Diretor não descarta espaço para IA no Festival de Veneza
'Fechar as portas é uma atitude errada', declarou Alberto Barbera
O diretor artístico do Festival de Cinema de Veneza, Alberto Barbera, não descartou a possibilidade de incluir futuramente uma seção no megaevento dedicada a produções feitas com inteligência artificial.
Em um evento que contou com a participação de estudantes da Universidade Católica de Milão, o responsável pelo festival internacional afirmou que as premiações ligadas à sétima arte "precisam se esforçar para acompanhar as transformações" do cinema, que "nunca permaneceu o mesmo".
"Eu já me questionei sobre a IA e se valeria a pena dedicar uma nova seção do festival a esse tema. Pensei em criar essa seção, mas achei prematuro, porque ainda existem poucos filmes de arte feitos com IA. Talvez eu faça isso no futuro", afirmou Barbera.
O italiano declarou que praticamente todas as produções utilizam a ferramenta para substituir efeitos especiais e destacou que não é necessário temer a tecnologia, "pois ela também oferece enormes vantagens".
"Mencionei no regulamento que filmes que fazem uso limitado de IA também são admitidos, e isso não é uma decisão definitiva, porque muitos festivais rejeitam esse tipo de produção. Acredito que seja um grande erro, como se tivéssemos dito, há 20 anos, que não aceitaríamos filmes produzidos com efeitos especiais", comentou.
Barbera acrescentou que a IA é uma ferramenta disponível para ser utilizada, mas ressaltou que "tudo depende de como ela é usada".
"Fechar totalmente as portas é uma atitude errada e obtusa. Um festival deve sempre repensar sua capacidade de atuar em termos de seleção e programação, para se adaptar aos novos desenvolvimentos com os quais temos que lidar", concluiu.
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