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'Game of Thrones': quem seria o herdeiro 'legítimo' do Trono de Ferro?

Um especialista em família real britânica, outro em história medieval e outra em literatura medieval debatem quem seria herdeiro legítimo do trono dos Sete Reinos com base nas regras da monarquia britânica; cuidado: spoilers!

30 ago 2017
10h54
atualizado às 10h56
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A sétima temporada de Game of Thrones (HBO), a série americana com base nos livros do escritor George R.R. Martin, deixa uma pergunta no ar: quem herdará o Trono de Ferro?

Ainda que o mundo de Westeros não exista na realidade, suas origens não são imaginárias. "A Grã-Bretanha medieval teve uma influência enorme na série", disse Martin certa vez.

Por isso, a BBC consultou três especialistas para tentar determinar, com base nas regras que governam a monarquia britânica, quem governará os Sete Reinos.

Richard Fitzwilliams, especialista na realeza britânica, Sarah Peverley, professora de literatura medieval na Universidade de Liverpool (Reino Unido) e Gordon McKelvie, especialista em história medieval, avaliam as possibilidades de quatro candidatos.

AVISO: Esta matéria contém 'spoilers'

Candidata 1: Cersei Lannister

Cersei Lannister é a rainha consorte dos Sete Reinos. Seu marido falecido, Robert Baratheon, liderou uma sangrenta e vitoriosa rebelião para destronar a dinastia Targaryen.

Seus três filhos nasceram de uma relação incestuosa com seu irmão Jamie. Ao tramar a morte de seus rivais, perdeu os três, mas chegou ao trono.

Richard Fitzwilliams: Na Grã-Bretanha, os herdeiros são determinados pela descendência, o status no Parlamento e a ordem dos membros da família real.

Cersei se declarou rainha sem nenhuma legitimidade: por ser a viúva de Robert Baratheon e mãe de dois reis mortos.

É como a infame Margarida de Anjou, que virou rainha ao se casar com Henrique 6º. Também foi impiedosa e muito influente.

Sarah Peverley: O legado nos Sete Reinos é baseado em leis medievais, que muitas vezes eram suscetíveis a interpretações contraditórias. Em termos gerais, o Trono de Ferro parece seguir ordens de primogenitura (onde o primeiro filho homem é o herdeiro natural ao trono).

As mulheres podem reclamar o trono no evento de não haver herdeiro homem. Também podem ocupá-lo até que um rei jovem cumpra a maioridade, assim como Cersei tentou fazer.

Mas, no momento, o direito que ela diz ter ao trono se baseia mais no imenso poder que tem.

Gordon McKelvie: Existiram muitas rainhas impopulares com grande poder e influência, assim como Cersei.

Mas não consigo pensar em exemplos históricos de reis sem filhos que morreram e passaram a coroa foi para sua mãe. Ninguém na Inglaterra medieval tomou o poder de maneira tão dramática quanto Cersei fez.

Candidata 2: Daenerys Targaryen

A Mãe dos Dragões começou como a filha tímida de Aerys Targaryen, o Rei Louco, destronado por Robert Baratheon, mas ganhou poder com o crescimento de seu Exército e seus dragões.

Sua ambição lhe valeu a lealdade de muitos aliados. Lutou para abolir a escravidão e está de olho no Trono de Ferro.

Como qualquer monarca, Daenerys tem muitos títulos. "Primeira de Seu Nome", "Filha da Tormenta" e "Rainha dos Ândalos" são alguns deles. Mas ela será capaz de vingar sua família?

Richard Fitzwilliams: Os Targaryen eram os governantes legítimos de Westeros antes de sua dinastia ser usurpada. O que Daenerys reclama tem validez. Estar no exílio não muda isso.

Durante anos, a monarquia favoreceu os homens.

Em 2015, entrou em vigor uma lei no Reino Unido que determina que o filho ou filha mais velho, independente do sexo, será o sucessor. Isso seria uma boa notícia para Daenerys, não fosse um porém: seu irmão mais velho, o defunto Rhaegar, teve um filho legítimo, algo confirmado no capítulo final da série.

Jon Snow é na verdade Aegon Targaryen, filho legítimo de Rhaegar Targaryen e Lyanna Stark, verdadeiro herdeiro do trono segundo afirmou a própria Daenerys.

Bandeira de Gales
Bandeira de Gales
Foto: BBC News Brasil

Sarah Peverley: Qualquer casa que tenha estado no poder pode reivindicar o Trono de Ferro. O problema é que, em Westeros, ninguém segue regras predeterminadas.

O antepassado de Daenerys, Aegon I, era um conquistador. Seus descendentes foram derrotados durante a rebelião de Robert Baratheon. Se aplicarmos esses precedentes, qualquer um poderia conquistar essas terras e governá-las.

No caso de Daenerys, esse direito é legítimo. Além disso, ela tem um Exército com dragões é amada por aqueles que lidera.

Essa combinação de fatores lhe dá um direito maior sobre os outros já que seu reinado é do interesse do povo, e não apenas de suas ambições.

Gordon McKelvie: Ela é a última Targaryen, ou ao menos pensa que é.

Então a volta dos Targaryen seria uma opção, apesar de não necessariamente ser a opção mais popular entre a maioria em Westeros.

Era importante para qualquer monarca ser popular, já que a coroa necessita de pessoas dispostas a lutar por ela em tempos de guerra.

A antipatia de lorde Randyll Tarly por Daenerys por considerá-la uma "invasora estrangeira" era um sentimento compartilhado por muitas pessoas na história britânica.

Candidato 3: Jon Snow

Hoje rei do Norte, ele percorreu um longo caminho desde sua infância, criado como filho bastardo de Ned Stark.

Como foi explicado antes, ele é o filho legítimo de Rhaegar Targaryen (irmão de Daenerys), que se casou com Lyanna Stark em una cerimônia secreta. (Nota do editor: o próprio Jon Snow não sabe disso ainda).

Ter o sangue de duas das mais poderosas casas de Westeros pode lhe garantir um direito maior ao trono?

Richard Fitzwilliams: Agora que está confirmado que seu pai era Rhaegar, ele tem pleno direito de ocupar o trono, mais que Daenerys.

Sarah Peverley: Chamam-no de "herdeiro legítimo", mas isso não está tão claro quanto parece. Os Targaryen foram uma dinastia governada pelo direito da conquista, como a dos Baratheon.

Não sabemos como Daenerys reagirá à notícia de que Jon é na verdade seu sobrinho. É possível que ela siga a "tradição" e aceite que ele está antes dela na linha de sucessão, já que é o primogênito.

Gordon McKelvie: Por ser filho legítimo de Rhaegar, ele é o verdadeiro herdeiro de seu pai, que morreu em combate.

Candidato 4: Gendry

Poderia o único filho sobrevivente de Robert Baratheon entrar na lista?

Gendry é um filho bastardo do rei morto. Com sangue Baratheon correndo por suas veias, muitos reclamam o trono para esse jovem herdeiro.

Mas ele tem direito a reivindicá-lo?

Richard Fitzwilliams: Se o compararmos com outros da lista, suas possibilidades não são grandes.

Mas às vezes acontece o inesperado: Guilherme, o Conquistador, era bastardo e tomou o trono à força na batalha de Hastings, em 1066, tornando-se rei da Inglaterra.

Sarah Peverley: Gendry é o produto de uma relação extraconjugal e, por isso, teria menos direitos que Daenerys e Jon.

Uma lei medieval diz que os bastardos não podem herdar o trono, especialmente se há candidatos legítimos.

Gordon McKelvie: Gendry é um grande personagem, mas as leis o impossibilitam de governar, especialmente diante dos Targaryen.

Na Inglaterra, ser um bastardo era sempre um problema, então é improvável que Gendry tenha alguma chance contra candidatos de linhagem "legítima" como Daenerys.

O rei Henrique 1º teve 24 filhos bastardos. Alguns bastardos reais conseguiram posições de riqueza e influência. Talvez seja esse o destino de Gendry?

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