina e de Caravaggio (1571-1610), ao mesmo tempo em que narra a história e a cultura artística da cidade de Messina, desde o seu povoamento pré-histórico, há 4 mil anos, até o século 19. 

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